quarta-feira, 6 de maio de 2026

Leci Brandão: A Voz do Samba, a Força da Política e o Legado de uma Pioneira Brasileira

 

Leci Brandão
Brandão em 2023.
Informações gerais
Nome completoLeci Brandão da Silva
Nascimento12 de setembro de 1944 (81 anos)
Rio de JaneiroBrasil
Nacionalidadebrasileira
Gênero(s)samba
Ocupaçãocantora · compositora · política · atriz
Instrumento(s)vocal · pandeiro · tantan
Período em atividade1970–presente
Leci Brandão
Deputada Estadual de São Paulo
Período15 de março de 2011
até atualidade
Dados pessoais
Nome completoLeci Brandão da Silva
Nascimento12 de setembro de 1944 (81 anos)
Rio de JaneiroRio de JaneiroBrasil
PartidoPDC (1985)[1]
PCdoB (2010-presente)
Profissãocantora  · compositora  · política
Websitedeputadalecibrandao.com.br

Leci Brandão da Silva OMC, mais conhecida como Leci Brandão (Rio de Janeiro12 de setembro de 1944) é uma cantora, compositora, atriz e política brasileira. Ela é filiada ao PCdoB. Atualmente, exerce mandato de deputada estadual pelo estado de São Paulo. Umas das mais importantes intérpretes de samba da história.[2]

Biografia

Começou sua carreira no início da década de 1970, tornando-se a primeira mulher a participar da ala de compositores da Mangueira.[3]

Ao longo de sua carreira, Leci gravou 13 LPs, 8 CDs, 2 DVDs e 3 compactos, um total de 26 obras.[4] Participou do Festival MPB-Shell promovido pela Rede Globo, em 1980, com a música "Essa Tal Criatura". Em 1985, gravou "Isso É Fundo de Quintal". Em 1989 carioca Leci Brandão obteve disco de ouro com o Axé music pelo sucesso da música Olodum, Força Divina composição de Tonho Matéria. Em 1995, foi a intérprete do samba-enredo da Acadêmicos de Santa Cruz durante o carnaval.[5] Atuou na telenovela Xica da Silva como a líder quilombola Severina. Escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Walter Avancini, a telenovela foi exibida pela TV Manchete entre 1996 e 1997.

Entre 1984 e 1993, Leci foi comentarista dos Desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro pela TV Globo. Após uma pausa de seis anos, voltou a comentar o Carnaval Carioca de 2000 a 2001. Entre 2002 e 2010 comentou os Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo pela mesma emissora. Foi Conselheira da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher a convite do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecendo nos Conselhos por dois mandatos (2004 a 2008).

Em 2008, participou do clipe do Dia de Fazer a Diferença da Rede Record em parceria com o Instituto Ressoar.[6] É madrinha do Acadêmicos do Tatuapé, bicampeã do carnaval de São Paulo, agremiação que acompanha desde 2012 quando foi enredo da escola. Leci Brandão completou 40 anos de carreira artística em 2015 e lançou um novo trabalho, ‘Simples Assim – Leci Brandão’, em 2016. Por este trabalho, foi premiada na categoria melhor cantora de samba na 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira.

A cantora é madrinha do Bloco Afro Ilú Oba De Min, composto somente por mulheres.[7]

Atualmente, Leci Brandão se dedica à carreira musical e ao parlamento paulista.

Carreira política

Em fevereiro de 2010, Leci Brandão filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e candidatou-se ao cargo de Deputada Estadual pelo estado de São Paulo, tendo sido eleita com mais de 85 mil votos, reeleita em 2014 com 71 000 votos, em 2018 com mais de 64 mil e em 2022 com 90 496 votos. Com a última reeleição, Leci se tornou a primeira mulher negra a cumprir 4 mandatos consecutivos na história da ALESP.[8]

Como parlamentar, Leci Brandão afirma se dedicar à promoção da igualdade racial, ao respeito às religiões de matriz africana e à cultura brasileira. Segunda deputada negra da história da Assembleia Legislativa de São Paulo (a primeira foi a Dra. Theodosina Rosário Ribeiro), Leci também levanta a questão das populações indígena e quilombola, da juventude, das mulheres e do segmento LGBTQ+.

E em 2019, Leci foi uma das deputadas a assinar a PL do projeto "Menstruação sem tabu", que visou combater a pobreza menstrual através da distribuição de absorventes para mulheres em situação de pobreza aos moldes de países como a Escócia.[9][10]

Em 2025, Leci Brandão recebeu o título Doutora Honoris Causa pela UFSCar. O título é concedido aos indivíduos que contribuem para o desenvolvimento e disseminação do conhecimento, promovendo iniciativas que causam impacto na sociedade e na política, especialmente em áreas como direitos humanos, equidade, igualdade, educação e inclusão.[11]

Ativismo

Leci foi primeira cantora famosa do Brasil a se pronunciar como uma mulher lésbica em entrevista publicada em novembro de 1978 na sexta edição do militante jornal Lampião da Esquina, direcionado ao público LGBT da época. Contudo não havia sido a primeira vez que Leci abordou esse tema, tendo escrito músicas como Ombro amigo, uma composição solidária a pessoas em processo de aceitação da homossexualidade.[12]

Questão de Gosto, seu primeiro álbum lançado por uma grande gravadora em 1976, a sambista gravou As Pessoas e Eles, considerada uma das primeiras canções brasileiras a falar abertamente sobre homossexualidade. Com os versos "As pessoas não entendem/Porque eles se assumiram/ Simplesmente porque eles descobriram/ Uma verdade que elas proíbem", a faixa chamou bastante a atenção. Autora da letra e da melodia, Leci disse que a ideia da música surgiu a partir de um ato de violência homofóbica presenciado por ela no Rio de Janeiro. O álbum entrou para a exposição "Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura" no início de 2021, no Memorial da Resistência, em São Paulo.[13]

Em 2019, ela regravou a faixa Pra Colorir Muito Mais, sobre o arco-íris, em referência à luta pelos direitos LGBTQIA+.[14]

Desempenho em eleições

AnoEleiçãoPartidoCandidato aVotosResultado
2010Estadual em São PauloPCdoB
Deputada Estadual
86 298

(0,48%)

Eleita[15]
2014Estadual em São Paulo71 136

(0,40%)

Eleita[15]
2018Estadual em São Paulo64 448

(0,35%)

Eleita[15]
2022Estadual em São Paulo90 496

(0,39%)

Eleita[15]

Discografia

  • Leci Brandão (1974)
  • Antes que eu volte a ser nada (1975)
  • Questão de gosto (1976)
  • Coisas do meu pessoal (1977)
  • Metades (1979)
  • Essa tal criatura (1980)
  • Leci Brandão (1985)
  • Dignidade (1987)
  • Um beijo no seu coração (1988) (Disco de Ouro)
  • As coisas que mamãe me ensinou (1989)
  • Cidadã brasileira (1990)
  • Anjos da guarda (1995)
  • Atitudes (1995)
  • Somos da mesma tribo (1996)
  • Sucessos de Leci Brandão (1996)
  • Autoestima (1999)
  • Casa de samba (2000)
  • Eu sou assim (2000)
  • Leci & convidados (2001)
  • A filhada Dona Lecy (2002)
  • A cara do povo (2003)
  • Canções afirmativas - Ao vivo (2007)
  • Eu e o Samba (2008)
  • Isso é Leci Brandão (2011)
  • O canto livre de Leci Brandão (2011)
  • Simples Assim (2016)

Filmografia

AnoTítuloPersonagem
1987Se O Rei Zulu Já Não Pode Andar NuEla mesma
1996Xica da SilvaSeverina
2013Damas do SambaEla mesma
2015O SambaEla mesma
2016Lampião da EsquinaEla mesma
2017CongáNarradora
2021De Cabral a George Floyd: Onde Arde o Fogo Sagrado da LiberdadeEla mesma

Referências

  1. «Correio Braziliense (DF) - 1980 a 1989 - DocReader Web»memoria.bn.gov.br. Consultado em 23 de dezembro de 2025
  2. «A vida e a luta de Leci Brandão». Consultado em 3 de agosto de 2018
  3. «Leci Brandão: a soldada do samba que reconhece os seus». Consultado em 3 de agosto de 2018
  4. «"Depois de cinco anos Leci Brandao lança DVD"»Jus Brasill. Consultado em 18 de março de 2014. Arquivado do original em 18 de março de 2014
  5. «Leci Brandão, primeira mulher negra, homossexual, na ala de compositores da Mangueira». Consultado em 19 de fevereiro de 2022
  6. «"Rapido e Direto"»Rede Record Blog. Consultado em 20 de março de 2014
  7. «Quem Somos»Ilú Obá De Min. Consultado em 19 de julho de 2020
  8. «Leci Brandão, cantora, compositora e deputada estadual pelo PCdoB/SP». Consultado em 3 de agosto de 2018
  9. «'Dignidade menstrual': Brasil ainda está longe de ser a Escócia?»www.uol.com.br. Consultado em 25 de janeiro de 2021
  10. «A isenção de impostos sobre absorventes é a nova luta feminista». Marie Claire. 21 de janeiro de 2020. Consultado em 25 de janeiro de 2021
  11. «UFSCar concede título de Doutora Honoris Causa a Leci Brandão»UFSCar Antirracista. Consultado em 2 de agosto de 2025
  12. «Discos para descobrir em casa – 'Metades', Leci Brandão, 1978»G1. Consultado em 25 de janeiro de 2021
  13. «Exposição revela a produção artística e política LGBTQ+ em meio à ditadura»www.uol.com.br. Consultado em 25 de janeiro de 2021
  14. TEMPO, O. (4 de outubro de 2019). «Leci Brandão é homenageada pela cantora Bia Nogueira»Magazine. Consultado em 25 de janeiro de 2021
  15.  «Poder360 | LECI BRANDÃO»eleicoes.poder360.com.br. Consultado em 5 de novembro de 2022
Leci Brandão: A Voz do Samba, a Força da Política e o Legado de uma Pioneira Brasileira
Leci Brandão da Silva, consagrada artisticamente como Leci Brandão, nasce no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1944 e se firma como uma das figuras mais influentes e multifacetadas da cultura e da política brasileiras. Cantora, compositora, atriz e deputada estadual filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), sua trajetória é marcada pela ruptura de barreiras, pela defesa intransigente da igualdade racial e pela celebração das raízes do samba e das matrizes africanas. Reconhecida como uma das mais importantes intérpretes do samba da história, Leci construiu uma obra que atravessa gerações e linguagens, sempre pautada por um compromisso ético com a justiça social e a diversidade.
Pioneirismo no Samba e Consolidação Artística
A carreira musical de Leci Brandão inicia-se no início da década de 1970, período em que rompe um dos tetos de vidro mais rígidos do samba carioca: torna-se a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba tradicional e símbolo máximo da cultura popular do Rio de Janeiro. Esse marco não apenas abriu portas para outras compositoras, mas também consolidou sua voz como porta-voz de uma geração que buscava reconhecimento e espaço dentro de um universo predominantemente masculino.
Ao longo de mais de cinco décadas de atividade, Leci acumula uma discografia robusta, com 13 LPs, 8 CDs, 2 DVDs e 3 compactos, totalizando 26 obras registradas. Seu repertório transita entre o samba de raiz, o partido-alto, o pagode e incursões por outros gêneros, sempre mantendo a autenticidade de sua escrita e a força de sua interpretação. Em 1980, participa do Festival MPB-Shell, promovido pela Rede Globo, com a música "Essa Tal Criatura", ganhando projeção nacional. Cinco anos depois, grava "Isso É Fundo de Quintal", consolidando sua ligação com o movimento que renovou o samba nas décadas finais do século XX.
Um momento emblemático de sua carreira ocorre em 1989, quando recebe disco de ouro pela música "Olodum, Força Divina", composta por Tonho Matéria, um sucesso que conecta o samba carioca ao axé music baiano e celebra a cultura afro-brasileira em sua plenitude. Em 1995, assume o microfone principal como intérprete do samba-enredo da Acadêmicos de Santa Cruz, reforçando seu vínculo com o carnaval e com as escolas de samba como espaço de expressão popular e resistência cultural.
Television, Teatro e Reconhecimento como Atriz
Além da música, Leci Brandão demonstra versatilidade ao ingressar no universo das artes cênicas. Entre 1984 e 1993, atua como comentarista dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro pela TV Globo, levando ao grande público sua análise técnica e apaixonada sobre o carnaval. Após um hiato de seis anos, retorna aos comentários do Carnaval Carioca entre 2000 e 2001 e, entre 2002 e 2010, assume a mesma função para os desfiles de São Paulo, tornando-se uma voz de referência para milhões de telespectadores.
Na televisão dramática, destaca-se em 1996 ao integrar o elenco da telenovela "Xica da Silva", produzida pela TV Manchete, escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Walter Avancini. Na trama, interpreta Severina, uma líder quilombola, papel que exige profundidade dramática e que dialoga diretamente com sua trajetória de luta pela valorização da história e da identidade negra no Brasil. Sua atuação é elogiada pela crítica e pelo público, ampliando seu reconhecimento para além dos palcos musicais.
Atuação Política e Compromisso com Causas Estruturais
Em fevereiro de 2010, Leci Brandão dá um passo decisivo em sua trajetória pública ao filiar-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e candidatar-se ao cargo de deputada estadual por São Paulo. Eleita com mais de 85 mil votos, inicia um mandato pautado pela defesa da igualdade racial, pelo respeito às religiões de matriz africana e pela promoção da cultura brasileira em sua diversidade. Sua reeleição ocorre em 2014, com 71 mil votos; em 2018, com mais de 64 mil; e em 2022, com expressivos 90.496 votos. Com essa última vitória, torna-se a primeira mulher negra a cumprir quatro mandatos consecutivos na história da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).
Como parlamentar, Leci Brandão assume bandeiras estruturantes: combate ao racismo institucional, proteção às comunidades quilombolas e indígenas, defesa dos direitos das mulheres, da juventude periférica e da população LGBTQIA+. Em 2019, integra o grupo de deputadas que apoia o projeto "Menstruação sem Tabu", que visa combater a pobreza menstrual por meio da distribuição gratuita de absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade, inspirado em iniciativas bem-sucedidas como as implementadas na Escócia.
Sua atuação transcende o âmbito legislativo: entre 2004 e 2008, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integra como conselheira a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, permanecendo por dois mandatos nesses espaços estratégicos de formulação de políticas públicas.
Ativismo, Visibilidade LGBTQIA+ e Reconhecimento Institucional
Leci Brandão é também pioneira na visibilidade de questões LGBTQIA+ na música popular brasileira. Em novembro de 1978, concede entrevista ao jornal militante Lampião da Esquina, tornando-se a primeira cantora de projeção nacional a assumir publicamente sua homossexualidade. Esse gesto, em um contexto de ditadura militar e forte repressão social, representa um ato de coragem e de afirmação identitária.
Ainda na década de 1970, compõe "Ombro Amigo", canção solidária a pessoas em processo de aceitação da homossexualidade, e grava "As Pessoas e Eles", faixa do álbum "Questão de Gosto" (1976), considerada uma das primeiras canções brasileiras a abordar abertamente o tema. Com versos como "As pessoas não entendem / Porque eles se assumiram / Simplesmente porque eles descobriram / Uma verdade que elas proíbem", a música desafia normas sociais e se torna um hino de resistência. Em 2021, o álbum integra a exposição "Orgulho e Resistências: LGBT na Ditadura", no Memorial da Resistência de São Paulo, reafirmando seu valor histórico e simbólico.
Em 2019, regrava "Pra Colorir Muito Mais", faixa que utiliza o arco-íris como metáfora da diversidade e da luta por direitos LGBTQIA+, demonstrando que seu compromisso com a causa permanece atual e renovado ao longo das décadas.
Madrinha de Escolas de Samba, Prêmios e Homenagens Recentes
Leci Brandão mantém vínculos afetivos e artísticos com o carnaval paulistano como madrinha do Acadêmicos do Tatuapé, escola bicampeã que a homenageou como enredo em 2012. Também é madrinha do Bloco Afro Ilú Oba De Min, coletivo composto exclusivamente por mulheres, reforçando seu apoio à protagonismo feminino negro nas manifestações culturais populares.
Em 2015, celebra 40 anos de carreira artística com uma série de shows e lançamentos. No ano seguinte, lança o trabalho "Simples Assim – Leci Brandão", que lhe vale o prêmio de Melhor Cantora de Samba na 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira, reconhecimento que atesta a perenidade de sua voz e a qualidade de sua produção.
Em 2025, recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), honraria concedida a personalidades que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento e a disseminação do conhecimento, com impacto relevante na sociedade e na política, especialmente em áreas como direitos humanos, equidade, educação e inclusão. A homenagem reconhece não apenas sua obra artística, mas também sua atuação como agente de transformação social.
Legado em Construção: Música, Política e Memória
A trajetória de Leci Brandão é um testemunho vivo da capacidade de articulação entre arte e militância, entre memória e projeção de futuro. Sua voz, que ecoa dos terreiros de samba aos plenários legislativos, carrega a força de quem nunca abriu mão de suas origens, de suas convicções e de seu compromisso com um Brasil mais justo e plural. Ao longo de mais de cinco décadas, construiu uma obra que não apenas celebra a cultura popular, mas também a instrumentaliza como ferramenta de conscientização, resistência e celebração da identidade negra e periférica. Sua presença constante na cena cultural e política brasileira segue inspirando novas gerações de artistas, ativistas e cidadãos que enxergam na arte um caminho possível para a transformação social.

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