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quarta-feira, 20 de junho de 2018

SÓCRATES


SOCRATESNatural de Atenas, onde também morreu, (470-399 a.C.), Sócrates foi escultor durante a juventude, e depois soldado. Não tinha escola, não professava nenhuma ciência e nem escreveu qualquer obra, ensinando apenas pela conversação. Isso lhe acarretou a hostilidade dos que não o entendiam nem o compreendiam, a ponto de ser acusado como inimigo da religião do Estado e corruptor da mocidade. Julgado culpado e consultado sobre a pena que lhe deveria ser aplicada, respondeu de um modo que deve ter sido considerado ofensivo à autoridade judicial, pelo que os juízes o condenaram à morte.
Durante os trinta dias anteriores à execução da sentença, Sócrates simplesmente conversou com os amigos que desejavam lhe preparar a fuga, mas que ele recusou, e na data aprazada despediu-se da mulher, Xantipa, dos três filhos e dos amigos, e bebeu a taça de cicuta. Como não deixou nada escrito, o conhecimento de sua doutrina só se tornou possível através de Platão (que a enriqueceu), Xenofonte (que a resumiu) e Aristóteles (que apresentou dela um extrato incompleto).
O método de ensinamento que usou foi o do diálogo, dedicando-se ao estudo da moral do homem. Acreditava num Deus único, presente no mundo como a alma está presente no corpo, e admitia a possibilidade de uma inspiração, de uma voz íntima capaz de dar o pressentimento do futuro aos homens. Sua influência sobre os séculos futuros foi enorme. Platão foi seu discípulo e Aristóteles aprendeu na sua Filosofia, sendo difícil, por isso, compreender a história da Filosofia Universal sem conhecer o pensamento socrático.
Na verdade, Sócrates foi um místico e um reacionário que acreditava estar numa missão particular, e se aceitou a morte com naturalidade foi porque ela lhe pareceu o fim glorificante para uma vida consagrada à divindade. Ele não era visto com bons olhos por parte da aristocracia grega, pois além de defender algumas idéias contrárias ao funcionamento da sociedade grega, também criticava diversos aspectos da cultura do seu povo, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos cidadãos.
Suas idéias inovadoras, associadas à sua Inteligência e qualidades de orador, atraíram a atenção de muitos jovens atenienses e aumentaram sua popularidade, razão pela qual a elite mais conservadora de Atenas, temerosa de que ocorresse algum tipo de mudança na sociedade, passou a encará-lo como um inimigo público e um agitador em potencial. Ele também não manifestava gosto especial por nada da Natureza, interessando-se apenas pela interpretação correta da conduta humana, e das regras que a presidem. Seu lema era “Conhece-te a ti mesmo”, o que por si só poderia constituir uma ciência capaz de ensinar aos homens a prática do bem.
Não se sabe se Sócrates praticava qualquer outro tipo de atividade além da Filosofia. De acordo com alguns registros, aprendeu a profissão de paneleiro com seu pai, mas na obra de Xenofonte, que foi seu discípulo, ele aparece declarando que se dedicava ao que considerava a arte ou ocupação mais importante: debater filosofia. Por sua vez, Platão, também aluno seu, afirma que ele não recebia pagamento pelas aulas que dava, e sua pobreza era prova evidente de que não era, realmente, professor remunerado. Várias fontes, inclusive os diálogos de Platão, mencionam que Sócrates tinha participado de várias batalhas, como soldado do exército. Na Apologia, ele compara esse seu período no serviço militar aos problemas vividos no tribunal, e sugere que se qualquer jurado entendesse como correta a obrigação dele abandonar a filosofia, também deveria aceitar a idéia de que os soldados poderiam bater em retirada quando percebessem que estavam da iminência de morrer durante o desenrolar de alguma batalha.
Considerado pelos seus contemporâneos como um dos homens mais sábios e inteligentes do seu tempo, era dono, também, de hábitos curiosos. Entre os detalhes curiosos que se tornaram conhecidos sobre o comportamento do filósofo, incluem-se o costume de caminhar descalço e o de não tomar banho com regularidade. Em certas ocasiões, parava o que estivesse fazendo e permanecia imóvel por horas seguidas, meditando sobre algum problema. Certa vez o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, o que demonstra o caráter legendário da figura Socrática.
Abaixo, algumas frases e pensamentos que lhes são atribuídos:
– A vida que não passamos em revista não vale a pena viver
– Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.
– É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal.
– Alcançar o sucesso pelos próprios méritos. Vitoriosos os que assim procedem.
– A ociosidade é que envelhece, não o trabalho.
– O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância.
– Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado.
– Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes.
– Não penses mal dos que procedem mal; pense somente que estão equivocados.
– O amor é filho de dois deuses, a carência e a astúcia.
– A verdade não está com os homens, mas entre os homens.
– Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.
– Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir.
– Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.
– Todo o meu saber consiste em saber que nada sei.
– Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus.
Sócrates era considerado pelos seus contemporâneos um dos homens mais sábios e inteligentes. Em seus pensamentos, demonstra uma necessidade grande de levar o conhecimento para os cidadãos gregos. Seu método de transmissão de conhecimentos e sabedoria era o diálogo. Através da palavra, o filósofo tentava levar o conhecimento sobre as coisas do mundo e do ser humano.
Conhecemos seus pensamentos e idéias através das obras de dois de seus discípulos: Platão e Xenofontes. Infelizmente, Sócrates não deixou por escrito seus pensamentos.

sábado, 2 de junho de 2018

Sócrates




Sócrates:
Apesar da magnitude de sua influência, pouco se sabe com certeza sobre Sócrates. Ele não escreveu nada, mas está presente nos escritos de Platão, seu aluno mais ilustre. Da obra de Platão e de fragmentos de outros autores contemporâneos (Xenofonte, Aristófanes e o próprio Aristóteles) é possível afirmar que Sócrates possuía uma inteligência incomum e um rigoroso sentido crítico. Ele parece ter tornado a afirmação délfica – “conhece-te a ti mesmo” – numa atitude constante. Sua morte teve profundo impacto entre os filósofos da época – ele foi condenado a morte por envenenamento, acusado de corromper os jovens com suas ideias. Apesar de o exílio ser uma alternativa, ele rejeitou todos os esforços em minimizar sua pena – reafirmou a correção de sua vida e sua missão de despertar os outros, mesmo diante de sua condenação. Ele não temeu a morte e a recebeu de braços abertos, como um portal para a verdade que ele tanto defendia e buscava. O relato de sua morte pode ser encontrado no Fédon de Platão, que retrata os momentos finais de Sócrates com muita beleza e profundidade. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

Sócrates


Sócrates (em grego antigo: Σωκράτης, transl. Sōkrátēs; 469–399 a.C.) foi um filósofo ateniense, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental. As fontes mais importantes de informações sobre Sócrates são Platão, Xenofonte e Aristóteles (Alguns historiadores afirmam só se poder falar de Sócrates como um personagem de Platão, por ele nunca ter deixado nada escrito de sua própria autoria.).

Os diálogos de Platão retratam Sócrates como mestre que se recusa a ter discípulos, e um homem piedoso que foi executado por impiedade. Sócrates não valorizava os prazeres dos sentidos, todavia se escalava o belo entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo. Dedicava-se ao parto das idéias (Fedro) dos cidadãos de Atenas, mas era indiferente em relação a seus próprios filhos.
 
O julgamento e a execução:
O julgamento e a execução de Sócrates são eventos centrais da obra de Platão (Apologia e Críton). Sócrates admitiu que poderia ter evitado sua condenação (beber o veneno chamado cicuta) se tivesse desistido da vida justa. Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos. A razão para sua cooperação com a justiça da pólis e com seus próprios valores mostra uma valiosa faceta de sua filosofia, em especial aquela que é descrita nos diálogos com Críton.
Sócrates foi convidado para o Senado dos quinhentos, e manifestou sua convicção de liberdade combatendo as medidas que considerava injustas. A democracia estava se implantando em Atenas, e Sócrates respondia qual era o melhor Estado, como poderia se salvá-lo. Os homens mais sábios deviam governá-lo, pois eles podem controlar melhor seus impulsos violentos e anti-sociais. Assim, nos afastaríamos do comportamento de um animal. O Estado não confiava na habilidade e reverenciava mais o número do que o conhecimento. Portanto, Sócrates era aristocrático, pois há inteligência que baste para se resolver os assuntos do Estado.
A reação do partido democrático de Atenas não poderia ser outra. Em um juri de cinquenta pessoas, foi acusado, condenado por negar os deuses do Estado e por “perverter a juventude de Atenas”. Muitos jovens seguiam Sócrates, e tornavam-se seus discípulos. Anito, um líder democrático, tinha um filho que se tornou discípulo de Sócrates, ria dos deuses do pai, voltava-se contra eles. Sócrates foi considerado, aos setenta anos, líder espiritual do partido revoltoso. A verdadeira causa da morte de Sócrates é política, ele ameaçava o partido democrático dominante. Foi condenado à morte, e teve de ingerir cicuta (uma planta venenosa). Podia ter fugido da prisão, ou pedido clemência, ou ter saído de Atenas, mas não quis. Quis cumprir as leis da cidade. Assim, se tornou o primeiro mártir da filosofia. Não deixou nenhuma obra escrita. Sua morte nos é contada por Platão, que foi um de seus discípulos, e fiz aqui um resumo:
“(…) Ele se levantou e se dirigiu ao banheiro com Críton, que nos pediu que esperássemos, e esperamos, conversando e pensando (…) na grandeza de nossa dor. Ele era como um pai do qual estávamos sendo privados, e estamos prestes a passar o resto da vida orfãos. (…) A hora do pôr do sol estava próxima, pois ele tinha passado um longo tempo no banheiro .(…) Pouco depois, o carcereiro entrou e se postou perto dele, dizendo:
-A ti, Sócrates, que reconheço ser o mais nobre, o mais delicado e o melhor de todos os que já vieram para cá, não irei atribuir sentimentos de raiva de outros homens(…) de fato, estou certo de que não ficarás zangado comigo, porque como sabes, são os outros , e não eu o culpado disso. E assim, eu te saúdo, e peço que suportes sem amargura aquilo que precisa ser feito, sabes qual é a minha missão – e caindo em prantos, voltou-se e retirou-se.
Sócrates olhou para ele e disse:
- Retribuo tua saudação, e farei como pedes.- E então, voltando-se para nós disse:- Como é fascinante esse homem; desde que fui preso, ele tem vindo sempre me ver,e agora vede a generosidade com que lamenta a minha sorte. Mas devemos fazer o que ele diz; Críton, que tragam a taça, se o veneno estiver preparado.(…)
Críton, ao ouvir isso fez um sinal para o criado, o criado foi até lá dentro, onde se demorou algum tempo; depois voltou com o carceireiro trazendo a taça de veneno. Sócrates disse:
-Tu, meu bom amigo, que tem expêriencias nesses assuntos, irá me dizer como devo fazer.
O homem repondeu:
- Basta caminhar de um lado para outro, até que tuas pernas fiquem pesadas., depois deita-te e o veneno agirá.-Ao mesmo tempo estendeu a taça a Sócrates, (..) que segurou-a (…)
E então levando a taça aos lábios, bebeu rápida e decididamente o veneno.
Até aquele instante a maioria de nós conseguira segurar a dor; mas agora, vendo-o beber e vendo, também que ele tomara toda a bebida, não pudemos mais nos conter; apesar de meus esforços, lágrimas corriam aos borbotões. (…) Apolodoro, que estivera soluçando o tempo todo, irrompeu num choro alto que transformou-nos a todos em covardes. (…)
E então, o próprio Sócrates apalpou as pernas e disse:
-Quando chegar ao coração, será o fim.- (…) e disse aquelas que seriam as suas últimas palavras:
- Críton, eu devo um galo a Esculápio, vais lembrar de pagar a dívida?
-A dívida será paga – disse Críton. (…)
Foi esse o fim de nosso amigo, a quem posso chamar sinceramente de o mais sábio, mais justo e melhor de todos que conheci. ”


Filosofia

Método socrático
O método socrático consiste numa prática muito famosa de Sócrates, o filósofo, em que, utilizando um discurso caracterizado pela maiêutica (levar ou induzir uma pessoa, por ela própria, ou seja, por seu próprio raciocínio, ao conhecimento ou à solução de sua dúvida) e pela ironia, levava o seu interlocutor a entrar em contradição, tentando depois levá-lo a chegar à conclusão de que o seu conhecimento é limitado.

É atribuído a Sócrates, o grande filósofo grego do século V a.C., devido ao seu uso constante, registrado nos livros de Platão.

O método socrático é uma abordagem para geração e validação de idéias e conceitos baseada em perguntas, respostas e mais perguntas.

Também conhecido como Maiêutica: "É o método que consiste em parir idéias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de um contexto."
Idéias filosóficas
As crenças de Sócrates, em comparação às de Platão, são difíceis de discernir. Há poucas diferenças entre as duas idéias filosóficas. Conseqüentemente, diferenciar as crenças filosóficas de Sócrates, Platão e Xenofonte é uma tarefa difícil e deve-se sempre lembrar que o que é atribuído a Sócrates pode refletir o pensamento dos outros autores.

Se algo pode ser dito sobre as idéias de Sócrates, é que ele foi moralmente, intelectualmente e filosoficamente diferente de seus contemporâneos atenienses. Quando estava sendo julgado por heresia e por corromper a juventude, usou seu método de elenchos para demonstrar as crenças errôneas de seus julgadores. Sócrates acredita na imortalidade da alma e que teria recebido, em um certo momento de sua vida, uma missão especial do deus Apolo Apologia, a defesa do logos apolíneo "conhece-te a ti mesmo".

Sócrates também duvidava da idéia sofista de que a arete (virtude) podia ser ensinada. Acreditava que a excelência moral é uma questão de inspiração e não de parentesco, pois pais moralmente perfeitos não tinham filhos semelhantes a eles. Isso talvez tenha sido a causa de não ter se importado muito com o futuro de seus próprios filhos. Sócrates freqüentemente diz que suas idéias não são próprias, mas de seus mestres, entre eles Pródico e Anaxágoras de Clazômenas .


Amor
No Simpósio, de Platão, Sócrates revela que foi a sacerdotisa Diotima de Mantinea que o iniciou nos conhecimentos e na genealogia do amor. As idéias de Diotima estão na origem do conceito socrático-platônico do amor.


Conhecimento
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os atos errados eram conseqüências da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio. A intenção de Sócrates era levar as pessoas a se sentirem ignorantes de tanto perguntar, problematização sobre conceitos que as pessoas tinham dogmas, verdades. De tanto questionar, principalmente os sábios, começou arrebanhar inimigos.


Virtude
Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas.


Política
Diz-se que Sócrates acreditava que as idéias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam entender, fazendo com que o filósofo se tornasse o perfeito governante para um Estado. Se opunha à democracia aristocrática que era praticada em Atenas durante sua época,essa mesma idéia surge nas Leis, em Platão e Sócrates não deixou nenhum escrito,nem ao menos sobre política.Tudo que sabemos sobre seus pensamento está na obra de Platão, seu discípulo.


Ruptura e Legado
Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na história da Filosofia grega, por isso ela passou a considerar os filósofos entre pré-socráticos e pós-socráticos. Os sofistas, grupo de filósofos (embora seja negado por Platão) originários de várias cidades, viajavam pelas pólis, onde discursavam em público e ensinavam suas artes, como a retórica, em troca de pagamento. Sócrates se assemelhava exteriormente a eles, exceto no pensamento. Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas.

Sua pobreza era prova de que não era um sofista. Para os sofistas tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do homem e da forma como este vê a realidade social(subjetividade). Isso significa que, segundo essa corrente de pensamento, as regras morais, as posições políticas e os relacionamentos sociais deveriam ser guiados conforme a conveniência individual. Para este fim qualquer pessoa poderia se valer de um discurso convicente, mesmo que falso ou sem conteúdo. Os sofistas usavam, de fato, complicados jogos de palavras, no discurso para demonstrar a verdade daquilo que se pretendia alcançar, este tipo de argumento ganhou o nome de sofisma.

Em resumo, a sofística destruía os fundamentos de todo conhecimento, já que tudo seria relativo (relativismo) e os valores seriam subjetivos, assim como impedia o estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis. Tanto quanto os sofistas, Sócrates abandonou a preocupação em explicar e se concentrou no problema do homem. No entanto, contrariamente aos sofistas, Sócrates travou uma polêmica profunda com estes, pois procurava um fundamento último para as interrogações humanas ( O que é o bem? O que é a virtude? O que é a justiça?), enquanto os sofistas situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, o sensório imediato, sem se preocupar com a investigação de um essência da virtude, da justiça do bem etc., a partir da qual a própria realidade empírica pudesse ser avaliada.

Os filósofos Pré-Socráticos foram:
  • Tales de Mileto
  • Anaximandro
  • Pitágoras
  • Xenófanes
  • Parmênides
  • Heráclito
  • Empédocles
  • Anaxágoras
  • Leucipo
  • Demócrito
Referências
1. Socrates. 1911 Encyclopaedia Britannica (1911). Página visitada em 14-11-2007.

Bibliografia
COTRIM, Gilberto. Fundamento da Filosofia, 2000;
CHALITA, Ga briel. Vivendo a Filosofia, 2005;
GUTHRIE, William K. C.. Socrates. Cambridge: University Press, 1994;
MAGALHÃES-VILHENA, V. de. O problema de Sócrates. O Sócrates histórico e o Sócrates platônico. Lisboa: Gulbenkian, 1984;
MOSSÉ, Claude. O processo de Sócrates. Tradução de Arnaldo Marques. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987;
SPINELLI, Miguel. Questões Fundamentais da Filosofia Grega. São Paulo: Loyola, 2006, pp.45-186;
WOLFF, Francis. Socrate. Paris: Presses Universitaires de France, 2000
Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sócrates



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Nome completo
Sócrates (Σωκράτης)
Escola/Tradição:
Data de nascimento:
c. 469 / 470 a.C.
* Local:
Data de falecimento
Principais interesses:
Influênciado por:
Influências:
Sócrates (em grego antigo: Σωκράτης, transl. Sōkrátēs469399 a.C.[1]) foi um filósofoateniense, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental. As fontes mais importantes de informações sobre Sócrates são PlatãoXenofonte e Aristóteles (Alguns historiadores afirmam só se poder falar de Sócrates como um personagem de Platão, por ele nunca ter deixado nada escrito de sua própria autoria.). Os diálogos de Platão retratam Sócrates como mestre que se recusa a ter discípulos, e um homem piedoso que foi executado por impiedade. Sócrates não valorizava os prazeres dos sentidos, todavia se escalava o belo entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo. Dedicava-se ao parto das idéias (Maiêutica) dos cidadãos de Atenas, mas era indiferente em relação a seus próprios filhos.
O julgamento e a execução de Sócrates são eventos centrais da obra de Platão (Apologia eCríton). Sócrates admitiu que poderia ter evitado sua condenação (beber o veneno chamadocicuta) se tivesse desistido da vida justa. Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos. A razão para sua cooperação com a justiça da pólis e com seus próprios valores mostra uma valiosa faceta de sua filosofia, em especial aquela que é descrita nos diálogos com Críton.

Vida
Detalhes sobre a vida de Sócrates derivam de três fontes contemporâneas: os diálogos dePlatão, as peças de Aristófanes e os diálogos de Xenofonte. Não há evidência de que Sócrates tenha ele mesmo publicado alguma obra. As obras de Aristófanes retratam Sócrates como um personagem cômico e sua representação não deve ser levada ao pé da letra.
Sócrates casou-se com Xântipe, que era bem mais jovem que ele, e teve três filhos: Lamprocles, Sophroniscus e Menexenus. Seu amigo Críton criticou-o por ter abandonado seus filhos quando ele se recusou a tentar escapar antes de sua execução, mostrando que ele (assim como seus outros discípulos), parece não ter entendido a mensagem que Sócrates tenta passar sobre a morte (diálogo Fédon), antes de ser executado.
Não se sabe ao certo qual o trabalho de Sócrates, se é que ele teve outro além da Filosofia. De acordo com algumas fontes, Sócrates aprendeu a profissão de oleiro com seu pai. Na obra de Xenofonte, Sócrates aparece declarando que se dedicava àquilo que ele considerava a arte ou ocupação mais importante: maiêutica, o parto das idéias. A maiêutica socrática funcionava a partir de dois momentos essenciais: um primeiro em que Sócrates levava os seus interlocutores a pôr em causa as suas próprias concepções e teorias acerca de algum assunto; e um segundo momento em que conduzia os interlocutores a uma nova perspectiva acerca do tema em abordagem. Daí que a maiêutica consistisse num autêntico parto de ideias pois, mediante o questionamento dos seus interlocutores, Sócrates levava-os a colocar em causa os seus "preconceitos" acerca de determinado assunto, conduzindo-os a novas ideias acerca do tema em discussão.
Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza era prova de que não era um sofista.
Várias fontes, inclusive os diálogos de Platão, mencionam que Sócrates tinha servido ao exército em várias batalhas. Na Apologia, Sócrates compara seu período no serviço militar a seus problemas no tribunal, e diz que qualquer pessoa no júri que imagine que ele deveria se retirar da filosofia deveria também imaginar que os soldados devessem bater em retirada quando era provável que pudessem morrer em uma batalha.
Algumas curiosidades: Sócrates costumava caminhar descalço e não tinha o hábito de tomar banho. Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse fazendo, ficando imóvel por horas, meditando sobre algum problema. Certa vez o fez descalço sobre a neve, segundo os escritos de Platão, o que demonstra o caráter lendário da figura Socrática. Cláudio Elianolista Sócrates como um dos grandes homens que gostavam de brincar com crianças: uma vez, Alcibíades surpreendeu Sócrates brincando com seu filho Lamprocles.
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Filosofia
As crenças de Sócrates, em comparação às de Platão, são difíceis de discernir. Há poucas diferenças entre as duas ideias filosóficas. Consequentemente, diferenciar as crenças filosóficas de Sócrates, Platão e Xenofonte é uma tarefa difícil e deve-se sempre lembrar que o que é atribuído a Sócrates pode refletir o pensamento dos outros autores.
Se algo pode ser dito sobre as ideias de Sócrates, é que ele foi moralmente, intelectualmente e filosoficamente diferente de seus contemporâneos atenienses. Quando estava sendo julgado por heresia e por corromper a juventude, usou seu método de elenchos para demonstrar as crenças errôneas de seus julgadores. Sócrates acredita na imortalidade da alma e que teria recebido, em um certo momento de sua vida, uma missão especial do deus Apolo Apologia, a defesa do logos apolíneo "conhece-te a ti mesmo".
Sócrates também duvidava da ideia sofista de que a arete (virtude) podia ser ensinada para as pessoas. Acreditava que a excelência moral é uma questão de inspiração e não de parentesco, pois pais moralmente perfeitos não tinham filhos semelhantes a eles. Isso talvez tenha sido a causa de não ter se importado muito com o futuro de seus próprios filhos. Sócrates frequentemente diz que suas ideias não são próprias, mas de seus mestres, entre eles Pródico e Anaxágoras de Clazômenas .
Amor
No Simpósio, de Platão, Sócrates revela que foi a sacerdotisa Diotima de Mantinea que o iniciou nos conhecimentos e na genealogia do amor. As idéias de Diotima estão na origem do conceito socrático-platônico do amor.
Conhecimento
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os atos errados eram consequências da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio. A intenção de Sócrates era levar as pessoas a se sentirem ignorantes de tanto perguntar, problematização sobre conceitos que as pessoas tinham dogmas, verdades. De tanto questionar, principalmente os sábios, começou a arrebanhar inimigos.
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Busto de Sócrates no Museu do Vaticano.
Virtude
Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas.
Política
Diz-se que Sócrates acreditava que as idéias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam entender, fazendo com que o filósofo se tornasse o perfeito governante para um Estado. Se opunha à democracia aristocrática que era praticada em Atenas durante sua época,essa mesma ideia surge nas Leis de Platão, seu discípulo. Sócrates acreditava que ao se relacionar com os membros de um parlamento a própria pessoa estaria-se fazendo de hipócrita.
Ruptura e legado
Sócrates provocou uma ruptura sem precendentes na história da Filosofia grega, por isso ela passou a considerar os filósofos entre pré-socráticos e pós-socráticos. Os sofistas, grupo de filósofos (título negado por Platão) originários de várias cidades, viajavam pelas pólis, onde discursavam em público e ensinavam suas artes, como a retórica, em troca de pagamento. Sócrates se assemelhava exteriormente a eles, exceto no pensamento. Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza era prova de que não era umsofista. Para os sofistas tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do homem e da forma como este vê a realidade social, segundo a máxima de Protágoras :"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.". Isso significa que, segundo essa corrente de pensamento, as regras morais, as posições políticas e os relacionamentos sociais deveriam ser guiados conforme a conveniência individual. Para este fim qualquer pessoa poderia se valer de um discurso convincente, mesmo que falso ou sem conteúdo. Os sofistas usavam, de fato, complicados jogos de palavras, no discurso para demonstrar a verdade daquilo que se pretendia alcançar, este tipo de argumento ganhou o nome de sofisma. Em resumo, a sofística destruia os fundamentos de todo conhecimento, já que tudo seria relativo (relativismo) e os valoresseriam subjetivos, assim como impedia o estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis. Tanto quanto os sofistas, Sócrates abandonou a preocupação em explicar e se concentrou no problema do homem. No entanto, contrariamente aos sofistas, Sócrates travou uma polêmica profunda com estes, pois procurava um fundamento último para as interrogações humanas ( O que é o bem? O que é a virtude? O que é a justiça?), enquanto os sofistas situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, o sensório imediato, sem se preocupar com a investigação de uma essência da virtude, da justiça do bem etc., a partir da qual a própria realidade empírica pudesse ser avaliada.

Referências
  1.  Socrates. 1911 Encyclopaedia Britannica (1911). Página visitada em 14-11-2007.
  2.  ElianoVaria Historia, Livro XII, Capítulo XV, De certas pessoas excepcionais que gostavam de brincar com crianças
  3.  Nova Escola: Sócrates, o mestre em busca da verdade.

Bibliografia
  • COTRIM, Gilberto. Fundamento da Filosofia, 2000;
  • CHALITA, Gabriel. Vivendo a Filosofia, 2005;
  • GUTHRIE, William K. C.. SocratesCambridge: University Press, 1994;
  • MAGALHÃES-VILHENA, V. de. O problema de Sócrates. O Sócrates histórico e o Sócrates platônico. Lisboa: Gulbenkian, 1984;
  • MOSSÉ, Claude. O processo de Sócrates. Tradução de Arnaldo Marques. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987;
  • SPINELLI, Miguel. Questões Fundamentais da Filosofia Grega. São Paulo: Loyola, 2006, pp. 45–186;
  • WOLFF, Francis. Socrate. Paris: Presses Universitaires de France, 2000.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre