domingo, 26 de abril de 2026

Alice Cooper: O Arquiteto do Shock Rock e Ícone Eterno do Teatro Musical do Terror

 

Alice Cooper
Alice Cooper em 2024
Informações gerais
Nome completoVincent Damon Furnier
Também conhecido(a) comoAlice Cooper
Nascimento4 de fevereiro de 1948 (78 anos)
DetroitMichiganEstados Unidos
Gênero(s)
Instrumento(s)Vocais
Período em atividade1964 - presente
Outras ocupaçõescantorcompositoratorDJ
Gravadora(s)Straight RecordsWarner BrosAtlanticMCAEpicSpitfireEagle e New West
Página oficialwww.AliceCooper.com

Alice Coopernome artístico de Vincent Damon Furnier (Detroit4 de fevereiro 1948), é um cantor, compositor e ator americano.[1] Ficou mundialmente conhecido nos anos 1970 por seus concertos de rock inovadores e designados para chocar e provocar o público, junto com letras obscenas, obscuras e sangrentas que, junto com seu visual gótico, transformaram Alice em um ícone do rock que continua como fonte de inspirações para artistas de todos os estilos até hoje. Ao longo da carreira, Cooper já lançou 26 álbuns de estúdio e vendeu mais de 50 milhões de cópias.[2]

Alice Cooper era originalmente o nome da banda da qual Vincent Furnier fazia parte como vocalista, juntamente com Glen Buxton e Michael Bruce nas guitarras, Dennis Dunaway no baixo e Neal Smith na bateria, e com quem lançou sete álbuns. Porém, a banda acabou se separando e Vincent adotou o pseudônimo Alice Cooper para si mesmo e obteve legalmente o nome pouco depois, iniciando sua carreira solo sob esse nome em 1975 com o álbum Welcome to My Nightmare, e já lançou mais dezoito álbuns desde então. As apresentações de Alice tornaram-se célebres pelo uso de vários elementos performáticos baseados em filmes de terror realizadas ao vivo, como guilhotinascadeiras elétricascobras vivasbonecas vodus, sangue falso e muitos outros, com Alice vestindo roupas obscuras e ornamentadas com coisas como patas reais de aranha, cobras vivas, correntes e outras, o que levou os concertos de Alice a serem apelidados de "teatro de terror" pela crítica, um termo que o próprio cantor passou a usar para designar seu trabalho.

Alice também é conhecido por seus trabalhos independentes da música, pois ele já atuou em diversos filmes de terror. Mas um dos filmes onde mais se destaca além de estar ao lado de seu amigo Johnny Depp em um filme dirigido por Tim Burton, é Sombras da Noite, Alice Cooper aparece como cantor onde vira foco no filme. Cooper também já compôs trilhas sonoras para Televisão e cinema, além de ter se envolvido em diversas campanhas publicitárias sobre assuntos diversos, o que levou a revista Rolling Stone a elegê-lo o "mais amado artista do heavy metal" em 2006, tendo sido incorporado à Calçada da Fama de Hollywood em 2003 e ao Rock and Roll Hall of Fame em 2011 junto com a formação original da banda. Alice continua fazendo turnês até hoje, mas com uma banda nova chamada Hollywood Vampires sendo ele o vocalista e tendo Johnny Depp como guitarrista base e Joe Perry como guitarrista solo, esta banda já teve várias lendas do Rock, na época em que eram mais conhecidos como um grupo de amigos que saía para encontros, como: John LennonKeith MoonRingo StarrElton John e vários outros artistas.

Biografia

Vincent Damon Furnier nasceu em Detroit, nos Estados Unidos, em 4 de fevereiro de 1948, filho de Ella Mae e Ether Moroni Furnier. Seu primeiro nome é uma homenagem ao seu tio paterno, Vincent Furnier, e o segundo, ao escritor Damon Runyon. Ether era bispa na Igreja de Jesus Cristo, e seu avô, Thurman Furnier, era apóstolo da mesma igreja; por isso Vincent Damon começou a realizar trabalhos na congregação aos onze anos de idade, onde também participou do coral paroquial.

Em Detroit, Vincent estudou em vários colégios, todos religiosos, até sua família se mudar para a cidade de PhoenixArizona, onde ele começou a frequentar uma escola pertencente a Ordem DeMolay, uma sociedade discreta de princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, patrocinada pela Maçonaria;[3] Vincent chegou a receber bolsa de estudos integrais para várias faculdades, inclusive a Universidade do Colorado, mas recusou todas as propostas. Tendo sido criado em ambientes religiosos, Vincent sempre se disse "um homem de fé", adepto ao cristianismo conforme lhe foi ensinado em casa, sempre dizendo que suas performances musicais são apenas trabalho sem qualquer tipo de comprometimento com suas opiniões e escolhas pessoais.

A mãe de Vincent, Ella, é viva até hoje (junho de 2019[4]), mas seu pai, Ether, morreu em 1988, por falência de múltiplos órgãos; a vida amorosa de Vincent também teve alguns pontos delicados, como a morte por overdose de heroína de Christine Frka, sua namorada em 1972. Vincent morou depois, até 1975, com uma mulher chamada Cindy Lang, quando eles se separaram e Cindy processou o cantor por uma pensão alimentícia, mas perdeu o processo uma vez que estes nunca foram legalmente casados. Vincent se casou em 20 de março de 1976 com a bailarina Sheryl Goddard, que fez várias apresentações ao lado do marido, e com quem teve três filhos: Calico, Dash e Sonora. Em novembro de 1983, Sheryl entrou com um pedido de divórcio devido ao alcoolismo do marido, mas desistiu e ambos se reconciliaram em 1984, estando juntos desde então.

Diz-se que Alice Cooper foi um membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias - os Mormons. O que se sabe sobre a religião de Alice Cooper é que, até aos onze anos de idade, ele frequentou a Igreja Bickertonita na Pensilvânia, da qual seu avô havia sido apóstolo e seu pai pastor.[5]

Carreira musical

A banda Alice Cooper

Em 1964, Vincent se juntou com seus amigos Glen BuxtonDennis Dunaway, John Speer e John Tatum para participar, sem comprometimento, de um espetáculo de calouros anual em Phoenix sob o nome de The Earwigs, dublando músicas dos Beatles e vestidos como seus integrantes; eles venceram o concurso e gostaram de estar em palco, por isso mudaram o nome da banda para The Spiders e decidiram criar suas próprias músicas, com Vincent no vocal, Glen e John Tatum na Guitarra, Dennis no Baixo e John Speer na bateria; eles começaram a fazer apresentações em clubes e bares da cidade, apresentando canções de suas principais influências, como Beatles, Rolling Stones e The Who por exemplo, e em 1965 gravaram seu primeiro single, "Why Don't You Love Me", pouco antes de encerrarem sua vida escolar. Nessa época Vincent adotou o pseudônimo Alice Cooper, apesar de nunca ter explicado se há algum grande significado por trás do nome, e passou a usar esse nome tanto para fins comerciais como também em sua vida particular, já que o registrou em cartório alguns anos depois.

Alice Cooper durante a Killer Tour 1972

Em 1966, Michael Bruce substituiu John Tatum e o grupo lançou a canção "Don't Blow Your Mind", que se tornou um sucesso na rádio local e assim o grupo começou a constantemente viajar para a cidade de Los Angeles para fazer apresentações até se mudar para lá definitivamente em 1967, após Neal Smith assumir o cargo de baterista e a banda mudar seu nome para The Nazz, lançando a canção "Wonder Who's Lovin' Her Now". Em 1968 o grupo decidiu escolher um novo nome e Alice Cooper tornou-se também o nome oficial da banda. Alice (como Vincent começou a ser chamado desde então) criou o perfil de palco da banda inspirado em filmes de terror e também criou seu próprio visual gótico e sombrio para, segundo ele, diferenciar, pois ele pensava que já que os rockstars são sempre considerados "heróis", era hora de haver um "vilão" entre eles.

Uma noite, após um fracasso na cidade de Los Angeles, onde eles esvaziaram um clube após tocar por apenas dez minutos, eles foram procurados pelo empresário Shep Gordon, que achava que eles tinham potencial mas não sabiam como o usar; Shep arranjou para banda uma audição com o conceituado músico e empresário Frank Zappa, que lhes disse para irem até sua casa às sete horas da noite, mas o grupo se confundiu e eles foram até a residência às sete da manhã, e o fato de se disporem a acordar e tocar tão cedo impressionou Frank o bastante para assinar com a banda um contrato para o lançamento de três álbuns através da Straight Records, uma gravadora iniciante na época. O álbum de estreia do grupo, Pretties for You, foi lançado em 1 de agosto de 1969 e foi um fracasso de público e crítica, chegando apenas a 193ª posição da Billboard 200, a principal parada musical dos Estados Unidos.

Foto promocional da banda original em 1973. Da esquerda para a direita: Glen Buxton, Michael Bruce, Alice, Neal Smith e Dennis Dunaway.

Após o lançamento do álbum o grupo realizou alguns concertos já caracterizados como seus personagens de palco, e numa dessas apresentações ocorreu um incidente que veio a servir de grande divulgação para a banda: durante a performance, Alice atirou uma galinha na plateia achando que ela voaria e escaparia ou alguém a adotaria como animal de estimação (pois é assumidamente contra qualquer tipo de crueldade com animais), mas ela caiu sobre o público e foi feita em pedaços pelos presentes. O ocorrido foi capa de jornais e revistas e tema de reportagens de televisão, e espalhou-se o falso boato de que Alice teria comido a cabeça do animal e bebido seu sangue, o que ajudou a construir o mito popular ao redor dele. Mas mesmo com a divulgação, o segundo álbum da banda, Easy Action, lançado em 1970, também não emplacou. Mas no mesmo ano um trecho de show da banda apareceu no filme Diary of a Mad Housewife de 1970, que lhes tornaram mais conhecidos. Nessa época a banda procurou o produtor Bob Ezrin pedindo ajuda, e assim o grupo lançou Love It to Death em 1971, que era o fim de seu contrato e última chance de sucesso. A ligeira mudança no estilo musical e a experiência de Bob Ezrin conseguiram enfim agradar o público; o single "I'm Eighteen" se tornou o primeiro sucesso da banda, atingindo a 21ª posição na Billboard Hot 100, a parada de singles americana, e Love It to Death chegou a 35ª posição da Billboard 200, levando a banda a realizar uma turnê maior, estreando muitos elementos que se tornariam célebres em seus concertos, como cadeiras elétricas, sangue falso, cobras e muitos outros.

Ainda em 1971 a banda assinou com a Warner Bros Records e lançou Killer, que chegou a 21ª posição da Billboard 200 e trouxe sucessos como "Under My Wheels" e "Halo of Flies", mas foi em 1972 que a banda atingiu o estrelato com o álbum School's Out e o single homônimo, que respectivamente chegaram o 2º lugar da Billboard 200 e 7º lugar da Billboard Hot 100, levando a banda a realizar uma turnê por ginásios e arenas na América do Norte e na Europa, quando a banda teve problemas legais, já que muitos adultos temiam a influência negativa que eles podiam exercer sobre jovens e houve muitas petições e pedidos de processo para proibir o grupo de entrar em vários países, mas nenhuma proibição jamais aconteceu.

Em 1973 foi lançado Billion Dollar Babies, o último álbum da banda Alice Cooper; o disco foi um sucesso imediato, chegando ao topo tanto da Billboard 200 quanto da UK Albums Chart, a principal parada do Reino Unido, e o single "Elected" foi outro grande sucesso, fazendo história por ter se tornado, junto com "Bohemian Rhapsody" do Queen, um dos primeiros vídeos de rock produzidos para divulgação de um disco ou de um single. O sucesso do álbum permitiu que a banda realizasse uma nova turnê mundial, dessa vez em maior escala, que quebrou recordes de bilheteira em países como Estados Unidos e Reino Unido; foi nessa época que Alice passou a usar uma guilhotina como recurso de palco, usando-a para decapitar bonecas e também ele mesmo ao fim de cada show, em um truque de mágica que tornou-se célebre e uma marca registrada do grupo, sendo essa a última turnê da formação original junta.

Início da carreira solo e declínio de popularidade

Foto promocional de Alice feita em 1978.

Muscle of Love, de 1973, foi o último álbum da banda junta e não teve o mesmo sucesso dos álbuns anteriores, o que levou o grupo a ter vários desentendimentos; Alice queria manter os elementos teatrais que lhes havia dado popularidade, mas os demais integrantes queriam eliminá-los para dar mais atenção à música, assim o grupo entrou em uma pausa indefinida. Em 1974, foi lançada a bem sucedida coletânea Alice Cooper: Greatest Hits, e nessa época todos os integrantes estavam envolvidos em projetos individuais e assim deixaram o grupo permanentemente; Alice decidiu seguir em frente em carreira solo, com uma nova banda de apoio, e para evitar problemas com relação a direitos autorais com os ex-integrantes o cantor mudou seu nome legalmente para Alice Cooper e lançou "Welcome to My Nightmare" em 1975, que tornou-se um sucesso comercial e um clássico do gênero. Nessa época, o alcoolismo tornou-se um problema sério para Alice e começou a afetar seus performances, e durante um show em Vancouver, no Canadá, ele levou um grande tombo e sofreu ferimentos profundos na cabeça; o cantor foi hospitalizado e enfaixado e mesmo assim voltou horas depois para encerrar o concerto.

Com problemas para se apresentar ao vivo, Alice se concentrou em gravar em estúdio e lançou o álbum Alice Cooper Goes to Hell, que tiveram sucesso moderado na Billboard 200, e assim o cantor voltou aos palcos em 1977 para uma turnê norte-americana onde continuou tendo problemas, por isso ele se internou em uma clínica de reabilitação logo após os últimos concertos e conseguiu se manter sóbrio por um certo tempo. Em 1978, Alice usou sua experiência na clínica como inspiração para o álbum From the Inside, cujo single "How You Gonna See Me Now" chegou a 12ª posição da Billboard Hot 100, e o cantor iniciou uma nova turnê com o tema de palco representando um asilo, sendo esses os últimos trabalhos de Alice nos anos 1970.

Alice começou a década de 1980 passando por um grande declínio de popularidade, pois lançou uma sequência de desapontamentos comerciais, já que o cantor usou muitos recursos novos e adotou estilos que desagradaram aos fãs mais antigos e não conquistaram novos; Flush the Fashion, de 1980, soava como música New WaveSpecial Forces, de 1981, mesmo soando mais pesado continuava no estilo do álbum anterior, Zipper Catches Skin, de 1983, soava como power pop, e DaDa, também de 1983, acabou sendo o último disco do contrato com a Warner Bros Records, sendo que nessa época o cantor voltou a ter problemas sérios com a bebida e sua esposa, Sheryl Goddard, pediu o divórcio em 1983, o que levou Alice a voltar para a reabilitação e conseguir realmente se livrar do seu vício, permanecendo sóbrio desde então.

Retorno e sucesso renovado

Após a nova reabilitação, Alice iniciou um hiato para descansar e passar um tempo em casa. O cantor retornou em 1986 com o álbum Constrictor, que chegou a 59ª posição na Billboard 200, sendo promovido com uma nova turnê, dessa vez sem incidentes, que ganhou uma nova produção de palco inspirada em filmes de terror que fizeram sucesso na época, como Friday the 13th e Nightmare on Elm Street; aproveitando o sucesso renovado, Alice lançou Raise Your Fist and Yell em 1987, que chegou a 73ª posição da Billboard 200 e entrou nas paradas de vários outros países ao redor do mundo, permitindo que Alice realizasse uma nova turnê mundial, que serviu para solidificar sua carreira solo permanentemente, embora essa turnê tenha sido encurtada pela morte do pai de Alice, Ether, em 1988.

Em 1989, Alice lançou Trash, que foi um grande sucesso comercial, chegando a 20ª posição da Billboard 200, a 2ª posição da UK Albums Chart no Reino Unido, e a 5ª posição na ARIA Charts, da Austrália, além de ter se destacado nas paradas de vários outros países europeus, permitindo que Alice realizasse uma nova turnê mundial em uma escala maior, com datas em arenas e estádios e que foi declarada na época a turnê de rock mais lucrativa da história até então. Nessa época também foi lançado o single "Poison", que chegou a 7ª posição da Billboard Hot 100 e a 2ª posição da Uk Singles Chart, do Reino Unido, tornando-se o maior sucesso do cantor até hoje.

Em 1991, Alice lançou Hey Stoopid, que seguiu o sucesso comercial do álbum anterior, e a popularidade do cantor o levou a fazer participações especiais em álbuns de vários artistas, como Use Your Illusion I, do Guns N' Roses, e também participações em filmes, como Freddy's Dead: The Final Nightmare, ambos em 1991, assim como uma conhecida participação na comédia Wayne's World, em 1992. Em 1994, Alice lançou The Last Temptation, um álbum conceitual que trata de assuntos como tentação e frustrações cotidianas da vida moderna; o sucesso do álbum levou a uma adaptação para quadrinhos, publicados por Neil Gaiman em 1995. Foi o último álbum Alice por um longo tempo; após o lançamento, o cantor continuou realizando turnês até o fim de 1996, depois iniciando um nova pausa para descansar em casa.

Nova pausa, retorno e dias atuais

A nova pausa de Alice acabou em 2000, quando o cantor lançou Brutal Planet e iniciou uma nova turnê promocional por Estados Unidos e Canadá, que se estendeu posteriormente. A nova turnê mundial do cantor foi um sucesso de público e crítica, e originou o aclamado DVD Brutally Live, em 2001. Ainda em 2001, o cantor lançou Dragontown, também largamente bem recebido, no qual Alice trabalhou de novo ao lado de Bob Erzin; assim como The Last Temptation, o conceito desses dois últimos discos foi criado em cima das perspetivas de fé do cantor sobre fé e religião, com a crítica apontando que esses discos formam uma trilogia, e também são os melhores trabalhos do cantor.

O cantor seguiu desfrutando de um grande sucesso de público e crítica com o álbum The Eyes of Alice Cooper, na qual o cantor decidiu trabalhar ao lado de músicos jovens, pois segundo ele, o cantor queria aproveitar os talentos da geração musical que se dizia tão inspirada por seu trabalho. A turnê baseada nesse disco teve efeitos visuais em menor escala, dando mais atenção a música, o que levou colunistas e críticos a afirmarem que Alice estava provando a todos que não precisava de exageros para fazer um grande espetáculo musical. Nessa época o sucesso da carreira de Alice lhe rendeu vários prêmios e homenagens dos mais diversos tipos, incluindo uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 2003.

Alice ao vivo na Itália em 2011.

Em 26 de janeiro de 2004, Alice estreou um programa de rádio chamado Nights with Alice Cooper, durante o qual o cantor transmite canções diversas escolhidas por ele, compartilha estórias de sua vida com os ouvintes e também conduz entrevistas com personalidades e artistas de todo o tipo. Em 2005 o cantor lançou Dirty Diamonds, seu maior sucesso nas paradas desde 1994, e durante sua nova turnê foi lançado um novo DVDAlice Cooper: Live at Montreux 2005, gravado na Suíça. Nos anos que se seguiram o cantor continuou a realizar turnês extensivamente, lançando Along Came a Spider em 2008, e depois lançando material inédito em Welcome 2 My Nightmare, descrito por Alice como uma continuação para seu sucesso de 1975, e seu último disco até agora.

Em 15 de dezembro de 2010, foi anunciado que Alice, juntamente com a formação original da banda, haviam sido instituídos à Hall da Fama do Rock and Roll, com cerimônia a ser realizada em 14 de março de 2011 e apresentada por Rob Zombie, com participação de todos os membros da banda, exceto Glen Buxton, que morreu em 1997, mas foi substituído por Steve Hunter quando o grupo interpretou as canções "I'm Eighteen" e "School's Out".[6] O cantor já havia iniciado em março de 2011 uma turnê mundial que tem fim previsto para o fim de 2012, que contou com apresentações ao lado de bandas como Iron Maiden e Def Leppard e teve três datas no Brasil, nas cidades de São PauloRio de Janeiro e Porto Alegre.

Em 2015, Alice Cooper passou a integrar o supergrupo Hollywood Vampires, com Johnny Depp e Joe Perry (guitarrista dos Aerosmith),[7] além dos ex-Guns N' Roses, Duff McKagan (baixo) e Matt Sorum (bateria). Fizeram sua estreia no Rock in Rio Las Vegas no meio do ano e tocaram no dia 24 de setembro no Rock in RioBrasil.[8]

Integrantes

  • Alice Cooper – vocal, guitarra, harmônica (1963–presente)
  • Ryan Roxie – guitarra, vocalista de apoio (1996–2006, 2012–presente)
  • Chuck Garric – baixo, vocalista de apoio (2002–presente)
  • Glen Sobel – bateria, percussão (2011–presente)
  • Tommy Henriksen – guitarra, vocalista de apoio (2011–presente)
  • Nita Strauss – guitarra, vocalista de apoio (2014–presente)

Discografia

A discografia de Alice Cooper consiste em vinte e seis álbuns de estúdio, quarenta e seis singles, cinco álbuns ao vivo e vinte e uma coletâneas, sendo que sete dos álbuns de estúdio foram lançados pela banda Alice Copper, e o restante foi lançado por Vincent após ele adotar o pseudônimo Alice Cooper para si mesmo.

Para informações sobre os singles e demais lançamentos visite o anexo relacionado a discografia completa do cantor, a seguir estão listados os principais álbuns de estúdio e ao vivo lançados desde 1969:

Alice Cooper na época do lançamento de No More Mr. Nice Guy (1973)

Lançados com a banda

Alice Cooper durante um concerto em 2012

Carreira solo

Referências

  1. «Alice Cooper» (em inglês). Sickthingsuk.co.uk. Arquivado do original em 6 de dezembro de 2010
  2. «Alice Cooper - Bio of Alice Cooper - Alice Cooper Lives in Phoenix». Phoenix.about.com. 17 de junho de 2010. Consultado em 24 de novembro de 2010
  3. «O que é DeMolay?». Cavaleirosdaluz.org. Arquivado do original em 3 de setembro de 2012
  4. Roqueiro Alice Cooper revela pacto de morte com esposa: "Não poderia viver sem ela"Monet, 23 de junho de 2019.
  5. «Tackling the Mormon Myth about Alice Cooper» (em inglês). Mormonmatters.org. 2012. Consultado em 3 de março de 2013. Arquivado do original em 3 de abril de 2013
  6. Uol (15 de março de 2011). «Hall da Fama do Rock homenageia Neil Diamond e Alice Cooper». Consultado em 10 de dezembro de 2019
  7. Ultimate Classic Rock (14 de fevereiro de 2015). «Alice Cooper e Joe Perry unem forças como os vampiros de Hollywood». Consultado em 10 de dezembro de 2019
  8. Virgula (25 de setembro de 2015). «ROCK IN RIO 2015: HOLLYWOOD VAMPIRES E QUEENS OF THE STONE AGE FAZEM SHOWS DE TIRAR O FÔLEGO». Consultado em 10 de dezembro de 2019

Alice Cooper: O Arquiteto do Shock Rock e Ícone Eterno do Teatro Musical do Terror

Alice Cooper, nome artístico de Vincent Damon Furnier, é uma das figuras mais influentes, controversas e duradouras da história do rock. Nascido em Detroit, em 4 de fevereiro de 1948, Cooper transcendeu a figura tradicional do vocalista de rock para se tornar um verdadeiro arquiteto de espetáculos multisensoriais, fundindo música, performance teatral, cinematografia de terror e crítica social em uma fórmula que redefiniu os limites do entretenimento ao vivo. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, lançou dezenas de álbuns, vendeu mais de 50 milhões de cópias e influenciou gerações de artistas do heavy metal, punk, glam rock e música alternativa. Mais do que um músico, Alice Cooper é um fenômeno cultural: a prova de que o rock pode ser simultaneamente arte, provocação e narrativa.

Origens e Formação: Entre a Fé e o Palco

Vincent Damon Furnier cresceu em um ambiente profundamente religioso. Filho de Ella Mae e Ether Moroni Furnier, seu nome homenageia um tio paterno e o escritor Damon Runyon. O avô, Thurman Furnier, foi apóstolo da Igreja Bickertonita, e o pai atuou como pastor na mesma congregação, além de ser bispo na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Essa formação levou Vincent a participar ativamente da vida paroquial desde os onze anos, integrando o coral e desenvolvendo disciplina vocal e noção de ritmo.
Apesar de receber bolsas integrais para prestigiadas instituições, como a Universidade do Colorado, recusou todas para perseguir a música. A família mudou-se para Phoenix, no Arizona, onde Vincent frequentou uma escola ligada à Ordem DeMolay, sociedade maçônica de cunho filosófico e filantrópico. Criado em lares religiosos, Vincent sempre se declarou um homem de fé, mantendo até hoje a convicção de que suas performances são estritamente trabalho artístico, dissociado de suas crenças pessoais. Essa clara separação entre o homem e o personagem seria fundamental para sua longevidade e integridade psicológica ao longo de uma carreira marcada por imagens de violência, sobrenatural e transgressão.

O Nascimento da Banda e a Invenção do "Vilão" do Rock

Em 1964, Vincent uniu-se a amigos de escola Glen Buxton, Dennis Dunaway, John Speer e John Tatum para participar de um concurso de calouros em Phoenix sob o nome The Earwigs, interpretando músicas dos Beatles fantasiados como a banda britânica. A vitória no certame despertou o gosto pelo palco. O grupo passou a compor material próprio, renomeando-se The Spiders e, posteriormente, The Nazz, com a entrada de Michael Bruce e Neal Smith. Foi nesse período que Vincent adotou o pseudônimo Alice Cooper, nome que mais tarde registraria legalmente.
A banda mudou-se para Los Angeles em 1967 em busca de oportunidades. Após um show desastroso que esvaziou um clube em dez minutos, foram abordados pelo empresário Shep Gordon, que reconheceu seu potencial bruto. Gordon conseguiu uma audiência com Frank Zappa, dono da nascente Straight Records. Confundindo o horário, a banda apareceu às sete da manhã em vez de sete da noite. A disposição de tocar sob aquela circunstância impressionou Zappa, que lhes concedeu um contrato para três álbuns.
O debut, Pretties for You (1969), foi um fracasso comercial e crítico. Contudo, um incidente durante uma apresentação mudaria o destino do grupo: Alice atirou uma galinha viva na plateia, acreditando que ela voaria ou seria resgatada. O animal foi despedaçado pelo público, e a imprensa espalhou o falso boato de que Cooper teria comido a cabeça e bebido o sangue. Longe de se abalar, Alice percebeu que o choque gerava atenção. Decidiu, então, criar intencionalmente um "vilão" no rock, assumindo um visual gótico, sombrio e teatral em contraste com os "heróis" hippies e psicodélicos da época.

A Era de Ouro: Sucesso, Controvérsia e o Teatro do Terror (1971–1973)

A virada ocorreu com a contratação do produtor Bob Ezrin para Love It to Death (1971). Ezrin canalizou a energia caótica da banda em composições estruturadas, resultando no primeiro hit, "I'm Eighteen", que alcançou o topo 20 da Billboard Hot 100. O álbum estabeleceu a fórmula que levaria a banda ao estrelato.
Com contrato renovado pela Warner Bros., lançaram Killer (1971), seguido pelo estrondoso School's Out (1972), cujo single homônimo tornou-se um hino geracional e atingiu o sétimo lugar nos EUA. A turnê que se seguiu enfrentou tentativas de proibição em diversos países, com acusações de corrupção juvenil e influências negativas. Nenhuma censura foi aplicada, e a polêmica apenas amplificou a popularidade do grupo.
Em 1973, Billion Dollar Babies chegou ao primeiro lugar nos EUA e no Reino Unido. O single "Elected" foi pioneiro na produção de videoclipes de rock, antecipando a era da MTV. Foi nessa fase que os shows atingiram seu ápice teatral: guilhotinas reais (com truques de ilusionismo), cadeiras elétricas, cobras vivas, bonecas vodu, sangue falso e figurinos adornados com correntes, aranhas e elementos macabros. A crítica cunhou o termo "teatro do terror", que Alice adotou como definição oficial de seu trabalho. A turnê quebrou recordes de bilheteria e consolidou a formação original como uma das mais inovadoras do rock.

Ruptura, Carreira Solo e a Luta Pessoal

Muscle of Love (1973) foi o último álbum da banda. Divergências criativas surgiram: Alice desejava manter e aprimorar os elementos teatrais, enquanto os demais integrantes buscavam um retorno ao rock mais tradicional. O grupo entrou em hiato, dissolvendo-se oficialmente pouco depois. Em 1975, Vincent Furnier registrou legalmente o nome Alice Cooper e lançou Welcome to My Nightmare, um álbum conceitual produzido por Ezrin que se tornou um clássico imediato e marcou o início bem-sucedido de sua carreira solo.
No entanto, os anos seguintes foram marcados por crises pessoais. O alcoolismo agravou-se, afetando sua saúde e performances. Durante um show em Vancouver, sofreu uma queda grave, fraturou o crânio, foi hospitalizado e, ainda enfaixado, retornou ao palco para encerrar o concerto. Reconhecendo a gravidade da situação, concentrou-se em gravações de estúdio, lançando Alice Cooper Goes to Hell (1976) e, após nova turnê problemática, internou-se em uma clínica de reabilitação.
A experiência na clínica inspirou From the Inside (1978), álbum com o hit "How You Gonna See Me Now", acompanhado de uma turnê temática ambientada em um hospício. Os anos 1970 encerraram-se com Alice estabelecido como artista solo, mas ainda lutando contra dependências e pressões da indústria.

Declínio Comercial, Sobriedade e o Renascimento nos Anos 80

A década de 1980 começou com uma série de experimentos estilísticos que alienaram parte do público tradicional. Flush the Fashion (1980) incorporou elementos new wave; Special Forces (1981) manteve a sonoridade eletrônica; Zipper Catches Skin (1983) flertou com o power pop; e DaDa (1983) encerrou seu contrato com a Warner em meio a críticas e baixas vendas. Paralelamente, o alcoolismo retornou com força, culminando no pedido de divórcio de Sheryl Goddard em 1983.
Foi o ponto de inflexão. Alice entrou novamente em reabilitação e, desta vez, alcançou a sobriedade definitiva. Mantém-se sóbrio desde então, frequentemente citando a recuperação como o alicerce que permitiu sua segunda carreira e longevidade artística.

Retorno Triunfal e Consolidação Global (1986–1994)

Renovado, lançou Constrictor (1986), recuperando o público com uma produção de palco inspirada nos slashers da época. Raise Your Fist and Yell (1987) consolidou o retorno, mas foi Trash (1989) que o catapultou novamente ao topo das paradas. O álbum alcançou o vigésimo lugar na Billboard 200 e o segundo no Reino Unido, impulsionado pelo mega hit "Poison", que se tornou seu maior sucesso comercial. A turnê subsequente foi declarada a mais lucrativa da história do rock até então.
Hey Stoopid (1991) manteve o ímpeto, com participações em álbuns como Use Your Illusion I (Guns N' Roses) e no cinema, em Freddy's Dead: The Final Nightmare e Wayne's World. Em 1994, lançou The Last Temptation, um álbum conceitual sobre fé, tentação e angústia moderna, que ganhou adaptação em quadrinhos roteirizada por Neil Gaiman. Após uma turnê extensa, Alice recolheu-se para um período de descanso e reflexão.

O Século XXI: Legado, Homenagens e Novas Frentes Artísticas

O novo milênio trouxe um retorno produtivo e maduro. Brutal Planet (2000) e Dragontown (2001), novamente produzidos com Bob Ezrin, foram aclamados pela crítica como uma trilogia espiritual sombria que refletia suas visões sobre a condição humana. The Eyes of Alice Cooper (2003) priorizou a música em detrimento da pirotecnia, demonstrando que seu talento vocal e composicional dispensava excessos cênicos. Nesse ano, recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
Em 2004, estreou o programa de rádio Nights with Alice Cooper, mesclando música, histórias pessoais e entrevistas, consolidando-se como uma voz autêntica e acessível da cultura rock. Lançou Dirty Diamonds (2005), Along Came a Spider (2008) e Welcome 2 My Nightmare (2011), este último concebido como uma sequência espiritual de seu clássico de 1975.
Em 2011, foi introduzido no Rock & Roll Hall of Fame junto com a formação original da banda. A cerimônia, apresentada por Rob Zombie, contou com a participação de todos os membros sobreviventes (Glen Buxton havia falecido em 1997), reafirmando seu lugar na história da música. Em 2015, fundou o supergrupo Hollywood Vampires ao lado de Johnny Depp e Joe Perry, homenageando músicos e celebridades falecidos excessivamente jovens, com participações de lendas como Ringo Starr, Elton John e Paul McCartney em gravações e shows. A banda se apresentou em grandes festivais, incluindo o Rock in Rio, reforçando o caráter comunitário e afetivo que Alice sempre cultivou no rock.

Filosofia, Identidade e Impacto Cultural

Alice Cooper sempre manteve uma distinção clara entre Vincent Furnier, o homem de fé, pai de família e sóbrio há décadas, e Alice Cooper, a personagem teatral, o "vilão" necessário que questiona tabus, expõe hipocrisias e transforma o medo em entretenimento. Suas letras, embora frequentemente macabras, abordam temas universais: solidão, vício, crítica social, redenção e a luta humana contra suas próprias sombras. O "shock rock" criado por ele não é gratuitidade; é uma linguagem cênica que utiliza o exagero para provocar reflexão, rir do macabro e desconstruir o mito do rockstar intocável.
Sua influência permeia o heavy metal, o punk, o glam, o industrial e a cultura pop contemporânea. Artistas de Marilyn Manson a Slipknot, de Rob Zombie a Ghost, citam Cooper como referência fundamental na fusão entre música e espetáculo. Seu legado vai além dos palcos: ele ajudou a legitimar o rock como forma de arte performática, provando que o teatro, o cinema e a música podem coexistir em um único ato.

Conclusão

Alice Cooper é muito mais do que um vocalista ou um ícone do horror musical. É um contador de histórias, um inovador cênico e um sobrevivente que transformou crises pessoais em combustível criativo. Sua trajetória é um testemunho de resiliência artística: da galinha atirada ao público aos estádios lotados, do alcoolismo à sobriedade, do fracasso inicial à consagração definitiva.
Vincent Furnier nunca abandonou sua fé, sua família ou seus princípios. Alice Cooper, por sua vez, nunca abandonou o palco. Essa dualidade é o que torna sua obra tão duradoura: o homem permanece íntegro, enquanto a personagem continua a desafiar, entreter e inspirar. Em um cenário musical onde tendências surgem e desaparecem em meses, Alice Cooper permanece como uma lenda viva, prova de que o verdadeiro rock não envelhece — ele se transforma, se reinventa e, acima de tudo, nunca para de cantar.

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