segunda-feira, 11 de maio de 2026

Alcione: A Voz Marrom que Ecoa no Coração do Samba Brasileiro

 

Alcione
OMC
Alcione em 2025.
Nome completoAlcione Dias Nazareth
Pseudônimo(s)
  • Alcione Marrom
  • Marrom
  • Dama do Samba
  • A Voz do Samba
Nascimento
21 de novembro de 1947 (78 anos)

ResidênciaRio de JaneiroRJ
Nacionalidadebrasileira
Ocupação
Período de atividade1971–presente
Prêmioslista completa
Carreira musical
Gênero(s)
Extensão vocalcontralto coloratura
Instrumento(s)
Gravadora(s)
Religiãoespírita
Websitewww.alcioneamarrom.com
Assinatura

Alcione Dias Nazareth OMC (São Luís21 de novembro de 1947), também conhecida pela alcunha Marrom, é uma cantoracompositora e multi-instrumentista brasileira. Uma das mais notórias sambistas do país, a cantora recebeu a alcunha de "Dama do Samba" e "A Voz do Samba". Com trinta álbuns de estúdio e nove ao vivo, vendeu 8 milhões de cópias de discos em todo o mundo.[2][3]

Biografia

Alcione Dias Nazareth nasceu em São LuísMaranhão, no dia 21 de novembro de 1947.[4] O nome de batismo foi ideia do pai, inspirado na personagem Alcíone, a protagonista do romance espírita Renúnciapsicografado por Chico Xavier. Ela é a quarta de nove irmãos: Wilson, João Carlos, Ubiratan, Alcione, Ribamar, Jofel, Ivone, Maria Helena e Solange. Alcione tem mais nove irmãos que seu pai teve com outras mulheres. Sua mãe chegou a amamentar algumas dessas crianças, por considerar que as crianças não poderiam ser culpadas pelas traições do marido.[5]

Desde pequena foi inserida no meio musical maranhense, graças ao pai policial e integrante da banda de sua corporação, João Carlos Dias Nazareth. Alcione fez sua primeira apresentação aos nove anos na Rádio Difusora de São Luís.[6] O pai foi mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão e professor de música. Além disso, foi compositor e entusiasta do bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense.[7] Foi ele quem a ensinou, ainda cedo, a tocar diversos instrumentos de sopro, como o trompete e o clarinete que começou a praticar aos nove anos.[8]

Com essa idade, tocava e cantava em festas de amigos e familiares, e na Queimação de Palhinha da festa do Divino Espírito Santo. Sua mãe, Filipa Teles Rodrigues, entretanto, guardava o desejo de que a filha aprendesse a tocar acordeão ou piano. Não queria que Alcione aprendesse a tocar instrumentos de sopro, temendo que a filha ficasse tuberculosa, crendice comum à época.[9]

Sua primeira apresentação profissional foi aos 17 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida por seu pai. Certa noite, o crooner da orquestra ficou rouco e foi substituído pela menina. Na ocasião, cantou a canção "Pombinha Branca" e o fado "Ai, Mouraria". O apelido Marrom, dado pelos integrantes da orquestra de seu pai, surgiu nessa época.[10]

Alcione afirmou que seu pai era "bom homem" e incentivava as filhas a serem independentes desde muito cedo, a nunca obedecerem homem nenhum, além de lhes ensinar valores morais rígidos.[5] Aos 18 anos formou-se como professora primária na Escola de Curso Normal. Lecionou por dois anos, quando foi demitida aos 20 anos, por ensinar a seus alunos como se tocava trompete, que seu pai lhe ensinou quando pequena, querendo passar o aprendizado que recebeu, mas isso não agradou a direção da escola, que era muito rígida à época.[5]

Alcione, 1970. Arquivo Nacional

Após a demissão, continuou a dedicar-se à música, e dessa vez de forma mais intensa e exclusiva.[11] Conseguiu uma vaga em um sorteio e apresentou-se na TV do Maranhão, onde passou a se apresentar regularmente, apresentando-se lá nos anos 1960.[12] Além de cantar na TV, também cantava em bares e boates em várias cidades do Maranhão. Querendo alcançar rumos maiores, Alcione mudou-se para o Rio de Janeiro em 1967[13].

Não conhecia nada no Rio e quem a ajudou a se estabelecer foi seu amigo, o cantor Everaldo. Com ajuda dele também, Alcione começou cantando na noite, ocasião em que Everaldo lhe apresentou as boates e bares da cidade. Ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana. Cantou também em boates como Barroco, Bacarat, Holiday e Bolero.[14][15]

Começou a se inscrever em programas de calouros, e foi sendo chamada para se apresentar. Venceu as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti.[16] Nessa mesma época, conheceu a famosa TV Excelsior. Inscreveu-se e conseguiu fazer um teste de voz, e passou com boa colocação. Assinou o primeiro contrato profissional com essa TV, apresentando-se no programa Sendas do Sucesso. Depois de seis meses na emissora, realizou turnê por quatro meses pela América Latina, sendo a primeira vez que saiu do Brasil. Após ter feito excursão também por países da América do Sul, recebeu proposta de turnê na Itália, e assim morou na Europa por dois anos. Voltou ao Brasil em 1972.[carece de fontes]

Em 2007 Alcione interpretou a cantora americana Lady Brown, na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, na TV Globo.[17]

Em 2015, canta "Juízo Final" na abertura da novela da TV GloboA Regra do Jogo.[18]

Carnaval

Alcione durante desfile da Mocidade Alegre em 2018, quando foi homenageada pela escola

Alcione visitou a quadra da Estação Primeira de Mangueira pela primeira vez em 1974 e logo foi convidada a desfilar. Na concentração, a ausência de um destaque levou a bela estreante ao alto de um carro alegórico. Desde então, a cantora é membro destacado da escola.[19] Em 1987, participou da fundação da escola de samba mirim Mangueira do Amanhã, e hoje é presidente de honra do grupo.[20]

Em 1989 foi homenageada pela escola de samba Independentes de Cordovil, no então chamado grupo 2, a segunda divisão do Carnaval carioca, com o enredo "Marrom som Brasil".[21] Posteriormente, em 1994 foi novamente homenageada pela tradicional Unidos da Ponte, desta vez no grupo especial do Carnaval carioca, como enredo "Marrom da cor do samba".[22] Em 2018, a tradicional escola de samba de São PauloMocidade Alegre, homenageou os 70 anos de vida e os 45 anos de carreira de Alcione, com o enredo "A voz marrom que não deixa o samba morrer".[23]

Alcione já interpretou sambas de exaltação às escolas de samba: MangueiraMocidade IndependenteImperatriz LeopoldinenseUnião da Ilha do GovernadorBeija-flor de Nilópolis e Portela.[24]

Alcione no desfile da Mangueira de 2024 em sua homenagem

A Mangueira, escola do coração de Alcione, homenageou a cantora no carnaval de 2024 como enredo "A Negra Voz do Amanhã". Era um desejo antigo da comunidade, ainda não realizado por inúmeras negativas da própria Marrom.[25]

"Meu careca"

A relação entre a cantora Alcione e o ministro Alexandre de Moraes ganhou destaque na mídia devido a declarações públicas da artista sobre sua admiração pelo magistrado. Alcione expressou publicamente sua admiração por Alexandre de Moraes em diversas ocasiões, inclusive durante shows.[26]

Em uma dessas ocasiões, a cantora chegou a dizer que, se tivesse conhecido o ministro antes, teria se casado com ele. Ao término da declaração ela cantou a música "Faz uma Loucura por Mim".[27]

Alcione já se referiu a Alexandre de Moraes como "meu careca", durante um show em Brasília, demonstrando um certo tom de intimidade. A declaração foi feita enquanto a cantora puxava o coro para o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).[28]

As declarações de Alcione geraram grande repercussão nas redes sociais e na mídia, com diversos comentários e reações do público.[29]

"Adoro nosso ministro Alexandre de Moraes. Sempre falei para a minha irmã que, se tivesse conhecido ele há mais tempo, eu tinha casado com ele."

Alcione

Vida pessoal

Alcione nunca se casou oficialmente, apenas manteve relacionamentos estáveis. Em entrevistas afirmou que não quer mais dividir a mesma casa com um companheiro, informando que até os dias atuais ainda namora e sai com os homens que lhe despertam interesse.[5] Ao decidir ter um filho, descobriu que não poderia ser mãe devido a endometriose e a SOP. Tentou tratamentos laboratoriais, como inseminação, além de operações espirituais, mas não obteve êxito em nenhuma tentativa.[30][verificar]

Devido a um tumor na laringe, desenvolveu uma paralisia nas cordas vocais, e a medicina informou que só poderia cantar por mais um ano. Para tentar reverter o quadro, operou espiritualmente em um centro kardecista com Dr. Fritz, uma entidade espiritual. Após operar-se, seguiu o ritual, e ficou calada por três dias. Surpreendendo os médicos, Alcione se curou e pôde continuar a cantar sem restrições, como sempre fez. A partir deste milagre, parou de consumir álcool e devido a cura de sua garganta, converteu-se ao espiritismo. Em entrevistas revelou ter sido criada no catolicismo e que nunca fumou, e que nunca pensou em mudar de religião até obter seu milagre de cura.[30][verificar]

Em entrevistas disse que todos os dias ora agradecendo a Deus pelo dom de cantar, já que nunca fez aula de canto.[31]

Discografia

  • A Voz do Samba (1975)
  • Morte de Um Poeta (1976)
  • Pra Que Chorar (1977)
  • Alerta Geral (1978)
  • Gostoso Veneno (1979)
  • E Vamos à Luta (1980)
  • Alcione (1981)
  • Dez Anos Depois (1982)
  • Vamos Arrepiar (1982)
  • Almas e Corações (1983)
  • Da cor do Brasil (1984)
  • Fogo da Vida (1985)
  • Fruto e Raiz (1986)
  • Nosso Nome: Resistência (1987)
  • Ouro & Cobre (1988)
  • Simplesmente Marrom (1989)
  • Emoções Reais (1990)
  • Promessa (1991)
  • Pulsa, Coração (1992)
  • Brasil de Oliveira da Silva do Samba (1994)
  • Profissão: Cantora (1995)
  • Tempo de Guarnicê (1996)
  • Celebração (1998)
  • Claridade (1999)
  • A Paixão tem Memória (2001)
  • Faz Uma Loucura por Mim (2004)
  • Uma Nova Paixão (2005)
  • De Tudo Que eu Gosto (2007)
  • Acesa (2009)
  • Eterna Alegria (2013)
  • Tijolo por Tijolo (2020)

Filmografia

AnoTítuloPapelEmissoraNotasRef.
1979–1981Alerta GeralApresentadoraTV Globo
1997Por AmorEla mesma
2001O Clone
2007Amazônia, de Galvez a Chico MendesLady Brown
2011Zorra TotalEla mesma
2012Cheias de Charme
2013Salve Jorge
2015Mister BrauTia Marizilda
2017A Força do QuererEla mesma
2023Travessia
2024Tô Nessa[32]
2025Garota do MomentoNazaré DiasEpisódio: "25 de junho"[33]

Prêmios e indicações

AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2000Melhor Álbum de Samba/PagodeClaridadeNomeado
2003Ao VivoVenceu
2006Uma Nova Paixão - Ao VivoNomeado
2010AcesaNomeado
2012Duas Faces: Ao Vivo na MangueiraNomeado
2015Eterna Alegria - Ao VivoNomeado
AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2003Melhor Cantora de SambaAlcioneVenceu
2004Melhor Cantora de SambaVenceu
2005Melhor Cantora de SambaVenceu
2010Melhor Cantora de Samba[34]Venceu
2011Melhor Cantora de Samba[34]Venceu
2012Melhor Álbum (Canção Popular)[34]"Duas Faces - Jam Session"Venceu
2012Melhor Cantora (Canção Popular)AlcioneVenceu
2013Melhor Cantora de Samba[34]Venceu
2014Melhor Cantora de Samba[35]Venceu
2015Melhor Cantora de Samba[36]Venceu
2018Melhor Cantora[37]Venceu
AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2012Melhor Álbum de SambaDuas Faces: Ao Vivo na MangueiraNomeado
Melhor CantoraAlcioneNomeado
2013Melhor Álbum de SambaEterna AlegriaNomeado
Melhor CantoraAlcioneNomeado
2014Nomeado

Press Awards

AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2006Lifetime Achievement AwardAlcioneVenceu

Academie Arts Sciences Lettres

AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2006Medalha de OuroAlcioneVenceu

Prêmios da Fundação Luso-Brasileira

AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2006HomenagemAlcioneVenceu
AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2003Melhor CantoraAlcioneNomeado

Women's Music Events Awards

AnoCategoriaIndicaçãoResultado
2020HomenagemAlcioneVenceu[38]

Referências

  1. Rafael Teixeira (4 de dezembro de 2009). «Alcione mistura samba, bossa nova e Rita Lee em lançamento de CD, no Canecão». O Globo
  2. «Alcione canta em Goiânia nesta sexta». E mais Goiás. Consultado em 24 de maio de 2020Cópia arquivada em 12 de junho de 2021
  3. Sambando.com (1 de dezembro de 2024). «Alcione Marrom - contato, shows, contratar show, samba, artistas, corporativo | Sambando.com». Consultado em 20 de dezembro de 2024Cópia arquivada em 6 de maio de 2021
  4. Borges, Guilherme da Silva (2021). «Geografias maranhenses na discografia de Alcione». Consultado em 25 de novembro de 2025
  5.  «Alcione revela que foi demitida aos 20 anos, tem nove irmãos bastardos e é amiga dos ex-maridos»Extra Online. 16 de abril de 2012. Consultado em 16 de abril de 2025Cópia arquivada em 14 de abril de 2025
  6. Cultural, Instituto Itaú. «Alcione»Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 22 de novembro de 2025
  7. Bessa, Waldemberg Araújo; Luziane de Sousa Feitosa (27 de julho de 2023). «O DIÁLOGO POÉTICO E CULTURAL ENCONTRADO NA INTERPRETAÇÃO DE ALCIONE NA MÚSICA MARANHÃO, MEU TESOURO MEU TORRÃO, TOADA DE BUMBA MEU BOI»REVISTA FOCO (7). ISSN 1981-223X. Consultado em 25 de novembro de 2025
  8. Novabrasil (22 de maio de 2023). «14 curiosidades sobre a vida e carreira de Alcione»Novabrasil. Consultado em 22 de novembro de 2025
  9. «Asmática na infância, música curou Alcione: "Minha mãe achou que eu pioraria"»www.band.com.br. 4 de abril de 2022. Consultado em 22 de novembro de 2025
  10. «Qual o nome da Alcione?»treinamento24.com. Consultado em 19 de janeiro de 2022Cópia arquivada em 20 de maio de 2023
  11. Xavier, Ana Clara Naletto (2025). «As negociações de Alcione com a indústria cultural : uma cantora romântica em início de carreira». Consultado em 25 de novembro de 2025
  12. Xavier, Ana Clara Naletto (2024). «Alcione e a indústria fonográfica : uma análise interseccional». Consultado em 25 de novembro de 2025
  13. «Alcione»Itaú CulturalCópia arquivada em 25 de março de 2025
  14. Usuário. «Alcione: 75 anos de uma voz vitoriosa»Itaú Cultural. Consultado em 22 de novembro de 2025
  15. «Alcione»Dicionário Cravo Albin. Consultado em 22 de novembro de 2025
  16. Stelzer, Manuela (3 de junho de 2022). «A voz do samba»Gama Revista. Consultado em 22 de novembro de 2025
  17. «Bastidores - NOTÍCIAS - Alcione como você nunca viu»amazonia.globo.com. Consultado em 16 de abril de 2025Cópia arquivada em 20 de novembro de 2008
  18. «Abertura de 'A Regra do Jogo' tem música de Alcione e batalha de xadrez épica em 3D». Consultado em 25 de setembro de 2016Cópia arquivada em 23 de setembro de 2015
  19. Moraes, Pedro (23 de fevereiro de 2017). «Alcione declara seu amor pela Mangueira». Veja Rio. Cópia arquivada em 25 de fevereiro de 2017
  20. «Mangueira do Amanhã in: Instituto Mangueira do Futuro»Cópia arquivada em 26 de julho de 2014
  21. «Galeria do Samba: Independentes de Cordovil 1989»
  22. «Galeria do Samba: Unidos da Ponte 1994»Cópia arquivada em 24 de setembro de 2015
  23. «Mocidade Alegre aposta na força de Alcione e relembra repertório da cantora em desfile»G1. 11 de fevereiro de 2018. Consultado em 22 de novembro de 2025
  24. «Alcione, página oficial. Seção discografia»Cópia arquivada em 29 de janeiro de 2004
  25. «Alcione será homenageada pela Mangueira no Carnaval 2024». UOL. 13 de março de 2023. Cópia arquivada em 13 de março de 2023
  26. maisnovela. «É o que? Alcione revela desejo inusitado com Alexandre de Moraes»Terra. Consultado em 23 de abril de 2025Cópia arquivada em 2 de junho de 2025
  27. «Alcione diz em show que se casaria com o ministro Alexandre de Moraes»UOL. 24 de março de 2025. Consultado em 22 de novembro de 2025
  28. «A declaração rasgada de Alcione ao ministro Alexandre de Moraes - VEJA Gente»VEJA. Consultado em 23 de abril de 2025Cópia arquivada em 25 de março de 2025
  29. «Alcione afirma ser fã do ministro Alexandre de Moraes»www.otempo.com.br. Consultado em 23 de abril de 2025Cópia arquivada em 25 de março de 2025
  30.  «Alcione fala sobre sexo com Marília Gabriela: "Só transei com quem eu quis"»br.search.yahoo.com. Consultado em 16 de abril de 2025Cópia arquivada em 13 de agosto de 2012
  31. Marília Gabriela entrevista a cantora Alcione neste domingo[ligação inativa]
  32. pipocamoderna. «'Tô Nessa': Alcione, Lázaro Ramos e Supla vão estrelar nova série de comédia da TV Globo»Terra. Consultado em 19 de setembro de 2024Cópia arquivada em 19 de setembro de 2024
  33. Salgueiro, Monique (25 de junho de 2025). «Alcione comenta participação em Garota do Momento e admite: 'Sou noveleira'»gshowRio de Janeiro. Consultado em 5 de agosto de 2025
  34.  «Confira os ganhadores do Prêmio da Música Brasileira»Cópia arquivada em 2 de junho de 2025
  35. «Alcione ganha mais uma vez o Prêmio da Música Brasileira»Cópia arquivada em 27 de março de 2022
  36. «Veja os vencedores do 26º Prêmio da Música Brasileira»G1Grupo Globo. 11 de Junho de 2015. Consultado em 16 de Junho de 2015Cópia arquivada em 15 de junho de 2015
  37. «Alcione é a melhor cantora no Prêmio da Música Brasileira»Cópia arquivada em 27 de março de 2022
  38. «Alcione e Elis Regina são as grandes homenageadas do WME Awards 2020»Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2020
Alcione: A Voz Marrom que Ecoa no Coração do Samba Brasileiro
Alcione Dias Nazareth, carinhosamente conhecida como Marrom, Dama do Samba e A Voz do Samba, nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 21 de novembro de 1947. Com uma trajetória que atravessa mais de cinco décadas de dedição à música popular brasileira, a cantora consolidou-se como uma das mais notórias sambistas do país, acumulando trinta álbuns de estúdio, nove registros ao vivo e a marca impressionante de oito milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
As Raízes Maranhenses e a Influência Familiar
O nome de batismo de Alcione foi uma escolha significativa de seu pai, João Carlos Dias Nazareth, inspirado na personagem Alcíone, protagonista do romance espírita "Renúncia", psicografado por Chico Xavier. Essa conexão com o espiritismo, ainda que indireta em seu nascimento, revelaria-se fundamental em momentos cruciais de sua vida adulta.
Alcione é a quarta de nove irmãos frutos do casamento de seus pais: Wilson, João Carlos, Ubiratan, Alcione, Ribamar, Jofel, Ivone, Maria Helena e Solange. Além desses, seu pai teve mais nove filhos com outras mulheres. Filipa Teles Rodrigues, mãe da cantora, demonstrava uma generosidade ímpar ao amamentar algumas dessas crianças, considerando que elas não poderiam ser culpadas pelas traições do marido.
Desde muito pequena, Alcione foi inserida no meio musical maranhense graças à influência paterna. João Carlos Dias Nazareth era policial e integrava a banda de sua corporação, atuando como mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão e professor de música. Além disso, era compositor e entusiasta do bumba-meu-boi, folguedo típico da capital maranhense. Foi ele quem ensinou à filha, ainda na infância, a tocar diversos instrumentos de sopro, como trompete e clarinete, que ela começou a praticar aos nove anos de idade.
Os Primeiros Passos na Música e o Surgimento do Apelido Marrom
Com apenas nove anos, Alcione fazia sua primeira apresentação na Rádio Difusora de São Luís. Nessa mesma época, tocava e cantava em festas de amigos e familiares, além de participar da Queimação de Palhinha da festa do Divino Espírito Santo, tradicional celebração maranhense.
Sua mãe, Filipa, guardava o desejo de que a filha aprendesse a tocar acordeão ou piano. Não queria que Alcione dominasse instrumentos de sopro, temendo que ela desenvolvesse tuberculose, uma crendice comum à época. Apesar das preocupações maternas, o talento da jovem floresceu sob a orientação paterna.
A primeira apresentação profissional de Alcione ocorreu aos 17 anos, na Orquestra Jazz Guarani, regida por seu pai. Em uma noite memorável, o crooner da orquestra ficou rouco e foi substituído pela jovem cantora. Na ocasião, ela interpretou a canção "Pombinha Branca" e o fado "Ai, Mouraria", conquistando a plateia com sua voz ainda em formação.
Foi nessa época que surgiu o apelido Marrom, dado pelos integrantes da orquestra de seu pai. A denominação, que se tornaria marca registrada da artista, fazia referência à sua pele morena e à doçura de sua voz, características que a distinguiriam no cenário musical brasileiro.
Formação, Magistério e a Decisão pela Música
Aos 18 anos, Alcione formou-se como professora primária na Escola de Curso Normal. Lecionou por dois anos, período em que pôde exercer sua vocação para o ensino. Contudo, sua paixão pela música falou mais alto. Aos 20 anos, foi demitida da escola por ensinar aos alunos como se tocava trompete, técnica que seu pai lhe havia transmitido na infância. A direção da instituição, rígida e conservadora, não aprovou a iniciativa da jovem professora.
Após a demissão, Alcione decidiu dedicar-se à música de forma mais intensa e exclusiva. Conseguiu uma vaga em um sorteio e passou a apresentar-se na TV do Maranhão, onde se tornou presença regular durante os anos 1960. Além das apresentações televisivas, cantava em bares e boates em várias cidades do Maranhão, aprimorando sua técnica e ampliando seu repertório.
A Mudança para o Rio de Janeiro e a Consolidação da Carreira
Em 1967, buscando horizontes mais amplos para sua carreira, Alcione mudou-se para o Rio de Janeiro. Não conhecia nada na cidade maravilhosa, mas contou com a ajuda fundamental de seu amigo, o cantor Everaldo, que a auxiliou a se estabelecer na capital fluminense.
Com o apoio de Everaldo, Alcione começou a cantar na noite carioca, sendo apresentada às principais boates e bares da cidade. Ensaiava no Little Club, boate situada no conhecido Beco das Garrafas, reduto histórico do nascimento da bossa nova, em Copacabana. Também se apresentou em casas renomadas como Barroco, Bacarat, Holiday e Bolero, consolidando sua presença no circuito musical da época.
A cantora começou a inscrever-se em programas de calouros, sendo gradualmente chamada para se apresentar em diversas atrações. Venceu as duas primeiras eliminatórias do programa "A Grande Chance", de Flávio Cavalcanti, demonstrando seu potencial artístico para um público mais amplo.
Nessa mesma época, Alcione conheceu a famosa TV Excelsior. Inscreveu-se, realizou um teste de voz e foi aprovada com boa colocação. Assinou seu primeiro contrato profissional com a emissora, apresentando-se no programa "Sendas do Sucesso". Após seis meses na TV Excelsior, realizou uma turnê de quatro meses pela América Latina, marcando sua primeira saída do Brasil em carreira artística.
Após excursionar por países da América do Sul, recebeu uma proposta para realizar uma turnê na Itália. Assim, morou na Europa por dois anos, ampliando sua experiência internacional e enriquecendo sua bagagem cultural. Retornou ao Brasil em 1972, pronta para alçar voos ainda mais altos em sua carreira.
Presença na Televisão e Interpretações Marcantes
Alcione também marcou presença em produções televisivas brasileiras. Em 2007, interpretou a cantora americana Lady Brown na minissérie "Amazônia, de Galvez a Chico Mendes", exibida pela TV Globo, demonstrando sua versatilidade artística além dos palcos musicais.
Em 2015, sua voz ecoou na abertura da novela "A Regra do Jogo", da TV Globo, ao interpretar o clássico "Juízo Final", reforçando sua conexão com o grande público e com a dramaturgia nacional.
O Carnaval no Coração: Mangueira e Outras Escolas
A relação de Alcione com o Carnaval carioca é profunda e duradoura. A cantora visitou a quadra da Estação Primeira de Mangueira pela primeira vez em 1974 e logo foi convidada a desfilar. Na concentração, a ausência de um destaque levou a bela estreante ao alto de um carro alegórico. Desde então, a cantora tornou-se membro destacado da escola, participando ativamente de seus desfiles e celebrações.
Em 1987, Alcione participou da fundação da escola de samba mirim Mangueira do Amanhã, projeto voltado para a formação de novas gerações de sambistas. Hoje, ela é presidente de honra do grupo, mantendo vivo seu compromisso com a preservação e renovação do samba.
A cantora também foi homenageada por diversas escolas de samba ao longo de sua carreira. Em 1989, a Independentes de Cordovil, então no grupo 2 do Carnaval carioca, prestou-lhe homenagem com o enredo "Marrom som Brasil". Em 1994, foi novamente celebrada, desta vez pela tradicional Unidos da Ponte, no grupo especial, com o enredo "Marrom da cor do samba".
Em 2018, a Mocidade Alegre, tradicional escola de samba de São Paulo, homenageou os 70 anos de vida e os 45 anos de carreira de Alcione com o enredo "A voz marrom que não deixa o samba morrer", consolidando sua importância não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o país.
Alcione já interpretou sambas de exaltação a diversas escolas de samba, incluindo Mangueira, Mocidade Independente, Imperatriz Leopoldinense, União da Ilha do Governador, Beija-flor de Nilópolis e Portela, demonstrando seu carinho e respeito por todas as agremiações do samba brasileiro.
Em 2024, a Mangueira, escola do coração de Alcione, finalmente realizou o desejo antigo da comunidade ao homenagear a cantora com o enredo "A Negra Voz do Amanhã". Era uma celebração há muito esperada, ainda não concretizada anteriormente por inúmeras negativas da própria Marrom, que finalmente aceitou ser enredo de sua escola amada.
Declarações Públicas e Engajamento Político
Nos últimos anos, a relação entre Alcione e o ministro Alexandre de Moraes ganhou destaque na mídia devido a declarações públicas da artista sobre sua admiração pelo magistrado. Alcione expressou publicamente seu apreço por Alexandre de Moraes em diversas ocasiões, inclusive durante shows.
Em uma dessas ocasiões, a cantora chegou a dizer que, se tivesse conhecido o ministro antes, teria se casado com ele. Ao término da declaração, cantou a música "Faz uma Loucura por Mim", emocionando a plateia.
Alcione já se referiu a Alexandre de Moraes como "meu careca" durante um show em Brasília, demonstrando um certo tom de intimidade. A declaração foi feita enquanto a cantora puxava o coro para o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, evidenciando seu engajamento político e suas preferências partidárias.
As declarações de Alcione geraram grande repercussão nas redes sociais e na mídia, com diversos comentários e reações do público. Em suas próprias palavras: "Adoro nosso ministro Alexandre de Moraes. Sempre falei para a minha irmã que, se tivesse conhecido ele há mais tempo, eu tinha casado com ele."
Vida Pessoal: Amor, Espiritualidade e Superação
Alcione nunca se casou oficialmente, mantendo ao longo da vida relacionamentos estáveis. Em entrevistas, afirmou que não quer mais dividir a mesma casa com um companheiro, informando que até os dias atuais ainda namora e sai com os homens que lhe despertam interesse.
Ao decidir ter um filho, descobriu que não poderia ser mãe devido a endometriose e à síndrome dos ovários policísticos (SOP). Tentou tratamentos laboratoriais, como inseminação, além de operações espirituais, mas não obteve êxito em nenhuma tentativa. A maternidade biográfica, contudo, foi substituída pelo carinho que dedica aos afilhados, amigos e ao público que a celebra como figura materna do samba.
Um dos momentos mais marcantes de sua vida pessoal ocorreu quando desenvolveu uma paralisia nas cordas vocais devido a um tumor na laringe. A medicina informou que ela só poderia cantar por mais um ano. Para tentar reverter o quadro, operou espiritualmente em um centro kardecista com Dr. Fritz, uma entidade espiritual. Após a operação, seguiu o ritual e ficou calada por três dias.
Surpreendendo os médicos, Alcione se curou e pôde continuar a cantar sem restrições, como sempre fez. A partir desse milagre, parou de consumir álcool e, devido à cura de sua garganta, converteu-se ao espiritismo. Em entrevistas, revelou ter sido criada no catolicismo e que nunca fumou, e que nunca pensou em mudar de religião até obter seu milagre de cura.
Alcione afirmou que seu pai era "bom homem" e incentivava as filhas a serem independentes desde muito cedo, a nunca obedecerem homem nenhum, além de lhes ensinar valores morais rígidos. Essa formação influenciou profundamente sua postura diante da vida e da carreira.
Em entrevistas, a cantora disse que todos os dias ora agradecendo a Deus pelo dom de cantar, já que nunca fez aula de canto. Sua voz, moldada pela experiência, pela fé e pela paixão pelo samba, continua a ecoar nos corações dos brasileiros, consolidando Alcione como uma das maiores embaixadoras da cultura popular do país.

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