sábado, 31 de dezembro de 2022

Luis Echeverría Álvarez (Cidade do México, 17 de janeiro de 1922 – Cuernavaca, 8 de julho de 2022)

 Luis Echeverría Álvarez (Cidade do México17 de janeiro de 1922 – Cuernavaca8 de julho de 2022)


Luis Echeverría Álvarez
Luis Echeverría Álvarez
57.º Presidente do México
Período1 de dezembro de 1970
a 1 de dezembro de 1976
Antecessor(a)Gustavo Díaz Ordaz
Sucessor(a)José López Portillo
Secretário do Interior do México
Período16 de novembro de 1963
a 11 de novembro de 1969
PresidenteAdolfo López Mateos (1963–1964)
Gustavo Díaz Ordaz (1964–1969)
Antecessor(a)Gustavo Díaz Ordaz
Sucessor(a)Mário Moya Palência
Dados pessoais
Nascimento17 de janeiro de 1922
Cidade do MéxicoMéxico
Morte8 de julho de 2022 (100 anos)
CuernavacaMéxico
Primeira-damaMaría Esther Zuno (1945–1999)
PartidoPRI
ReligiãoCatólico romano
ProfissãoAdvogado

Luis Echeverría Álvarez (Cidade do México17 de janeiro de 1922 – Cuernavaca8 de julho de 2022) foi um advogado e político mexicano. Exerceu o mandato presidente do México de 1970 a 1976, herdando um conturbado período de manifestações estudantis de seu antecessor, Gustavo Díaz Ordaz.

Primeiros anos

Filho de Catalina Álvarez e Rodolfo Echeverría, teve seus primeiros anos e estudo garantidos por instituições públicas. Durante a juventude, estudou na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), onde se formou em Direito. Em seus anos como estudante universitário, Echeverría fundou o grupo "Mundo Libre Juvenil de México", bem como a revista "México" e "La Universidad".[1]

Em 2 de janeiro de 1945, contraiu núpcias com María Esther Zuno (1924 - 1999), filha do ex-governador do estado de Jalisco,[2] José Guadalupe Zuno.

Trajetória política

Echeverría iniciou sua carreira política aos 22 anos, como secretário pessoal do general Rodolfo Sánchez Taboada, enquanto presidente do PRI (1946 - 1952), e posteriormente, na secretaria da Marinha (1952 - 1955).

Foi assim que, nomeado diretor administrativo do Comitê Executivo Central do partido, foi eleito subsecretário do Interior, durante a gestão de Adolfo López Mateos. Mais tarde, em 1964, foi nomeado Ministro do Interior.

Nesta época ocorreu a tragédia da matança de estudantes da Praça das Três Culturas em Tlatelolco, no dia 2 de outubro de 1968, que deixou entre os feridos, a jornalista italiana Oriana Fallaci, que cobria a manifestação. Oriana foi alvejada por três tiros disparados por militares do exército mexicano.[3]

Em 1969, foi designado candidato a presidência da república pelo PRI.

Nas eleições federais de 5 de julho de 1970, Echeverría derrotou o candidato do Partido de Ação Nacional (PAN), Efraín González Morfín, com 84,32% dos votos (total de 11 904 893 votos), contra 13,77% de Efraín (total de 1 945 070 votos).[4]

Em dezembro daquele mesmo ano, tomou posse perante o congresso, como novo chefe de estado da nação.

Presidência (1970–1976)

Desde o início de seu mandato, buscou concretizar uma "reconciliação" com antigos opositores, concedendo diversos habeas corpus a eles.

Em 10 de junho de 1971, teve lugar uma manifestação estudantil na Cidade do México em apoio aos estudantes de Monterrey, que foram recebidos em uma violenta emboscada preparada pelo grupo paramilitar, conhecidos como "Los Halcones" (Os Falcões). Eles atuavam sob apoio do governo, sendo financiado por órgãos internos e externos. Quase 120 manifestantes foram mortos, entre eles um menino de quatorze anos. Após mais esse episodio de violência, o presidente exigiu a renúncia do Chefe do Departamento do Distrito Federal.[5]

Este acontecimento ficou conhecido como El halconazo ou a matança de Corpus Christi.

Atuação no campo econômico

Echeverría tentou adotar um plano econômico inspirando-se no ex-presidente Lázaro Cardenas, porém, não obteve sucesso. Aumentou de forma considerável os gastos públicos, emitindo papel moeda sem valor e somando dívidas, em conjunto com a crise internacional provocada pela crise do petróleo, que trouxeram diversas perdas no início daquela década.

O governo se converteu em uma espécie de "empresário", e se lançou na compra de empresas privadas, buscando uma alternativa para que os funcionários dessas não perdessem seus empregos, o que não ajudou muito, devido à ineficiência administrativa e a corrupção. Durante seu governo, foi abandonado o câmbio fixo que vigorava no país desde 1954. De $ 12,50 por dólar, até o final de seu mandato, o câmbio chegou a $ 20,00 por dólar. A dívida externa aumentou de 6 000 milhões de dólares para mais de 20 000 milhões.

Realizou uma grande quantidade de viagens a países da EuropaÁsiaÁfrica e América Latina. Seu governo foi bastante próximo dos regimes socialistas do Chile e Cuba, dando exílio a Hortensia Bussi, esposa do presidente chileno Salvador Allende, quando este morreu em 1973, depois de derrotado por um golpe de estado. Também deu exílio a um grande número de pessoas provenientes das ditaduras da América do Sul. Mas também realizou a chamada "Guerra Sucia", durante a qual uma grande quantidade de pessoas foram torturadas e desaparecidas. Em seu governo foram mortos os guerrilheiros Genaro Vázquez e Lucio Cabañas.

Quase no final do seu mandato desencadeou-se uma onda de sequestros e assaltos a bancos por grupos guerrilheiros de extrema esquerda. O caso mais famoso foi o sequestro e assassinato do empresário Eugenio Garza Sada.

Entregou a presidência a José López Portillo, que havia sido secretário de seu governo. Aspirou uma indicação para o posto de secretário geral das Organização das Nações Unidas, saindo derrotado pelo diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar.

Últimos anos e morte

Em 20 de setembro de 2005, o promotor especial para crimes do passado, apresentou acusações de genocídio contra Luis Echeverría Álvarez por sua responsabilidade, como Ministro do Interior, durante o Massacre de Tlatelolco, em 2 de outubro de 1968. Um mandado de prisão contra Echeverría foi emitido por um tribunal mexicano em 30 de junho de 2006, mas foi considerado inocente das acusações em 8 de julho de 2006. Echeverría processou o PRD (partido autor das denúncias) por falsas acusações.

Em 29 de novembro de 2006, ele foi acusado dos assassinatos e sua prisão domiciliar foi ordenada por um juiz mexicano. Em 26 de março de 2009, um tribunal federal ordenou sua libertação, bem como isenções da acusação de genocídio para os eventos em Tlatelolco.

Echeverría morreu em 8 de julho de 2022, aos cem anos de idade, em Cuernavaca.[6]

Referências

  1.  «Luis Echeverría Álvarez»Historia y biografía de (em espanhol). 6 de maio de 2020. Consultado em 23 de novembro de 2020
  2.  «Luis Echeverria Alvarez | Encyclopedia.com»www.encyclopedia.com. Consultado em 17 de novembro de 2020
  3.  «Mundo em 1968: protesto contra governo do México acaba em massacre»Folha de S.Paulo. 2 de outubro de 2018. Consultado em 17 de novembro de 2020
  4.  «Julio 05 de 1970: Luis Echeverría Álvarez se alza con la victoria en las elecciones presidenciales con más del 80% de los votos - Periódico El Regio»www.elregio.com. Consultado em 18 de novembro de 2020
  5.  «Halconazo. Esto pasó en la matanza del 10 de junio de 1971»amp.milenio.com (em espanhol). Consultado em 23 de novembro de 2020
  6.  «Muere expresidente Luis Echeverría a los 100 años de edad»El Universal (em espanhol). 9 de julho de 2022. Consultado em 9 de julho de 2022

Ligação externa

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Gustavo Díaz Ordaz Bolaños (San Andrés Chalchicomula, Puebla, 12 de março de 1911 — Cidade do México, 15 de julho de 1979)

 Gustavo Díaz Ordaz Bolaños (San Andrés ChalchicomulaPuebla12 de março de 1911 — Cidade do México15 de julho de 1979)


Gustavo Díaz Ordaz Bolaños
Foto oficial, 1964
56.º Presidente do México
Período1 de dezembro de 1964
30 de novembro de 1970
Antecessor(a)Adolfo López Mateos
Sucessor(a) Luis Echeverría Álvarez
Dados pessoais
Nascimento12 de março de 1911
San Andrés ChalchicomulaPuebla
Morte15 de julho de 1979 (68 anos)
Cidade do MéxicoMéxico
Primeira-damaGuadalupe Borja
PartidoPartido Revolucionario Institucional - PRI
ReligiãoCatólico romano
Profissãoadvogadodiplomata e político

Gustavo Díaz Ordaz Bolaños (San Andrés ChalchicomulaPuebla12 de março de 1911 — Cidade do México15 de julho de 1979) foi um advogadojuiz de direitodiplomata e político mexicano e foi presidente do México de 1964 a 1970.[carece de fontes]

Primeiros Anos

Nasceu em 12 de março de 1911, em San Andrés Chalchicomula (atualmente Ciudad Serdán). Era filho do contador Ramón Díaz Ordaz Redonet (que havia sido chefe politico durante o Porfiriato), e da professora primária Sabina Bolaños Cacho de Díaz Ordaz.

Seu bisavô paterno, José María Díaz Ordaz, foi um general e um advogado que exerceu o cargo de governador do Estado de Oaxaca em meados do século XIX.

Ainda em Oaxaca, estudou nos colegios Saleciano e no Instituto de Ciências e Artes.

Em 1937, obtém o título de advogado pela Universidade Autônoma de Puebla (antigo Colégio do Estado), com a tese "El recurso de queja en el procedimiento civil”

Atua neste período, em diversos postos acadêmicos, políticos e judiciais em seu estado natal, sendo um deles, o cargo de secretário pessoal do governador Maximino Ávila Camacho. Díaz Ordaz também foi juiz presidente da junta de Conciliação de Oaxaca, vice-reitor da da Universidade de Puebla, e secretário geral de governo, durante o mandato de Gonzalo Bautista.

Trajetória Política

Eleito deputado Federal em 1943, posteriormente senador (1946 - 1952), e representante do PRI, frente a Comissão Federal Eleitoral. Entre 1953 e 1958 foi vice-ministro do interior.

Durante seu periodo como senador, forjou uma sólida amizade com Adolfo López Mateos (seu antecessor na presidência do México) e Alfonso Corona del Rosal (que Díaz Ordaz, uma vez presidente, viria a indicar como prefeito da Cidade do México).

Entre dezembro de 1958 e novembro de 1963 foi Secretário de Gobernación (equivalente a ministro do interior) durante a presidência de seu amigo Adolfo López Mateos.

Díaz Ordaz chegou a ser considerado como um dos líderes da ala mais conservadora do Partido Revolucionário Institucional.[1]

Presidência (1964/1970)

Em 17 de novembro de 1963, é indicado candidato do PRI à disputa da presidência. Esta candidatura é apoiada pelos partidos Popular Socialista (PPS), e Auténtico de La Revolución (PARM).

Em maio de 1964, recebe o apoio público do ex-presidente, Lázaro Cardeñas.[2]

Política Econômica

Assim que assumiu a presidência, encontrou um país economicamente estável, crescimento esse constituído em mandatos anteriores. Díaz Ordaz manteve a postura de criar empresas pré-estatais, e expandiu a política fiscal.

O direito a greve permaneceu quase nulo nesse período, mantendo sob seu controle o movimento dos trabalhadores, afim de evitar eventuais "riscos" a estabilidade.[3]

Política Externa

Durante seu mandato, constituiu-se uma forte ligação com o governo norte-americano, dando continuidade ao que já vinha se consolidando durante o mandato de López Mateos.

Seguindo o exemplo de seu antecessor, realizou diversos encontros com autoridades norte-americanas, criando uma estrita amizade com os presidente Lyndon Johnson e Richard Nixon. Essa diplomacia tão próxima, tornou-se motivo de rumores entre os mexicanos, isso até os dias de hoje. Uma incômoda dúvida se o presidente Díaz Ordaz seria ou não um informante da CIA[4]

Gustavo Díaz Ordaz cumprimentando os jogadores soviéticos nas Olímpiadas de 1968.
Presidente Díaz Ordaz (esq.) desfilando em carro aberto em San Diego (CA) , com Richard Nixon.

Autoritarismo

- Gustavo Díaz Ordaz Bolaños

Por outro lado, mostrou-se autoritário por diversas vezes durante seu mandato. A primeira delas foi durante a greve dos médicos, em 1965.

Profissionais da área reivindicavam melhores condições de trabalho, quando diversas de suas manifestações, passaram a ser duramente reprimidas.[5]

Esse movimento abriu caminho para diversos outros, sendo o movimento, um dos mais emblemáticos, culminando no Massacre de Tlateloco, em 2 de outubro de 1968, 10 dias antes dos jogos olímpicos, que seriam realizados no México.

O Caso Rius

Díaz Ordaz detestava às caricaturas e piadas que eram feitas por conta de seu aspecto físico. Em um determinado, ao ser comparado a um chimpanzé pelo cartunista Eduardo del Río (que assinava sua obras com o pseudônimo Rius), ordenou a prisão ilegal do mesmo.

Era janeiro de 1969, Eduardo foi abordado por dois elementos à paisana, que apenas se identificaram como agentes da Dirección Federal de Seguridad.

O cartunista foi levado até um quartel, posteriormente, levado a um local remoto nos arredores de Toluca. Ali sofreu forte terror psicológico dos militares, mas graças a seu tio, o ex-presidente Lázaro Cardeñas, teve sua vida poupada.

Lázaro procurou pessoalmente Díaz Ordaz, a quem pediu que se respeitasse a vida de seu sobrinho. Suspendendo assim a eminente execução.[6]

Ainda em 1969, Díaz Ordaz indicou Luis Echeverría Álvarez, então Secretario de Gobernación, como seu sucessor. Díaz Ordaz entregou-lhe a faixa presidencial em 1º de dezembro de 1970.

Pós-Presidência e Morte

Em 1977, o presidente José López Portillo o nomeou para a embaixada do México na Espanha. Ele viria a ser o primeiro em 40 anos, pois o regime franquista não era reconhecido pelo México. Porém Díaz Ordaz renunciou uma semana depois, por problemas de saúde.

Faleceu em 15 de julho de 1979, aos 68 anos de idade, após um longo período de enfrentamento de um câncer de pâncreas, que se espalhou, provocando uma parada cardíaca.[7]

Vida Pessoal

Gustavo sempre foi lembrado por amigos e familiares como uma pessoa perfeccionista.

Durante a juventude, levado por sua paixão pela música, aprendeu a tocar violão. Já na vida adulta, adotou o hábito de montar quebra-cabeças como um de seus passatempos.[8]

Casou-se com Guadalupe Borja, sua paixão da adolescência. Ele foi tio de Roberto Gómez Bolaños, conhecido cômico mexicano e criador dos personagens ChavesChapolin e Chespirito, entre outros.[9]

Irma Serrano (uma das atrizes mais conceituadas da época), assegurou ter tido um caso com Díaz Ordaz durante seu mandato como presidente, citando até mesmo alguns presentes luxuosos recebido dele, como jóias e casas em bairros nobres da capital.[10]

Referências

  1.  Gustavo Díaz Ordaz Los presidentes de Máxico
  2.  «Memoria Política de México»www.memoriapoliticademexico.org. Consultado em 24 de novembro de 2020
  3.  «Biografia de Gustavo Díaz Ordaz»www.biografiasyvidas.com. Consultado em 25 de novembro de 2020
  4.  «Díaz Ordaz estaba en la nómina de la CIA: Sergio Aguayo»El Universal (em espanhol). 14 de setembro de 2018. Consultado em 28 de novembro de 2020
  5.  Soto Laveaga, Gabriela (abril de 2011). «Médicos, hospitales y servicios de inteligencia: el movimiento médico mexicano de 1964-1965 através de reportes de inteligencia»Salud Colectiva (em espanhol): 87–97. ISSN 1851-8265doi:10.1590/S1851-82652011000100007. Consultado em 25 de novembro de 2020
  6.  «Gustavo Díaz Ordaz odiaba los apodos, chistes y caricaturas sobre él»De10 (em espanhol). 15 de julho de 2020. Consultado em 27 de novembro de 2020
  7.  «Así fueron los últimos días de vida de Gustavo Díaz Ordaz»El Universal (em espanhol). 26 de setembro de 2020. Consultado em 24 de novembro de 2020
  8.  «Gustavo Díaz Ordaz: datos curiosos que no sabías»www.dememoria.mx. Consultado em 27 de novembro de 2020
  9.  «El presidente que era tío de Chespirito»Cuna de Grillos (em espanhol). 28 de novembro de 2014. Consultado em 24 de novembro de 2020
  10.  «10 datos de Gustavo Díaz Ordaz, el presidente marcado por la matanza del 68»ADNPolítico (em espanhol). 2 de outubro de 2018. Consultado em 24 de novembro de 2020