quarta-feira, 6 de maio de 2026

Larissa Luz: A Voz Plural da Criatividade Baiana entre o Axé, o Teatro e o Afrofuturismo

 

Larissa Luz
Larissa Luz em 2009.
Nome completoLarissa Luz de Jesus
Nascimento
15 de maio de 1987 (38 anos)

Nacionalidadebrasileira
Estatura1,60 m
Ocupação
Gênero literário
Carreira musical
Gravadora(s)Independente
Afiliações
Lista

Larissa Luz de Jesus (Salvador15 de maio de 1987) é multiartista como poeta, cantora, compositora, curadora e produtora brasileira.[1] [2] Foi vocalista da banda de axé Ara Ketu entre 2007 e 2012. Larissa se identifica como parte dos movimentos afrofuturismo e afro-punk.[3]

Biografia

Larissa Luz nasceu em Salvador, Bahia, em 1987. É filha única da professora de literatura Regina Luz e cresceu em meio a livros e música [2], começou a ler e escrever poesia na infância, musicando poemas de Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Aos dez anos começou a cursar canto e teclado no curso Tom Musical com a professora Soraya Aboim.[1]

"Comecei a cantar e minha professora me colocou para fazer apresentações em shoppings."[2]

Seguiu com o propósito de ser cantora e fez curso livre de violão na UFBA e teatro.[4] Participou de outros movimentos artísticos como por exemplo um concurso de desenho e sua peça tornou-se conhecida em toda a Bahia.[carece de fontes]

Ao longo dos anos, foi aprimorando seus conhecimentos na área da música e do teatro, deixando para trás o desenho. Cantou em bares de Salvador, como o Pedra da Sereia, depois na banda Lucy in the Sky e Egrégoras, no grupo Interart [5] ela fez diversas apresentações em navios. Larissa integrou a banda Ara Ketu entre 2007 e 2012, quando o antigo vocalista, Tatau, voltou a fazer parte do grupo.

"[o Ara Ketu] tinha uma história negra muito forte e um projeto social incrível. Achei que estando alí, eu poderia ser uma mudança de paradigma, uma representação imagética para inspirar nosso provo. Porque o axé é totalmente negro, e é mais do que justo que ele seja representado pelos negros e pelas mulheres negras" [2]

Sob direção de João Falcão participou, em 2012, do espetáculo Gonzagão, a Lenda, interpretando mulheres que marcaram a vida do rei do baião, Luiz Gonzaga.[2] Foi indicada ao Grammy Latino de 2016 na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa pelo álbum Território Conquistado.[6][7]

Luz na Virada Sustentável 2019 em Fortaleza

Em 2018, interpretou Elza Soares na peça de teatro musical Elza.[8] Em 2019, foi a intérprete oficial da São Clemente, onde formou trio com Bruno Ribas e Leozinho Nunes.[9] Seu disco Trovão foi eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre de 2019 pela Associação Paulista de Críticos de Arte.[10]

Em 2024 interpretou a protagonisa Bibiana na adaptação para os palcos da obra de Itamar Vieria JúniorTorto Arado, recebendo por esta atuação indicações para o prêmio APCA e prêmio Shell de Melhor Atriz.

Multiatrista, realiza trabalhos como diretora, produtora e curadora.

Filmografia

Televisão

AnoTítuloPapelNotas
2022–presenteSaia JustaApresentadora[11]
2023The Masked Singer BrasilParticipante (2º lugar)Temporada 3 [12]
2025Encantado'sMárcia AguiarEpisódio: "Bate-Bola"

Cinema

AnoTítuloPapelNotas
2017Um Tio Quase PerfeitoNina[13]
2022Beleza da NoiteMichellini
2023Um Ano Inesquecível - OutonoSofia[14]
Mussum, o FilmisElza Soares
2024Evidências do AmorLuana
Arca de NoéGalinha-d'angola (voz)Voz original[15]

Discografia

Álbuns de estúdio
  • 2012: Mundança
  • 2016: Território Conquistado
  • 2019: Trovão

Referências

  1.  «Larissa Luz»Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 20 de novembro de 2016
  2.  Pereira, Marina (1 de setembro de 2025). «Larissa Luz: abre caminhos»Sesc São Paulo. Consultado em 13 de outubro de 2025
  3. Sobral: Rec-beat promove o poder feminino com shows de Karina Buhr e Larissa Luz
  4. «Larissa Luz»Dicionário Cravo Albin. Consultado em 28 de outubro de 2025
  5. Line, A. TARDE On. «Vivendo no RJ, Larissa Luz investe na música e no teatro»Portal A TARDE. Consultado em 15 de maio de 2021
  6. Line, A TARDE On. «Larissa Luz é a única baiana a concorrer ao Grammy Latino 2016»Portal A TARDE
  7. Line, A TARDE On. «Reinvenção de Luz»Portal A TARDE
  8. Larissa Luz vive Elza Soares em espetáculo musical
  9. São Clemente (18 de setembro de 2018). «Nova voz! Larissa Luz, do musical Elza, é a nova intérprete da São Clemente». Consultado em 13 de outubro de 2018
  10. Antunes, Pedro (16 de agosto de 2019). «Os 25 melhores discos de 2019 até agora, segundo a APCA [LISTA]»Rolling Stone Brasil. Grupo Perfil. Consultado em 2 de janeiro de 2021
  11. «Sabrina Sato deixa a Record e passa a integrar elenco fixo do Saia Justa»F5. 16 de março de 2022. Consultado em 17 de março de 2022
  12. Juliana Dracz (22 de janeiro de 2023). «Com Palmeiras e São Paulo, Record TV supera audiência da estreia do The Masked Singer Brasil»Observatório da TV. Consultado em 25 de janeiro de 2023
  13. «Um Tio Quase Perfeito»AdoroCinema. Consultado em 18 de abril de 2019
  14. «Amazon Prime Video Anuncia Produção do Filme Um Ano Inesquecível – Outono»Serie Maniacos. Consultado em 19 de outubro de 2021
  15. «Arca de Noé»globofilmes. 30 de abril de 2024. Consultado em 3 de setembro de 

Larissa Luz: A Voz Plural da Criatividade Baiana entre o Axé, o Teatro e o Afrofuturismo
Larissa Luz de Jesus, nascida em Salvador no dia 15 de maio de 1987, consolidou-se como uma das figuras mais versáteis e influentes da cena artística brasileira contemporânea. Atuando em múltiplas frentes como poetisa, cantora, compositora, curadora e produtora, sua trajetória é marcada por uma busca incessante por experimentação e por uma forte identificação com os movimentos afrofuturista e afro-punk. Sua presença nos palcos e nos estúdios reflete não apenas um domínio técnico apurado, mas também um compromisso profundo com a representação negra e a valorização das matrizes culturais do Nordeste.
Formação e Primeiros Passos Artísticos
Filha única da professora de literatura Regina Luz, Larissa cresceu imersa em um ambiente onde livros e música dialogavam constantemente. Desde a infância, demonstrou inclinação para a escrita e a performance, musicando poemas de autores consagrados como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Aos dez anos, iniciou sua formação técnica no curso Tom Musical, sob a orientação da professora Soraya Aboim, onde estudou canto e teclado. As primeiras apresentações em shoppings e espaços culturais da capital baiana foram fundamentais para o desenvolvimento de sua presença de palco e para a familiarização com a dinâmica do público.
Paralelamente à música, investiu em cursos livres de violão na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em formação teatral, ampliando seu repertório expressivo. Também participou de concursos de desenho, nos quais obteve reconhecimento em todo o estado, demonstrando uma sensibilidade visual que mais tarde influenciaria sua concepção de cena e direção artística. Essa multidisciplinaridade inicial moldou sua visão criativa, levando-a a priorizar a música e o teatro como eixos centrais de sua expressão, enquanto o desenho permaneceu como uma linguagem de apoio à sua composição estética.
A Passagem pelo Ara Ketu e a Representatividade Negra
Antes de alcançar projeção nacional, Larissa percorreu o circuito independente de Salvador, performando em bares icônicos como o Pedra da Sereia e integrando formações musicais como a banda Lucy in the Sky, o grupo Egrégoras e o coletivo Interart. Também acumulou experiência em apresentações a bordo de navios, ampliando seu contato com diferentes públicos e aprimorando sua resistência vocal e interpretação ao vivo.
O ponto de inflexão em sua carreira ocorreu em 2007, quando foi convidada para assumir os vocais da tradicional banda de axé Ara Ketu. Sua permanência no grupo, estendida até 2012, foi pautada por uma consciência política e estética clara. Larissa enxergou na oportunidade um espaço estratégico para promover a representatividade negra e feminina dentro de um gênero musical historicamente associado à cultura afro-brasileira. Em suas próprias palavras, a passagem pelo Ara Ketu representou a chance de atuar como uma mudança de paradigma e uma representação imagética capaz de inspirar o povo, reforçando que o axé, sendo uma manifestação profundamente negra, deve ser protagonizado por artistas negros e, especificamente, por mulheres negras. Sua saída coincidiu com o retorno do vocalista original, Tatau, encerrando um ciclo marcado por shows energéticos e pela reafirmação de sua identidade artística.
Teatro, Carnaval e Consagração na Música Autoral
Após o período com o Ara Ketu, Larissa diversificou ainda mais suas atuações, transitando com naturalidade entre diferentes linguagens cênicas e musicais. Em 2012, sob a direção de João Falcão, integrou o elenco do espetáculo musical "Gonzagão, a Lenda", onde interpretou as mulheres que influenciaram a trajetória de Luiz Gonzaga, demonstrando sua capacidade de fundir técnica vocal e atuação dramática. No campo da música autoral, ganhou destaque nacional com o álbum "Território Conquistado", lançado em 2016, que lhe rendeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa. A obra consolidou sua voz como um instrumento de afirmação cultural e poética, misturando referências regionais a arranjos contemporâneos.
Em 2018, assumiu o papel de Elza Soares no musical "Elza", mergulhando na biografia e na força cênica da cantora, enquanto em 2019 foi anunciada como a intérprete oficial da escola de samba São Clemente, no Rio de Janeiro, formando um trio de vozes com Bruno Ribas e Leozinho Nunes. No mesmo ano, seu disco "Trovão" foi eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), reforçando seu prestígio junto à crítica especializada e sua relevância no panorama da música brasileira contemporânea.
Protagonismo Teatral e Atuação como Curadora e Produtora
A versatilidade de Larissa Luz ganhou novos contornos na década de 2020, com sua imersão mais profunda no teatro e na gestão cultural. Em 2024, protagonizou a adaptação teatral de "Torto Arado", obra aclamada de Itamar Vieira Júnior, interpretando a personagem Bibiana. Sua performance foi amplamente elogiada e lhe garantiu indicações a dois dos mais importantes prêmios das artes cênicas no Brasil: o Prêmio APCA e o Prêmio Shell de Melhor Atriz. A consolidação no teatro evidenciou sua capacidade de carregar narrativas densas e emocionalmente complexas, mantendo a mesma intensidade que marca suas apresentações musicais.
Paralelamente à atuação, Larissa assumiu funções de diretora, produtora e curadora, desenvolvendo projetos que fomentam a circulação de artistas negros e periféricos, além de criar plataformas de debate sobre estética, identidade e ocupação de espaços institucionais. Sua atuação como curadora reflete um compromisso com a construção de narrativas alternativas e com a ampliação de vozes tradicionalmente marginalizadas no circuito cultural brasileiro, alinhando prática artística a uma visão estrutural de transformação.
Estética Afrofuturista e Afro-punk na Cena Contemporânea
A carreira de Larissa Luz é atravessada por uma consciência aguda sobre o poder da arte como ferramenta de reconstrução de imaginários. Sua identificação com o afrofuturismo e o afro-punk manifesta-se na maneira como concebe a música, a palavra e a cena: como territórios de resistência, memória e projeção de futuros possíveis. Ao transitar entre o axé, a MPB, o teatro musical, o carnaval e a literatura, ela desmonta barreiras genéricas e comprova que a pluralidade é a essência de sua linguagem. Sua presença constante em festivais, casas de espetáculo e projetos editoriais segue redefinindo os contornos da artista brasileira contemporânea, mantendo um diálogo ativo com as raízes baianas e com as possibilidades de renovação estética que caracterizam seu percurso.

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