quinta-feira, 16 de abril de 2026

DANIELE DAUMERIE: A MUSA REBELDE QUE DANÇOU ENTRE O ROCK, O CINEMA E A LIBERDADE

 

Daniele Daumerie
Daniele por volta da década de 1980
Nascimento
Morte
24 de agosto de 2014 (46 anos)

Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidadebrasileira
CônjugeLobão (c. 1985–90)
Ocupaçãocantora
compositora
modelo
atriz

Daniele Daumerie (Rio de Janeiro4 de agosto de 1968 — Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2014),[1][2] também referida como Danielle Daumerie,[3] foi uma cantoracompositoramodelo e atriz brasileira.

Primeiros anos

Nascida na cidade do Rio de Janeiro, Daumerie tinha ascendência francesa.[4] Filha de um economista e de uma violinista ex-bailarina, envolveu-se desde a infância com atividades artísticas. Estudou oito anos no Colégio São Vicente de Paulo, mas desistiu no segundo ano científico para dedicar-se à atuação. Paralelamente, fez dança na academia de balé de Enid Sauer e como autodidata. Cursou teatro no Tablado e fez parte do grupo Rádio Novela, uma cooperativa artística experimental da Sala Cecília Meireles, onde, além de representar, também elaborava figurinos. Tentou, em seguida, seguir carreira como cantora numa banda chamada Flash.[3][4]

Carreira

Atriz e modelo

Daniele conseguiu seus primeiros trabalhos no cinema em meados dos anos 1980, desempenhando inicialmente pequenos papéis. Aos quinze anos, interpretou uma garota vampira em As Sete Vampiras, uma comédia de terror do diretor Ivan Cardoso. Dois anos depois, o cineasta Paulo Sérgio de Almeida a convidou para uma participação especial na comédia romântica Banana Split, na qual ela apareceu como uma mulher de branco nos sonhos de um rapaz. Conseguiu seu primeiro papel de destaque, Bartira, vocalista de uma banda de rock, no suspense Mistério no Colégio Brasil (1988), dirigido por José Frazão.[3][5] Também apareceu na comédia Vai Trabalhar, Vagabundo II: a Volta (1991, com direção de Hugo Carvana), na qual viveu uma personagem decidida que se apaixona por outra mulher, e no filme independente Oceano Atlantis, dirigido por Francisco de Paula e exibido no Festival de Brasília de 1993, em que interpretou uma tocadora de harpa.[3][6] No teatro, ficou dois anos em cartaz com a peça O Menino do Dedo Verde.[7]

Daniele e Lobão, seu então marido, na capa do disco O Rock Errou.

Estreou na televisão como convidada do programa Aventura, transmitido pela Rede Manchete em 1986.[8] Na mesma emissora, participou da novela Kananga do Japão, exibida entre 1989 e 1990, interpretando Odília, amante do personagem Danilo (Giuseppe Oristanio).[9] Na TV Globo, fez várias chamadas para a programação de 20 anos da emissora[4] e atuou em episódios das séries Juba & Lula e Você Decide.[1][10] Também estrelou videoclipes, incluindo o da canção "Eu Queria Ter Uma Bomba", gravada pela banda Barão Vermelho para a novela A Gata Comeu (1985); no vídeo, exibido no Fantástico, ela contracenou com Cazuza.[11][12] Seu principal trabalho como modelo foi quando posou para a capa do álbum O Rock Errou, lançado em 1986 por Lobão, seu marido na época. Na capa, Daniele aparece nua e com um véu na cabeça, representando uma Virgem, ao lado de Lobão trajado como padre.[13] No mesmo ano, ela posou para a Playboy.[4] Em 1997, estrelou o último ensaio fotográfico sensual da revista Bizz.[14]

Cantora e compositora

Daniele teve algumas participações nos trabalhos de Lobão na década de 1980. Ela fez vocal de apoio na faixa "Moonlight Paránoia (Seasons of Wither)", do disco O Rock Errou, tendo cantado junto com o artista nos shows do Canecão, no Rio de Janeiro, e do Palace, em São Paulo.[3][15] Também é coautora das canções "Síndrome do Brega", do álbum Cuidado! (1988) e "Essa Noite Não (Marcha a Ré em Paquetá)", de Sob o Sol de Parador (1989).[16][17] Em 1985, assinou contrato com a gravadora Top Tape e participou, como cantora solo, do LP Indústria do Rock, em que gravou uma faixa intitulada "Me Aliar a Você".[4][12] Além de atuar em Mistério do Colégio Brasil, ela cantou quatro músicas da trilha sonora desse filme, entre as quais "Chorando no Campo", composta por Lobão e Bernardo Vilhena, e "Cartão Postal", escrita por Rita Lee e Paulo Coelho.[18]

Nos anos 1990, formou com Karla Sabah a dupla Bad Girls. Reunidas pelo cineasta Fábio Barreto, as artistas investiam em ritmos dançantes como rock, funk, balada e tango, destacando sensualidade e mensagem de emancipação feminina em seus espetáculos.[19][20][21] Gravaram um CD que foi lançado pela PolyGram em 1994[22] e cujo maior sucesso foi a faixa "Sexo", uma composição de Tavinho Paes.[16][23] A versão da dupla para "Alelui-me Baby", de Luiz Guilherme e Paulinho Moska, foi incluída na trilha sonora da novela A Próxima Vítima (1995).[24] Posteriormente, as Bad Girls foram renomeadas como As Maskaradas como parte de um projeto carnavalesco voltado para o resgate de marchinhas de salão esquecidas; a Indie Records lançou um CD desse projeto em 1995.[25][26] No fim da década, Daumerie buscou impulsionar sua carreira solo como cantora de techno, estilo de música eletrônica associado às raves, festas que estavam em voga naquele período, e passou a se apresentar com sua banda Doctor Bellows.[7][27]

Vida pessoal e morte

Em junho de 1985, a artista casou-se com Lobão.[28] Eles tiveram uma filha, Julia, nascida por volta de 1989.[29] A imprensa do período noticiava que Daumerie e Lobão eram primos, uma informação que o músico teria negado décadas depois.[30] O casal se separou no início da década de 1990.[31] Daniele morreu no dia 24 de agosto de 2014, aos 46 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral. Foi sepultada no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, cidade onde residia na época.[2][16]

Discografia

Filmografia

Cinema

AnoTítuloPapelNotasRef.
1986As Sete VampirasBailarina vampiraCreditada como Daniele Daumeri[32]
1988Banana SplitMulher de brancoParticipação especial[3]
1988Mistério no Colégio BrasilBartiraTambém trabalhou na trilha sonora[5]
1991Vai Trabalhar, Vagabundo II: a VoltaVera LúciaTítulo alternativo: Amor Vagabundo[33]
1993Oceano AtlantisMusicistaTítulo alternativo: A Revolta de Oceano Atlantis[34]

Televisão

AnoTítuloPapelNotasRef.
1986AventuraEla mesmaQuadro: "Os Olhos de Marisa"[8]
1989-90Kananga do JapãoOdíliaElenco de apoio[9]
1989Juba & LulaGata GatunaPapel recorrente[35]
1998Você DecideCantoraEpisódio: "Assassino em Potencial"[36]

Vídeos musicais

AnoCançãoArtistaRef.
1985"Eu Queria Ter Uma Bomba"Barão Vermelho[11]
1986"Mil e Uma Noites de Amor"Pepeu Gomes[37]
1994"Sexo"Bad Girls[38]
1994"My Lovin' (You're Never Gonna Get It)"[2][39]

Referências

  1.  «Daniele Daumerie». São Paulo: Museu Brasileiro de Rádio e Televisão. Consultado em 19 de abril de 2025Cópia arquivada em 27 de maio de 2024
  2.  Vieira, Bárbara; Tecidio, Luciana (27 de agosto de 2014). «Morre compositora Daniele Daumerie, ex-mulher do músico Lobão»EgoGlobo.com. Consultado em 19 de abril de 2025Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2024
  3.  Orsini, Elizabeth (3 de outubro de 1988). «Mais que mulher do Lobão». Caderno B. Jornal do Brasil (178). p. 2. Consultado em 19 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  4.  Feijó, Dudu (28 de setembro de 1986). «A gata do Lobão». Caderno 4. Diário do ParáIV (1196). Consultado em 1 de maio de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  5.  Caetano, Maria do Rosário (26 de agosto de 1988). «Os Meninos do Colégio Brasil e seus mistérios». ApArte. Correio Braziliense (9262). p. 21. Consultado em 30 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  6. «26º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (1993)»Metrópoles. Consultado em 30 de abril de 2025Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2024
  7.  «Caderno B»Jornal do Brasil. CVIII (124). 10 de agosto de 1998. p. 3. Consultado em 27 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  8.  «Gente | Fotografia animada»Manchete35 (1793). 30 de agosto de 1986. p. 70. Consultado em 3 de maio de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  9.  Montano, Diogo. «Kananga do Japão | Rede Manchete». Manchete.org. Consultado em 19 de abril de 2025Cópia arquivada em 20 de abril de 2025
  10. «Juba & Lula - 1989»InfanTv. Consultado em 3 de maio de 2025Cópia arquivada em 5 de março de 2024
  11.  Bragatto, Marcos (27 de agosto de 2014). «Morre Daniele Daumerie, musa da década de 1980»Rock em Geral. Consultado em 2 de maio de 2025Cópia arquivada em 10 de julho de 2017
  12.  Angel, Hildegard (4 de outubro de 1985). «Por dentro da TV | Namorada de Lobão»Jornal do Commercio (33723). Consultado em 2 de maio de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  13. Miguel, Antônio Carlos (5 de abril de 1986). «Lobão: "Excêntrico sim, louco ainda não"»Manchete34 (1772). p. 92. Consultado em 2 de maio de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  14. Além 2018, p. 204.
  15. Kfouri, Maria Luiza«Daniele Daumerie - Discografia Brasileira»Discos do Brasil. Consultado em 30 de abril de 2025Cópia arquivada em 30 de abril de 2025
  16.  «Morre aos 46 anos Daniele Daumerie, ex-mulher do músico Lobão»Folha de S.Paulo. 30 de agosto de 2014. Consultado em 3 de maio de 2025Cópia arquivada em 21 de abril de 2025
  17. «Compositor - Daniele Daumerie»Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 30 de abril de 2025Cópia arquivada em 30 de abril de 2025
  18. «Álbum - O Mistério no Colégio Brasil - Trilha Sonora do Filme». Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 30 de abril de 2025Cópia arquivada em 30 de abril de 2025
  19. Melgaço, Sérgio (13 de fevereiro de 1993). «Duas garotas com 'p' grande». Tribuna BIS. Tribuna da ImprensaXLIV (13119). p. 6. Consultado em 28 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  20. Trindade, Mauro (18 de fevereiro de 1993). «As morenas querem desbancar as louras». Caderno B. Jornal do BrasilCII (316). p. 7. Consultado em 29 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  21. Essinger, Silvio (20 de março de 1995). «Sensualidade e firmeza na volta das Bad Girls». Tribuna BIS. Tribuna da ImprensaXLVI (13766). p. 2. Consultado em 29 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  22. Teles, José (25 de agosto de 2021). «Bad Girls fora da curva»TelesToques. Consultado em 27 de abril de 2025Cópia arquivada em 6 de julho de 2022
  23. «Álbum - Bad Girls». Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 4 de maio de 2025Cópia arquivada em 4 de maio de 2025
  24. Purchio, Ana (28 de março de 1995). «Trilha de 'A Próxima Vítima' revive clássicos»A Tribuna102 (3). p. E-4. Consultado em 27 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  25. Torres, Alberto, ed. (10 de fevereiro de 1996). «Humor atrás das máscaras». 2º Caderno. O Fluminense118 (34495). Consultado em 27 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  26. «Álbum - As Maskaradas». Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 28 de abril de 2025Cópia arquivada em 28 de abril de 2025
  27. Além 2018, p. 208.
  28. Cotrim, Alex (4 de outubro de 1985). «Lua-de-mel de três meses»Jornal do Commercio (33723). Consultado em 3 de maio de 2024  via Hemeroteca Digital Brasileira
  29. «Lobão surge em foto rara com filha que teve com ex-modelo, que morreu há 10 anos, e o neto»Extra. 19 de fevereiro de 2025. Consultado em 3 de maio de 2025Cópia arquivada em 3 de maio de 2025
  30. Santos, Rodrigo Otávio dos (2014). Rock e quadrinhos nas páginas da Revista Chiclete com Banana (1985-1990) (PDF) (Tese de Doutorado). Curitiba: Universidade Federal do Paraná. p. 191. Consultado em 3 de maio de 2025Cópia arquivada em 3 de maio de 2025Daniele Daumerie, que segundo Lobão e Tognolli (2010) não era sua prima, como foi noticiado no período.
  31. Pantoja, Augusto (2 de setembro de 1990). «Lobão não quer nada com música sertaneja»Jornal do Commercio. LXXXVI (35285). p. 13. Consultado em 3 de maio de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileiro
  32. «Filmografia - As Sete Vampiras»Cinemateca Brasileira. Consultado em 4 de maio de 2025Cópia arquivada em 4 de maio de 2025
  33. Carvana, Hugo (diretor) (1991). Vai Trabalhar Vagabundo 2 - A Volta. Brasil: Tela Nacional (publicado em 8 de julho de 2022). Em cena em 96 minutos. Consultado em 19 de abril de 2025  via Youtube
  34. Schild, Susana (4 de janeiro de 1992). «Um cineasta contra a maré»Jornal do BrasilCI (269). p. 8. Consultado em 19 de abril de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira
  35. Salles, Marcos (9 de julho de 1989). «No ar, o oposto de João Signorelli». Revista da Tevê. O Liberal. XLIII (22360). p. 7. Consultado em 3 de maio de 2025  via Hemeroteca Digital Brasileira. Ele fará companhia aos já conhecidos Rato (Evandro Mesquita), Gargalhofa (Anderson Muller), Gata Gatuna (Danielle Daumerie)
  36. Soares, Mônica (11 de julho de 1998). «Antena | Gravação oportuna». Caderno B. Jornal do Brasil. CVIII (94). p. 8. Consultado em 3 de maio de 2024  via Hemeroteca Digital Brasileira
  37. Paulo Trevisan (diretor) (12 de janeiro de 1986). Pepeu Gomes - Mil e Uma Noites de Amor. Brasil: TV Globo. Em cena em 1 minuto e 30 segundos
  38. Tavinho Paes e Fábio Barreto (direção) (1994). BAD GIRLS Sexo (Karla Sabah e Daniele Daumerie) (publicado em 9 de maio de 2007). Em cena em 5 minutos. Consultado em 4 de maio de 2025  via Youtube
  39. «Karla Sabah | Clips»Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 4 de maio de 2025. Arquivado do original em 20 de outubro de 2017
DANIELE DAUMERIE: A MUSA REBELDE QUE DANÇOU ENTRE O ROCK, O CINEMA E A LIBERDADE
Ela tinha o olhar de quem já havia vivido várias vidas em uma só. Daniele Daumerie (1968–2014) não foi apenas uma artista. Foi um furacão de criatividade, sensualidade e coragem que atravessou as décadas de 1980 e 1990 deixando marcas em cinemas, palcos, capas de discos e corações. Carioca da gema, com ascendência francesa e alma boêmia, Daniele escolheu viver intensamente — e partiu cedo demais, aos 46 anos, após um AVC. Mas sua luz nunca se apagou.
🎭 INFÂNCIA DE ARTE: QUANDO O PALCO CHAMA Filha de um economista e de uma violinista ex-bailarina, Daniele cresceu rodeada de música, movimento e expressão. Estudou no Colégio São Vicente de Paulo, mas largou os livros no segundo ano científico para seguir o que realmente pulsava em seu peito: a arte. Dançou balé na academia de Enid Sauer, estudou teatro no Tablado, integrou o grupo experimental Rádio Novela na Sala Cecília Meireles — onde não só atuava, mas também criava figurinos. Era uma artista completa antes mesmo de ter um nome no mercado.
🎬 CINEMA: DO TERROR AO DRAMA, SEMPRE COM INTENSIDADE Aos 15 anos, Daniele já estava nas telonas. Em As Sete Vampiras (1986), do cultuado Ivan Cardoso, interpretou uma garota vampira em uma comédia de terror que virou referência do cinema marginal brasileiro. Dois anos depois, brilhou em Banana Split, de Paulo Sérgio de Almeida, aparecendo como uma mulher de branco nos sonhos de um jovem apaixonado.
Mas foi em Mistério no Colégio Brasil (1988) que Daniele ganhou seu primeiro papel de destaque: Bartira, vocalista de uma banda de rock em um suspense que misturava juventude, rebeldia e mistério. Ela não só atuou — cantou quatro músicas da trilha sonora, incluindo "Chorando no Campo", composta por Lobão e Bernardo Vilhena.
Seu talento versátil a levou ainda a Vai Trabalhar, Vagabundo II: A Volta (1991), de Hugo Carvana, onde viveu uma personagem decidida que se apaixona por outra mulher — uma narrativa ousada para a época. E no independente Oceano Atlantis (1993), interpretou uma tocadora de harpa em um filme exibido no Festival de Brasília. No teatro, ficou dois anos em cartaz com O Menino do Dedo Verde, encantando plateias com sua presença cênica única.
📺 TELEVISÃO E VÍDEOS: A CARA DE UMA GERAÇÃO Na TV, Daniele estreou em 1986 no programa Aventura, da Rede Manchete. Logo depois, integrou o elenco de Kananga do Japão (1989–1990), também da Manchete, interpretando Odília, amante do personagem Danilo. Na Globo, participou de chamadas comemorativas pelos 20 anos da emissora e atuou em episódios de Juba & Lula e Você Decide.
Mas foi nos videoclipes que Daniele se tornou ícone pop. Em 1985, contracenou com Cazuza no clipe de "Eu Queria Ter Uma Bomba", do Barão Vermelho, exibido no Fantástico. A química entre os dois, a rebeldia das imagens e a mensagem da música capturaram o espírito de uma geração que queria mudar o mundo — ou pelo menos gritar contra ele.
🎸 MÚSICA: VOZ, COMPOSIÇÃO E PARCERIAS ICÔNICAS Daniele não era apenas rosto. Era voz. Nos anos 1980, colaborou intensamente com Lobão, então seu marido. Fez vocais de apoio em "Moonlight Paránoia (Seasons of Wither)", do álbum O Rock Errou (1986), e cantou ao lado dele em shows históricos no Canecão (RJ) e no Palace (SP).
Como compositora, coassinou "Síndrome do Brega" (Cuidado!, 1988) e "Essa Noite Não (Marcha a Ré em Paquetá)" (Sob o Sol de Parador, 1989). Em 1985, pela Top Tape, lançou a faixa "Me Aliar a Você" no LP Indústria do Rock, marcando sua estreia solo.
Nos anos 1990, formou com Karla Sabah a dupla Bad Girls. Reunidas pelo cineasta Fábio Barreto, as duas investiram em rock, funk, balada e tango, com letras que misturavam sensualidade e emancipação feminina. O CD lançado pela PolyGram em 1994 teve como maior hit "Sexo", composição de Tavinho Paes. A versão da dupla para "Alelui-me Baby" entrou na trilha de A Próxima Vítima (1995), da Globo.
Mais tarde, o projeto foi renomeado como As Maskaradas, com foco em marchinhas de salão resgatadas do esquecimento. E, no fim da década, Daniele mergulhou no techno, apresentando-se com sua banda Doctor Bellows em raves e festas que marcaram a virada do milênio.
📸 MODELO: BELEZA QUE DESAFIAVA CONVENÇÕES Daniele era mais do que bela. Era provocadora. Em 1986, posou nua, com véu de noiva, na capa do álbum O Rock Errou, de Lobão. Ele, vestido de padre. A imagem, carregada de ironia e crítica, virou um dos registros mais icônicos do rock brasileiro. No mesmo ano, Daniele posou para a Playboy. Em 1997, estrelou o último ensaio sensual da revista Bizz. Suas fotos não eram apenas belas — eram declarações.
💔 VIDA PESSOAL: AMOR, MATERNIDADE E PARTIDA PREMATURA Em junho de 1985, Daniele casou-se com Lobão. Juntos, tiveram uma filha, Julia, nascida por volta de 1989. A imprensa da época chegou a noticiar que eram primos — informação que o músico negaria décadas depois. O casal se separou no início dos anos 1990, mas manteve laços de respeito e carinho.
Daniele seguiu sua trajetória artística com a mesma intensidade de sempre. Até que, em 24 de agosto de 2014, sofreu um acidente vascular cerebral e partiu aos 46 anos. Foi sepultada no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. O Brasil perdeu uma artista rara. Mas sua obra permanece.
🕊️ LEGADO: UMA ARTISTA À FRENTE DO SEU TEMPO Daniele Daumerie foi daquelas que não cabem em rótulos. Atriz, cantora, compositora, modelo, dançarina, criadora de figurinos. Viveu o cinema marginal, o rock dos anos 80, a eletrônica dos 90, a liberdade sexual, a maternidade, a independência artística. Foi musa, mas nunca objeto. Foi parceira, mas nunca sombra.
Sua voz ainda ecoa em "Sexo", em "Chorando no Campo", em cada cena de Kananga do Japão, em cada frame de As Sete Vampiras. Daniele não pediu licença para existir. Simplesmente existiu — com força, beleza e verdade.
E talvez seja essa a maior lição que ela nos deixa: a vida é curta, mas pode ser intensa. A arte é eterna, mas só se for vivida com coragem.
💬 Você conhecia a história de Daniele Daumerie? Já assistiu a As Sete Vampiras ou ouviu "Sexo" das Bad Girls? Qual momento da carreira dela mais te marcou? Conta aqui nos comentários, marca quem ama cinema, música e cultura dos anos 80/90, e ajuda a manter viva a memória de uma artista que merecia ser mais celebrada. 🎬🎤✨
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