A história de Ragga Ragnars é uma das mais interessantes do elenco. Enquanto Vikings é apenas seu segundo papel depois de um curta de 2015, a islandesa é uma ex-nadadora recordista, que virou atriz após se aposentar do nado. Seu nome também sugere conexão pessoal com a série: curiosamente, o pai de Ragga se chama Bjorn Ragnar. Então, como é a tradição de seu país, seu sobrenome vêm de seu pai. O sobrenome completo da atriz é Ragnarsdóttir, ou seja, “filha de Ragnar”. Ela ainda contou ao ET Canada que, como os personagens da série são figuras históricas da Islândia, ocasionalmente faz função de consultoria para os outros atores.
Ragga Ragnars e Gunnhild: Quando o Sangue Nórdico Encontra a Alma Guerreira
Uma celebração da atriz islandesa que transformou piscinas em palcos e lendas em vida
Do Atlântico Nórdico aos Mares da História: A Jornada de Uma Guerreira Moderna
Imagine mergulhar nas águas geladas do Atlântico Norte aos seis anos de idade, nadando com a determinação de quem carrega nos genes o espírito dos antigos navegadores vikings. Essa é a história de Ragnheiður Ragnarsdóttir — conhecida artisticamente como Ragga Ragnars — uma mulher cuja trajetória parece saída das próprias sagas que sua terra natal preserva há séculos.
Nascida em 24 de outubro de 1984 em Reykjavík, Ragga não apenas herdou o nome de seu pai Ragnar (seu sobrenome Ragnarsdóttir significa literalmente "filha de Ragnar", conforme a bela tradição islandesa de patronímicos), mas também incorporou a força ancestral de seu povo em cada capítulo de sua vida. Por mais de uma década, ela foi a nadadora mais rápida da Islândia, especializando-se no nado livre de velocidade e representando seu país nas Olimpíadas de Atenas 2004 e Pequim 2008 — tornando-se uma das mais jovens atletas olímpicas islandesas de sua geração. Suas conquistas incluem múltiplos recordes nacionais e títulos de campeã que marcaram uma era no esporte islandês.
Mas o destino reservava-lhe um mar ainda mais vasto: o da arte.
A Transição Mágica: Das Piscinas para os Palcos do Mundo
Após se aposentar da natação competitiva, Ragga descobriu que a disciplina das raias olímpicas havia preparado seu corpo e mente para um novo tipo de performance. A mesma determinação que a levava a treinar horas por dia agora a guiava nos ensaios, nos estúdios e nas filmagens sob céus gélidos da Irlanda (onde Vikings foi gravada).
Seu grande momento chegou em 2018, quando foi escalada para interpretar Gunnhild, a shield-maiden (guerreira) de presença magnética na sexta temporada de Vikings. Contrariando a ideia de que seria seu "segundo papel", Ragga já havia construído uma carreira multifacetada como atriz em produções islandesas — mas foi Gunnhild que a catapultou para o reconhecimento global, seguido por papéis marcantes como Bain em The Wheel of Time.
E aqui reside a magia islandesa: enquanto atuava, Ragga frequentemente compartilhava conhecimentos culturais com o elenco. Como ela mesma mencionou em entrevistas, muitos personagens de Vikings têm raízes nas sagas históricas veneradas na Islândia — e ela trazia consigo não apenas o conhecimento das lendas, mas a alma de quem cresceu ouvindo essas histórias ao redor de lareiras islandesas.
Gunnhild: Mais Que uma Rainha, uma Força da Natureza
Na série, Gunnhild surge inicialmente como aliada estratégica do ambicioso Rei Harald Finehair — mas sua jornada é muito mais complexa que um simples interesse romântico. Ela é apresentada como uma shield-maiden de rara inteligência e coragem, cuja lealdade não se compra com ouro, mas com respeito mútuo e visão compartilhada.
Quando o destino a une a Björn Ironside (interpretado por Alexander Ludwig), filho do lendário Ragnar Lothbrok, nasce uma das parcerias mais cativantes da série: não um romance açucarado, mas uma aliança de almas guerreiras. Gunnhild não se submete — ela escolhe Björn como parceiro de batalhas e reinado, tornando-se Rainha de Kattegat com a mesma naturalidade com que empunha sua espada. Sua devoção a ele transcende até a morte, como vemos em cenas comoventes da sexta temporada, onde ela lamenta seu amado com palavras que ecoam pelas eras: "O homem que não podia ser morto..."
É importante celebrar aqui uma distinção fascinante: a Gunnhild histórica — conhecida como "Mãe dos Reis" (c. 910–980) — foi esposa do temido Eric Bloodaxe e figura poderosa nas sagas islandesas. A Gunnhild da série é uma reimaginação criativa que captura a essência dessa força feminina ancestral, adaptando-a à narrativa épica de Michael Hirst.
O Presente Nórdico: Uma Voz Multifacetada
Hoje, Ragga Ragnars continua a expandir seus horizontes com a mesma energia que a levou das piscinas olímpicas aos sets internacionais. Além de atuar, ela explora:
✨ Música — compondo canções que mesclam elementos tradicionais islandeses com sonoridades contemporâneas
✨ Escrita e reflexão — compartilhando insights sobre disciplina, propósito e resiliência
✨ Presença cultural — representando com orgulho a identidade islandesa no cenário global
Ela mesma define sua filosofia de vida com elegância: "A natação me ensinou que metas não se alcançam por acaso — elas se manifestam através de disciplina diária, foco inabalável e amor pelo processo."
Conexão Ancestral: Quando a História se Torna Presente
Há uma beleza poética — quase mítica — na trajetória de Ragga. Enquanto interpretava uma guerreira viking nas telas do mundo, seu próprio nome carregava séculos de tradição: Ragnarsdóttir, filha de Ragnar, ecoando o nome do próprio Ragnar Lothbrok, protagonista central da série. Essa coincidência não é mero acaso — é a Islândia respirando através de sua filha, lembrando ao mundo que as sagas não são apenas histórias, mas sangue, nome e identidade viva.
Quando Ragga caminha pelos sets vestindo armaduras viking, ela não está apenas representando um personagem. Está honrando gerações de mulheres nórdicas que governaram, guerrearam e moldaram a história com mãos firmes e corações indomáveis — exatamente como Gunnhild fez na ficção, e como tantas Gunnhilds reais fizeram na história.
Celebração Final: Skál para a Guerreira Moderna!
Ragga Ragnars nos ensina que reinvenção é um ato de coragem. Que sair de uma carreira de elite esportiva para construir outra no mundo artístico exige a mesma bravura de uma shield-maiden enfrentando tempestades no Mar do Norte. E que, acima de tudo, nossa herança não nos limita — ela nos fortalece.
Hoje, ao assistir Gunnhild erguer seu escudo ao lado de Björn Ironside, lembremos que por trás da personagem está uma mulher real que nadou contra correntes olímpicas, que transformou quedas em recomeços, e que carrega no próprio nome a essência do que significa ser islandesa: filha de Ragnar, filha do fogo e do gelo, filha de uma terra que nunca esquece suas raízes.
Skál, Ragga! Skál, Gunnhild! Que suas histórias continuem inspirando gerações a mergulharem fundo — nas piscinas, nos palcos, na vida — com a coragem dos antigos navegadores. 🛡️🌊⚔️
Na série ela vive Gunnhild, guerreira que é alvo de interesse do rei Harald, mas eventualmente se casa com Bjorn.
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