terça-feira, 21 de abril de 2026

Emilinha Borba: A Voz que Reinou na Era de Ouro do Rádio Brasileiro

 

Emilinha Borba
Informações gerais
Nome completoEmília Savana da Silva Borba[1]
Também conhecido(a) comoA Garota Grau Dez
A Eterna Rainha do Rádio
A Favorita da Marinha
A Minha, a Sua, a Nossa Favorita
Nascimento31 de agosto de 1923
Rio de Janeiro (RJ)[1]Brasil
Morte3 de outubro de 2005 (82 anos)
Rio de Janeiro (RJ)[1]
Nacionalidadebrasileira
Gênero(s)Samba
Marchinha de Carnaval
Choro
Bolero
ProgenitoresMãe: Edith da Silva Borba[1]
Pai: Eugênio Jordão Borba[1]
CônjugeArtur Sousa Costa
Filho(a)(s)Artur Emílio[1]
Período em atividade1938 – 2005
Gravadora(s)Columbia
Odeon
Continental
Todamérica
RCA Victor
CBS
Collector's
Revivendo[1]
Afiliação(ões)As Moreninhas[1]
Página oficial

Emília Savana da Silva Borba, conhecida como Emilinha Borba, (Rio de Janeiro31 de agosto de 1923 — Rio de Janeiro, 3 de outubro de 2005) foi uma cantora de sambamarcha e choro brasileira. É considerada uma das mais populares intérpretes do século XX no Brasil.

Biografia

Infância e inicio da carreira

Em 1957.

Emília Savana da Silva Borba, nasceu no Bairro da Mangueira, na cidade do Rio de Janeiro em 31 de agosto de 1923. Era filha de Eugênio Jordão Borba e Edith da Silva Borba.[2]

Ainda menina e contrariando um pouco a vontade de sua mãe, apresentava-se em diversos programas de auditório e de calouros. Ganhou seu primeiro prêmio, aos 14 anos, na "Hora Juvenil", da Rádio Cruzeiro do Sul. Cantou também no programa "Calouros de Ary Barroso", obtendo a nota máxima ao interpretar "O X do Problema", de Noel Rosa. Logo depois, começou a fazer parte dos coros das gravações da Columbia.

Formou, na mesma época, uma dupla com Bidu Reis (Edila Luísa Reis), chamada As Moreninhas. A Dupla se apresentou em várias rádios, durante cerca de um ano e meio. Logo depois, a dupla gravou para a "Discoteca Infantil" um disco em 78 RPM com a música "A História da Baratinha", numa adaptação de João de Barro. Desfeita a dupla, Emilinha passou a cantar sozinha e foi logo contratada pela Rádio Mayrink Veiga, recebendo de César Ladeira o slogan "Garota Grau Dez".[1]

Em 1939, foi convidada por João de Barro para participar da gravação da marcha Pirulito cantada por Nilton Paz, sendo que no disco seu nome não foi creditado, apenas o do cantor.

Em março do mesmo ano grava, pela Columbia e com o nome de Emília Borba, seu primeiro disco solo em 78 RPM, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto, com o o samba-choro Faça o mesmo, de Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão e o samba Ninguém escapa de Eratóstenes Frazão.

Também em 1939, foi levada por sua madrinha artística, Carmen Miranda, de quem sua mãe era camareira, para fazer um teste no Cassino da Urca. Por ser menor de idade resolveu alterar sua idade para alguns anos a mais. Além disso, Carmen Miranda emprestou-lhe um vestido e sapatos plataforma. Aprovada pelo empresário Joaquim Rolla proprietário do Cassino da Urca, foi contratada e passou a se apresentar como "crooner", tornando-se logo em seguida uma das principais atrações daquela casa de espetáculos.


Ainda em 1939, atuou no filme "Banana da Terra", de Alberto Bynton e Rui Costa. Esse filme contava com um grande elenco: Carmen Miranda, Aurora MirandaDircinha BatistaLinda BatistaAlmiranteAloísio de OliveiraBando da LuaCarlos GalhardoCastro BarbosaOscarito e Virgínia Lane, a "Vedete do Brasil".[carece de fontes]

Em 1940, gravou com acompanhamento de Radamés Gnattali e sua orquestra os sambas "O Cachorro da Lourinha" e "Meu Mulato Vai ao Morro", da dupla Gomes Filho e Juraci Araújo. Nesse ano, apareceu nos filmes "Laranja da China", de Rui Costa e "Vamos cantar, de Leo Marten.

No ano seguinte, assinou contrato com a Odeon, gravadora onde sua irmã, a cantora Nena Robledo, casada com o compositor Peterpan já era contratada. Já com o nome de Emilinha Borba, lançou os sambas "Quem Parte leva Saudades", de Francisco Scarambone, e "Levanta José", de Haroldo Lobo e Valdemar de Abreu. Gravou ainda um segundo disco na Odeon com o samba "O Fim da Festa", de Nelson Teixeira e Nelson Trigueiro, e a marcha "Eu Tenho Um Cachorrinho", de Georges Moran e Osvaldo Santiago.

Em 1942, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se meses depois. Em Setembro de 1943, retornou ao "cast" daquela Emissora, firmando-se a partir de então, e durante os 27 anos que lá permaneceu contratada, como a "Estrela Maior" da emissora PRE-8, a líder de audiência.

Enquanto naquela emissora, Emilinha atingiu o ápice de sua carreira artística, tornando-se a cantora mais querida e popular do país. Teve participação efetiva em todos os seus programas musicais, bem como, foi a "campeã absoluta em correspondência" por 19 anos consecutivos (até quando durou a pesquisa naquela emissora) de 1946 à 1964.

Briga com Linda Batista

Em 1942, o cineasta norte-americano Orson Welles estava filmando no Brasil, o documentário inacabado "It's All True" (Tudo é Verdade). Nesta época, Linda Batista era a cantora mais popular do Brasil e a estrela absoluta do Cassino da Urca, de onde Orson Welles não saía.

Enquanto permanecia no Rio de Janeiro em farras e bebedeiras, Welles, inicia um romance com Linda Batista. Até que coloca os olhos em Emilinha, já com postura de futura estrela. O cineasta não perdoa a pouca idade de Emilinha, nem o fato de ela namorar o cantor Nilton Paz. Começa a assediá-la, prometendo levá-la para Hollywood. Também enviava-lhe agrados e bilhetes em que se dizia o "Rei do Café".

Linda Batista, ao saber o que estava acontecendo, descarregava suas frustrações na mãe de Emilinha, camareira no Cassino da Urca, humilhando-a sempre que podia. Até que um dia, Linda cerca Emilinha nos bastidores, dá-lhe alguns tapas e rasga seu melhor vestido com o qual ela se apresentaria dali a pouco.

Orson Welles deixou Emilinha em paz, e voltou para os Estados Unidos. Mas, desde essa época, Linda e Emilinha, nunca mais se deram bem. Segundo Jorge Goulart, Linda Batista usava de todo o seu prestígio como estrela absoluta do Cassino da Urca para dificultar a ascensão de Emilinha Borba naquele espaço.

Rainha do Rádio

Em 1949, Emilinha já era a maior estrela da Rádio Nacional, mas as irmãs Linda Batista e Dircinha Batista eram também muito populares, e as vencedoras, por anos consecutivos, do concurso para Rainha do Rádio. Este torneio era coordenado pela Associação Brasileira de Rádio, sendo que os votos eram vendidos com a Revista do Rádio e a renda era destinada para a construção de um hospital para artistas. Neste ano Emilinha gravou a marcha "Chiquita Bacana" (Primeiro lugar nas paradas de sucesso). Marlene, uma cantora novata apareceu e venceu o concurso de Rainha do Rádio, de forma espetacular. Para tal, recebeu o apoio da Companhia Antarctica Paulista. A empresa de bebidas estava prestes a lançar no mercado um novo produto, o Guaraná Caçula, e, atenta à popularidade do concurso, pretendiam usar a imagem de Marlene, Rainha do Rádio, como base de propaganda de seu novo produto, dando-lhe, em troca, um cheque em branco, para que ela pudesse comprar quantos votos fossem necessários para sua vitória. Assim, Marlene foi eleita com 529 982 votos. Desse modo, originou-se a famosa rivalidade entre os fãs de Marlene e Emilinha, uma rivalidade que, de fato, devia muito ao marketing e que contribuiu expressivamente para a popularidade espantosa de ambas as cantoras pelo país.

Só em 1953, Emilinha foi finalmente coroada como Rainha do Rádio, unicamente com o apoio popular. A quantidade de votos que lhe deu a vitória era maior que a das outras concorrentes somadas.

Grande Sucesso

Os concursos populares, que servem como termômetro de popularidade do artista, sempre foram constantes, e, das pesquisas realizadas, na fase áurea do rádio, 99,9% deram vitória a Emilinha Borba, tornando-a a artista brasileira que possivelmente possui mais títulos, troféus, faixas e coroas.

Nas edições da "Revista do Rádio", "Radiolândia" e do jornal "A Noite", Emilinha se comunicava com seus fãs, amigos e leitores desses órgãos da imprensa, através de colunas como Diário da EmilinhaÁlbum da EmilinhaEmilinha Responde e Coluna da Emilinha.

O simples anúncio de sua presença em qualquer cidade ou lugarejo do país, era feriado local e Emilinha simbolicamente recebia as chaves da cidade e desfilava em carro aberto pelas principais ruas e avenidas sendo aplaudida, ovacionada e acarinhada pelos habitantes e autoridades da localidade.

Devido ao enorme sucesso após o seu terceiro espetáculo realizado no teatro Santa Rosa em João Pessoa (Paraíba) Emilinha teve que cantar em praça pública junto ao Cassino da Lagoa, para um incalculável público, só comparado aos dos comícios de Luiz Carlos Prestes ou Getúlio Vargas.

Emilinha foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo. O laboratório Leite de Rosas até então investia em artistas internacionais (como a orquestra de Tommy Dorsey) e contratou e patrocinou Emilinha por três meses consecutivos em excursão pelo Norte e Nordeste.

Sua foto era obrigatória nas capas de todas as revistas e jornais do país. Na "Revista do Rádio" semana era ela, na seguinte outro artista e na posterior ela novamente. Até agosto de 1995, Emilinha Borba foi a personalidade brasileira que maior número de vezes foi capa de revistas no Brasil, calcula-se aproximadamente umas 350 capas nas mais diversas revistas.

Últimos anos

De 1968 a 1972, Emilinha esteve inativa por problemas de saúde. Teve edema nas cordas vocais e, após três cirurgias e longo estudo para reeducar a voz, voltou a cantar.

Em 2003, após 22 anos sem gravar um trabalho só seu, a Favorita da Marinha lançou o CD "Emilinha Pinta e Borba", com participações de diversos cantores como Cauby PeixotoMarleneNey MatogrossoLuís AirãoEmílio Santiago, entre outros, vendendo este de forma bem popular, na Cinelândia, em contato com o público, assim como Eliana Pittman e Agnaldo Timóteo e, também lançou no início de 2005, o CD "Na Banca da Folia", para o carnaval do mesmo ano, com a participação do cantor Luiz Henrique na primeira faixa - Carnaval Naval da Favorita e de MC Serginho na quinta faixa, Marcha-Funk da Eguinha Pocotó, conforme informa o site Cantoras do Brasil.

Emilinha continuou fazendo espetáculos pelo Brasil inteiro, tendo marcado presença, nos seus três últimos anos de vida, em vários estados brasileiros como PernambucoCearáMato Grosso do SulSão Paulo e Bahia.

Sua arte, admirada e aplaudida por milhões, sempre foi em prol da cultura popular e, assim, carismática Emilinha Borba, cuja trajetória artística, pontilhada de sucessos, personifica-se como verdadeira e autêntica representante da Era de Ouro do Rádio Brasileiro.

Morte

Em fevereiro de 2004, Emilinha foi hospitalizada após cair da cama e fraturar o braço direito.

Em junho de 2005, ela esteve internada após cair de uma escada e sofrer traumatismo craniano e hemorragia intracerebral.

Morreu na tarde do dia 3 de outubro de 2005 de infarto fulminante, enquanto almoçava em seu apartamento no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, aos 82 anos.

Seu corpo foi velado durante toda a noite e pela manhã, por amigos, familiares e fãs, na Câmara dos Vereadores) no Rio de Janeiro e sepultado no Cemitério do Caju.

Filmografia

Filmes

Discografia

CDs

Estes álbuns são em formato compact disc:

  • 1991 Emilinha Borba (Revivendo) CD
  • 2003 Emilinha pinta e borda • CD
  • 2004 Se queres saber • Revivendo • CD

Discos de Vinil

Estes álbuns são em formato LP:

  • 1959 Calendário Musical (Continental)
  • 1960 Emília No País Dos Sucessos (CBS)
  • 1963 Benzinho (CBS)
  • 1965 Amor Da Minha Vida (CBS)
  • 1969 Os Grandes Sucessos De Emilinha Borba (CBS)
  • 1970 Calendário Musical (Continental)
  • 1975 Os Grandes Sucessos De Emilinha Borba (CBS)
  • 1976 Ídolos Da MPB (Continental)
  • 1981 Força Positiva´(formato e gravadora desconhecidos)
  • 1982 Oh! As Marchinhas (Continental/PhonoDisc)
  • 1984 Sempre Emilinha (CBS)
  • 1988 Ídolos Do Rádio (Collector's)
  • 1988 Sempre Favorita (Revivendo)
  • 1990 O Maravilhoso Mundo Musical De Emilinha Borba, Vol. 2 (CBS)
  • 1990 Presença de Emilinha (duplo) (CBS)

Discos de 78 rotações

Estes discos são em formato de 78 rpm:

  • 1939 Faça De Conta (Columbia)
  • 1939 Faça O Mesmo/Ninguém Escapa (Columbia)
  • 1939 Vem Cantar Também/Qual A Razão (Columbia)
  • 1940 O Cachorro Da Lourinha/Meu Mulato Vai Ao Morro (Columbia)
  • 1941 Quem Parte Leva Saudade/Levanta José (Odeon)
  • 1942 O Fim Da Festa/Eu Tenho Um Cachorrinho (Odeon)
  • 1944 Ganhei Um Elefante/Se Eu Tivesse Com Que (Continental)
  • 1945 Ai! Luzia (Continental)
  • 1945 Como Eu Sambei/Você E O Samba (Continental)
  • 1945 Infância (Continental)
  • 1945 O Outro Palpite/Divagando (Continental)
  • 1946 Antes Eu Nunca Te Visse/Acapulco (Continental)
  • 1946 É Um Horror!/Madureira (Continental)
  • 1947 Escandalosa/Rumba de Jacarepaguá (Continental)
  • 1947 Já É De Madrugada/Telefonista (Continental)
  • 1947 Tico Tico Na Rumba (Com Ruy Rey)/Se Queres Saber (Continental)
  • 1948 Barnabé/Que Carnaval! (Continental)
  • 1948 Chiquita Bacana/Porta Bandeira (Continental)
  • 1948 Contraste/Esperar porque? (Continental)
  • 1948 Quem Quiser Ver, Vá Lá/Meu Branco (Continental)
  • 1949 Boca Negra/Tem Marujo No Samba (Continental)
  • 1949 Cabide De Molambo/Caramba! Isto É Samba (Continental)
  • 1949 Capelinha De Melão/Dona Felicidade (Continental)
  • 1949 Casca De Arroz/Eu Já Vi Tudo (Continental)
  • 1949 Deixe Que Amanheça/Eu Sei Estar Na Bahia (Continental)
  • 1949 Escocesa/Boca Rica (Continental)
  • 1950 A Bandinha Do Irajá (Continental)
  • 1950 Baião De Dois/Paraíba (Continental)
  • 1950 Bate O Bumbo/Tomara Que Chova (Continental)
  • 1950 Boa/Jurei (Continental)
  • 1950 Festa Brava/Perdi Meu Lar (Continental)
  • 1950 Vizinho Do 57/Bico Doce (Continental)
  • 1951 Canção De Dalila (Com Trio Madrigal)/Feliz Natal (Com Trio Madrigal e Trio Melodia) (Continental)
  • 1951 Dançando A Rumba (Continental)
  • 1951 Dez Anos/Mambo Do Gato (Continental)
  • 1951 Noite De Luar(Continental)
  • 1951 Urubu Rei/O Beijo Da Paz (Continental)
  • 1952 Aconteceu/Bandolins Ao Luar (Continental)
  • 1952 Bananeira Não Dá Laranja/Catumbi Encheu (Continental)
  • 1952 Cacimbão/Filho De Mineiro (Continental)
  • 1952 Filipeta/Olha A Corda (Todamérica)
  • 1952 Fora Do Samba/Nem De Vela Acesa (Continental)
  • 1952 Mucho Gusto (Continental)
  • 1952 Nosso Amor/Camponesa (Continental)
  • 1952 Se Você Me Deixar/A Música Que Eu Não Ouvi (Continental)
  • 1952 Sua Mulher Vai Ao Baile Comigo (Continental)
  • 1953 A Louca Chegou (Continental)
  • 1953 Acende A Vela/Calúnia (Continental)
  • 1953 Baião De São Pedro Continental
  • 1953 É O Maior(Com Trio Madrigal)/Segure Teu Destino (Continental)
  • 1953 Quando Tu Não Estás/Outono (Continental)
  • 1953 Renunciei/Vai Fazer Um Mês (Continental)
  • 1953 Semana Inteira/Caboclo (Continental)
  • 1953 Você Sabe Muito Bem/Pelo Amor De Deus (Continental)
  • 1954 A Melhor Fruta Da Terra/Ninguëm Bebe Por Prazer (Continental)
  • 1954 Aí Vem A Marinha (Continental)
  • 1954 Ai! Que Medo/Senhorita (Continental)
  • 1954 Noite Nupcial/Os Quindins De Iaiá (RCA Victor)
  • 1954 Os Meus Olhos São Teus/Noite De Chuva (Continental)
  • 1954 Vaya Com Dios(Com Trio Madrigal)/Parabéns São Paulo (Continental)
  • 1955 A Água Lava Tudo (Continental)
  • 1955 Canta Canta Pasarinho/Toada De Amor (Continental)
  • 1955 Chega De Índio/Marcha Do Varunca (Continental)
  • 1955 Deixa Eu, Nego/Canto Do Cisne (Continental)
  • 1955 Em Nome De Deus/Jerônimo (Continental)
  • 1955 Istambul/Lavadeira (Continental)
  • 1955 Pescador Granfino/Vou Me Acabar (Continental)
  • 1955 Saudação Aos Peregrinos/Nova Canaã (Continental)
  • 1956 A ordem Do Rei/Vai Com Jeito (Continental)
  • 1956 Bate O Bife (Continental)
  • 1956 Brasil Fonte Das Artes/Só Não Vejo Você (Continental)
  • 1956 Fandango/Samba Moderno (Continental)
  • 1956 Feliz Ano Novo/É Natal (Continental)
  • 1956 Lembrando Paris/Insensato Coração (Continental)
  • 1956 Meu Benzinho/Beijar (Continental)
  • 1956 Não É Só O Luar/Jóia Rara (Continental)
  • 1956 No Tempo Do Vintém/Tarará Tarará (Continental)
  • 1957 Aqueles Olhos Verdes/Desengano (Continental)
  • 1957 Arranca Minha Vida/Três Caravelas (Continental)
  • 1957 Canção Das Fãs/Mentirosa (Continental)
  • 1957 Chora Na Lama/Fevereiro (Continental)
  • 1957 Corre, Corre Lambretinha (Todamérica)
  • 1957 Mulheres Da Terceira Dúzia/Não Há Remédio (Continental)
  • 1958 Férias De Julho/Canção De Agosto (Continental)
  • 1958 Flor De Março/Chuvas De Abril (Continental)
  • 1958 La Machicha/Patricia (Columbia)
  • 1958 La Machicha/Patrícia (Columbia)
  • 1958 Noites De Junho/Botões De Laranjeira (Continental)
  • 1958 Outra Prece De Amor/Cachito (Columbia)
  • 1958 Primavera No Rio/Em Outubro Vou Pagar (Continental)
  • 1958 X9-O Samba Impossível/Resolve (Columbia)
  • 1959 Amor De Outrora/Renunciei (Columbia)
  • 1959 Mamãe Eu Vou Ás Compras/Na Paz De Deus (Columbia)
  • 1959 Maria Das Dores/Serapião (Columbia)
  • 1959 Menina Direitinha/Vedete (Columbia)
  • 1959 Meu Santo Antônio/Em Meus Braços (Columbia)
  • 1959 Não Comprem Este Disco/Fiorim Fiorelo (Columbia)
  • 1960 A Danada Da Saudade/Alguém (Columbia)
  • 1960 Boa Noite Meu Bem/História Da Minha Vida (Columbia)
  • 1960 Gelo/Marcha Do Pintinho (Columbia)
  • 1960 Me Leva Pro Céu/Intriga (Columbia)
  • 1960 Pensar...Professor/Qual É O Pó? (Columbia)
  • 1961 Chora Que Eu Vou Gargalhar/Meu Cavalo Não Manca (Columbia)
  • 1961 Milhões De Carinhos/Juntinhos É Melhor (Columbia)
  • 1961 Papai E Mamãe/Demorei (Columbia)
  • 1962 Alegria De Pobre/É Brasa (Columbia)
  • 1962 Benzinho/Quero Outra Vez Sentir (Columbia)
  • 1962 Castigo Meu Amor/Filhinho Querido (Columbia)
  • 1962 Pó De Mico/E O Bicho Não Deu (Columbia)
  • 1963 Juro Por Nossa Senhora/É Triste A Minha Canção (Columbia)
  • 1963 Marcha Do Remador/Até O Luar (Columbia)
  • 1963 Minha Verdade/Choro Com Razão (Columbia)
  • 1963 Retrato De Cabral/Cuidado Menina (Columbia)
  • 1964 Menina Da Areia/Quando Você Me Apareceu (CBS)

Maiores Sucessos

Precedida por
Mary Gonçalves
Rainha do Rádio
19531954
Sucedida por
Ângela Maria

Referências

  1.  «Emilinha Borba». Dicionário Cravo Albin
  2. Aguiar, Ronaldo Conde (2010). As divas do Rádio Nacional: as vozes eternas da era de ouro. Col: Série de luxo. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. OCLC 695282294

Emilinha Borba: A Voz que Reinou na Era de Ouro do Rádio Brasileiro

Introdução

Emília Savana da Silva Borba, eternizada no Brasil como Emilinha Borba, foi muito mais do que uma cantora de samba, marcha e choro. Foi um fenômeno cultural, uma pioneira da indústria do entretenimento nacional e a intérprete que melhor encarnou o espírito da Era de Ouro do Rádio. Nascida no Rio de Janeiro em 31 de agosto de 1923 e falecida na mesma cidade em 3 de outubro de 2005, sua trajetória atravessa décadas de transformação social, artística e midiática, mantendo-se, em cada fase, como um dos nomes mais queridos e influentes do século XX no Brasil. Sua voz, seu carisma e sua relação simbiótica com o público moldaram não apenas a música popular, mas a própria noção de celebridade no país.

Infância e os Primeiros Acordes

Emilinha nasceu no bairro da Mangueira, no Rio de Janeiro, filha de Eugênio Jordão Borba e Edith da Silva Borba. Desde criança, demonstrou uma inclinação natural para a música e para o palco, desafiando, por vezes, a vontade da mãe ao buscar espaços onde pudesse cantar. Ainda menina, participou de programas de auditório e de calouros, ambientes que, na época, funcionavam como verdadeiras escolas de arte e lançamento de talentos.
Aos 14 anos, conquistou seu primeiro prêmio na "Hora Juvenil", da Rádio Cruzeiro do Sul. Pouco depois, brilhou no célebre programa "Calouros de Ary Barroso", onde obteve nota máxima ao interpretar "O X do Problema", de Noel Rosa. Esses primeiros êxitos abriram as portas para os estúdios da Columbia, onde começou a integrar coros de gravação, aprendendo nos bastidores a técnica, a disciplina e a linguagem da indústria fonográfica.
Na mesma época, formou a dupla vocal As Moreninhas ao lado de Bidu Reis (Edila Luísa Reis). Por cerca de um ano e meio, as duas percorreram diversas rádios, consolidando a presença de Emilinha no cenário musical carioca. A parceria registrou um disco em 78 RPM para a "Discoteca Infantil", com a música "A História da Baratinha", em adaptação de João de Barro. Com o fim da dupla, Emilinha seguiu carreira solo e foi rapidamente contratada pela Rádio Mayrink Veiga, onde recebeu do radialista César Ladeira o slogan que se tornaria sua marca: "Garota Grau Dez".

A Ascensão, o Cassino da Urca e as Telas

O ano de 1939 foi decisivo. A convite de João de Barro, participou da gravação da marcha "Pirulito", interpretada por Nilton Paz, embora seu nome não tenha sido creditado no disco. Em março do mesmo ano, já sob o nome artístico de Emília Borba, gravou seu primeiro disco solo pela Columbia, acompanhada por Benedito Lacerda e seu conjunto, trazendo o samba-choro "Faça o Mesmo" e o samba "Ninguém Escapa".
Ainda em 1939, uma conexão familiar mudou o rumo de sua carreira: sua mãe era camareira de Carmen Miranda no Cassino da Urca. A diva internacional, percebendo o potencial da jovem, levou-a para um teste na casa de espetáculos mais prestigiada do país. Por ser menor de idade, Emilinha alterou sua idade no documento de inscrição. Carmen Miranda emprestou-lhe um vestido elegante e sapatos plataforma, preparando-a para o momento. Aprovada pelo empresário Joaquim Rolla, foi contratada como crooner e, em tempo recorde, tornou-se uma das principais atrações do Cassino da Urca, dividindo o palco com os maiores nomes da música e do teatro da época.
Sua presença nas telas também se consolidou nesse período. Em 1939, atuou no filme "Banana da Terra", ao lado de um elenco de peso que incluía Carmen Miranda, Aurora Miranda, Dircinha Batista, Almirante, Oscarito e Virgínia Lane. Em 1940, participou de "Laranja da China" e "Vamos Cantar", ampliando sua visibilidade nacional.
Na gravadora Odeon, onde sua irmã, a cantora Nena Robledo, já era contratada, Emilinha lançou sambas que marcaram época, como "Quem Parte leva Saudades" e "Levanta José", além de registrar "O Fim da Festa" e a marcha "Eu Tenho Um Cachorrinho". Cada lançamento reforçava sua versatilidade e seu domínio sobre os gêneros que circulavam entre o morro, o asfalto e o salão.

A Consagração na Rádio Nacional

Em 1942, foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se brevemente antes de retornar ao elenco em setembro de 1943. A partir desse momento, iniciou uma relação institucional e afetiva que duraria 27 anos. Na emissora PRE-8, líder absoluta de audiência, Emilinha não foi apenas uma contratada: foi a "Estrela Maior", o eixo central da programação musical, a voz que os ouvintes esperavam diariamente.
Durante esse período, atingiu o ápice de sua popularidade. Foi eleita "campeã absoluta em correspondência" por 19 anos consecutivos, entre 1946 e 1964, um recorde que refletia a devoção de seu público. Suas cartas não eram apenas fã-clubes; eram diálogos, pedidos, conselhos e declarações de afeto que atravessavam o Brasil. Emilinha respondia, orientava, brincava e se mantinha próxima, construindo uma relação de confiança que o rádio, como meio de comunicação de massa, ainda não havia experimentado com tamanha intensidade.

Rivalidades, Marketing e a Coroa Popular

A trajetória de Emilinha não foi isenta de tensões, especialmente em um meio onde a competição por espaços e visibilidade era feroz. Em 1942, durante as filmagens do documentário inacabado de Orson Welles no Brasil, "It's All True", a cantora Linda Batista reinava absoluta no Cassino da Urca. Welles, atraído por Emilinha, passou a assediá-la, prometendo levá-la a Hollywood e enviando bilhetes e presentes. A situação gerou um clima hostil nos bastidores. Linda, frustrada e ressentida, descontou sua raiva na mãe de Emilinha e, em um episódio marcante, cercou a jovem nos bastidores, deu-lhe tapas e rasgou o vestido que ela usaria no espetáculo. Welles deixou o país e o assédio cessou, mas a rivalidade entre Linda e Emilinha permaneceu latente por anos.
Outro marco de sua carreira foi o concurso "Rainha do Rádio", organizado pela Associação Brasileira de Rádio, cujos votos eram comercializados pela Revista do Rádio e revertidos para a construção de um hospital para artistas. Em 1949, as irmãs Linda e Dircinha Batista dominavam o pódio. Naquele ano, a cantora Marlene, impulsionada por uma campanha massiva da Companhia Antarctica Paulista (que lançava o Guaraná Caçula), venceu com 529.982 votos. A vitória, financiada por uma estratégia de marketing inédita, acendeu uma rivalidade pública entre os fãs de Marlene e Emilinha. Embora alimentada pela imprensa e por interesses comerciais, a disputa elevou a popularidade de ambas a patamares inimagináveis.
Somente em 1953 Emilinha foi coroada Rainha do Rádio. A diferença dessa vitória é que foi orgânica, espontânea e maciça: o número de votos que recebeu superou a soma de todas as outras concorrentes. Não houve patrocínio, nem cheque em branco, nem campanha publicitária. Houve, sim, o reconhecimento puro de um Brasil que a elegeu, carta por carta, voto por voto.

Fenômeno Nacional e Pioneirismo Artístico

As pesquisas de popularidade da época registravam um dado impressionante: em 99,9% dos levantamentos realizados durante a fase áurea do rádio, Emilinha Borba saía vitoriosa. Ela é, possivelmente, a artista brasileira com maior acúmulo de títulos, troféus, faixas e coroas em toda a história do entretenimento nacional.
Sua presença nos veículos de comunicação era constante. Mantinha colunas em revistas e jornais como "Diário da Emilinha", "Álbum da Emilinha", "Emilinha Responde" e "Coluna da Emilinha", espaços onde dialogava diretamente com fãs, amigos e leitores. Quando anunciava uma apresentação em qualquer cidade, o local decretava feriado não oficial. Emilinha recebia simbolicamente as chaves da cidade, desfilava em carro aberto e era ovacionada por multidões que lotavam praças e avenidas.
Após seu terceiro espetáculo no Teatro Santa Rosa, em João Pessoa (Paraíba), a demanda foi tão avassaladora que precisou cantar em praça pública, próximo ao Cassino da Lagoa, diante de um público incalculável, comparado apenas aos comícios de figuras como Luiz Carlos Prestes ou Getúlio Vargas.
Foi também a primeira artista brasileira a realizar uma longa excursão nacional com patrocínio exclusivo. O laboratório Leite de Rosas, que até então investia apenas em nomes internacionais como a orquestra de Tommy Dorsey, contratou Emilinha para uma turnê de três meses pelo Norte e Nordeste. O gesto não apenas consolidou sua projeção regional, como quebrou um paradigma: pela primeira vez, uma artista brasileira era considerada capaz de gerar o mesmo impacto comercial e midiático que um nome estrangeiro.
Sua imagem era onipresente. Nas capas de revistas e jornais, sua presença era obrigatória. Na "Revista do Rádio", uma semana era dela, na seguinte de outro artista, e na posterior, ela retornava. Até agosto de 1995, Emilinha Borba foi a personalidade brasileira que mais vezes estampou capas de revistas no país, com estimativas que ultrapassam 350 aparições nas mais diversas publicações.

Desafios de Saúde e o Retorno Tardio

Nem mesmo o talento e a disciplina blindaram Emilinha contra os rigores da carreira e do tempo. Entre 1968 e 1972, afastou-se dos palcos devido a um edema nas cordas vocais. Submeteu-se a três cirurgias e passou por um longo processo de reeducação vocal, reaprendendo a emitir, sustentar e projetar a voz com segurança. Sua volta foi marcada pela mesma determinação que a guiou nos primeiros anos.
Décadas depois, em 2003, após 22 anos sem lançar um trabalho autoral, a Favorita da Marinha lançou o CD "Emilinha Pinta e Borba". O álbum contou com participações especiais de Cauby Peixoto, Marlene, Ney Matogrosso, Luís Airão e Emílio Santiago, reunindo gerações que a admiravam. O disco foi vendido de forma popular na Cinelândia, em contato direto com o público, reforçando seu vínculo histórico com as ruas e com o povo. No início de 2005, lançou "Na Banca da Folia", voltado ao carnaval, com participação de Luiz Henrique na faixa de abertura e de MC Serginho em "Marcha-Funk da Eguinha Pocotó", demonstrando sua abertura a novos ritmos e sua eterna conexão com a festa popular.
Mesmo na maturidade, continuou percorrendo o Brasil. Em seus três últimos anos de vida, apresentou-se em Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia, provando que o palco continuava sendo sua casa, e o público, sua razão de ser.

Os Últimos Anos e o Adeus

A saúde, porém, cobrou seu preço. Em fevereiro de 2004, foi hospitalizada após cair da cama e fraturar o braço direito. Em junho de 2005, sofreu uma nova queda, desta vez de uma escada, resultando em traumatismo craniano e hemorragia intracerebral. Apesar da fragilidade, manteve-se lúcida e presente na memória coletiva.
Na tarde de 3 de outubro de 2005, enquanto almoçava em seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, foi vítima de um infarto fulminante. Tinha 82 anos. Seu corpo foi velado durante toda a noite e pela manhã na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, onde amigos, familiares e fãs prestaram suas últimas homenagens. Foi sepultada no Cemitério do Caju, em um ato que reuniu não apenas luto, mas gratidão por uma vida dedicada à arte e ao povo.

Legado: Mais que uma Voz, um Símbolo do Brasil

Emilinha Borba não apenas cantou o Brasil; ela o representou em sua essência mais vibrante, afetuosa e resiliente. Sua carreira é um retrato vivo da transição entre o rádio como meio hegemônico de comunicação e a televisão como novo vetor de massa, entre a música de raiz e os arranjos modernos, entre a fama efêmera e a consagração duradoura.
Ela foi pioneira na relação artista-público, antecipando conceitos que só seriam amplamente discutidos décadas depois: engajamento direto, presença midiática constante, gestão de imagem e a compreensão de que a popularidade se constrói na escuta, no respeito e na reciprocidade. Seus 19 anos como campeã de correspondência, suas centenas de capas de revista, suas turnês patrocinadas e suas vitórias orgânicas em concursos de popularidade não são apenas números; são testemunhos de uma época em que a cultura popular era viva, acessível e profundamente humana.
Sua arte sempre esteve a serviço da identidade brasileira. Ela não cantava para impressionar; cantava para conectar. E nesse gesto, simples e poderoso, construiu um legado que transcende gêneros, décadas e modas. Emilinha Borba permanece, na memória coletiva, como a voz que embalou tardes de domingo, que ecoou em rádios de cidades distantes, que transformou marchas em hinos e sambas em abraços sonoros.
Que sua trajetória continue a inspirar artistas, radialistas, pesquisadores e amantes da música brasileira. E que, sempre que uma marcha ecoar, um samba surgir ou uma voz alcançar multidões com sinceridade, o nome de Emilinha Borba seja lembrado não como uma figura do passado, mas como um alicerce perene da cultura que nos define.

Nenhum comentário:

Postar um comentário