sábado, 25 de abril de 2026

Fernanda Takai: A Voz Suave que Transforma o Rock, a MPB e a Poesia em Universo Próprio

 

Fernanda Takai
Fernanda Takai em 2015, no
26º Prêmio da Música Brasileira.
Informações gerais
Nome completoFernanda Barbosa Takai
Nascimento25 de agosto de 1971 (54 anos)
Serra do NavioAP[1]Brasil
Nacionalidadebrasileira
Gênero(s)
Ocupação
CônjugeJohn Ulhoa (c. 1995)
Instrumento(s)
Período em atividade1988—presente
Gravadora(s)
Afiliação(ões)
Página oficialfernandatakai.com.br

Fernanda Barbosa Takai (Serra do Navio25 de agosto de 1971) é uma cantoracompositora e multi-instrumentista brasileira. Embora ainda vocalista da banda Pato Fu, Fernanda lançou-se em 2007 em uma carreira solo com boa repercussão, chegando a gravar um disco em parceria com o ex-guitarrista do The PoliceAndy Summers, em 2012. Além de cantar, Fernanda toca guitarra, violão e compõe para o Pato Fu.

Biografia

Primeiros anos

Nascida na Serra do Navio, cidade no interior do Amapá, é filha de um geólogo e de uma enfermeira. Devido as transferências de trabalho dos seus pais, mudou-se para a Bahia aos dois anos de idade, onde viveu nas cidades de Salvador, por um ano, e em Jacobina, por seis anos. Aos nove anos de idade mudou-se com a família para Belo HorizonteMinas Gerais, onde obteve maiores oportunidades de estudo e a possibilidade de iniciar sua carreira artística. Revelou em entrevistas que uma das primeiras coisas que sentiu diferença ao chegar em Belo Horizonte foi que seus coleguinhas mineiros percebiam seu sotaque baiano, e que o clima em Belo Horizonte era bem mais frio, pois a artista chegou no inverno, o que logo a fez ficar com os lábios rachados. Tentando adaptar-se, revelou que logo se tornou "baianeira".[2][3]

Em sua infância, já era apaixonada por música, e ouvia, especialmente, rock inglês e pop rock, embora tenha crescido, pela influência da família, com a MPB — um dos motivos que a fez produzir um disco solo em homenagem a Nara Leão.[4]

Sua família viveu em Minas Gerais até 1992, quando mudaram-se para Goiânia, em Goiás. Fernanda não pôde ir, e ficou morando sozinha na Capital Mineira, pois estava no último ano do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, onde graduou-se em 1993. Em entrevistas revelou que, se parasse com sua carreira musical, exerceria a profissão na qual se formou. Nesta época já estava começando a fazer apresentações informais e montando sua banda musical. Sua família só voltou de Goiás para morar definitivamente em Belo Horizonte pouco tempo depois, após o falecimento de seu pai. A artista possui um único irmão, mais novo, que é engenheiro.[2][3]

Fernanda Barbosa Takai é descendente de japoneses, por parte de seus avós paternos. Já o seu avô materno era português, e a avó, alagoana.[5]

Fernanda Takai em apresentação, em 2008.

Carreira musical

Fernanda Takai em 2009.

Sua carreira musical começou quando ela entrou para a banda "Data Vênia", onde permaneceu de 1988 até ao fim do grupo em 1992. Na banda "Fernanda e 3 do Povo", assim como em "Data Vênia", não lançou nenhum disco e não alcançou repercussão. Entrou em 1991 para a banda "Sustados por 1 Gesto", que veio a ser o embrião do Pato Fu.

No Pato Fu, Fernanda alcançou popularidade como artista, instrumentista e letrista. O sucesso da banda acabou aparecendo no exterior. Além das canções em português, Fernanda grava com frequência canções em inglês e japonês, tendo já cantado também em francês e espanhol na discografia com o Pato Fu.

Em setembro de 2001, a banda liderada por Takai, Pato Fu, entrou na lista das 10 melhores bandas do mundo, realizada pela revista Time.[6][7]

Formada em Relações Públicas e Comunicação Social pela UFMG em 1993, foi sócia de uma empresa de comunicação visual, a DMJ (esta produziu a capa dos dois primeiros discos da banda). No dia 15 de setembro de 2003, recebeu a Medalha de Honra da Universidade Federal de Minas Gerais em cerimônia realizada no auditório da Universidade.[8][9]

Fora da música, Fernanda realiza postagens em blog e colabora com crônicas nos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. Em novembro de 2007 lançou pela Panda Books seu primeiro livro, Nunca Subestime uma Mulherzinha, uma reunião de crônicas e contos publicados nesses jornais. Segundo Takai escreve no livro, “[...] a gente ainda alimenta algumas ideias moldadas por um certo movimento retilíneo uniforme bobo do nosso cérebro. Pra qualquer assunto temos lá nossas considerações a fazer. E um dos seres mais agraciados com opiniões dos outros somos nós, as mulherzinhas. E o pior: também fazemos parte dessa engrenagem e, de certa forma, nos sabotamos sem querer”. Os textos são tidos como confessionais e humorísticos.

Associação Paulista de Críticos de Arte elegeu o solo Onde Brilhem os Olhos Seus — em que Takai canta canções do repertório de Nara Leão — como o melhor disco de MPB do ano de 2007.[10] Sua maior característica ao lado do Pato Fu é a mistura entre o som da banda − com utilização de guitarras, efeitos eletrônicos, performances de baladas — e seu timbre de voz suave e bastante característico.

Em 2009, Fernanda gravou o registro ao vivo em DVD da turnê, intitulado de Luz Negra, que ganhou diversos prêmios, incluindo Melhor DVD. Nesse show a cantora foi além do repertório de Nara Leão, interpretando também canções como Ben, de Michael JacksonOrdinary World, de Duran Duran, e 5 Discos, de autoria da própria cantora. Com o Pato Fu, Fernanda regravou vários clássicos em 2010 tocados com instrumentos de brinquedo para disco Música de Brinquedo, ganhando grande receptividade do público.

Seu segundo livro foi lançado em 2011, chamado A Mulher Que Não Queria Acreditar, reunindo 40 outros contos que foram originalmente publicados na coluna da escritora no Jornal Estado de Minas. Segundo Fernanda, seus textos são produzidos em seu tempo livre de show da carreira solo ou com o Pato Fu.[11] No mesmo ano, foi convidada para gravar duas canções em português da trilha sonora do filme Winnie The Pooh.

Em 2012, é anunciada a parceria de Fernanda com Andy Summers, ex-integrante do The Police. O guitarrista, além de produtor do disco, também compôs letras especialmente para a voz da cantora. O projeto foi lançado no mesmo ano, sendo que o disco bilíngue possui cinco canções em português e seis em inglês.[12] Chegou a fazer uma participação especial em um show da banda Duran Duran, da qual sempre declarou ser muito fã, cantando junto ao vocalista da banda a canção Ordinary World — que também está em seu DVD solo Luz Negra. No dia 30 de junho de 2012, Fernanda participou do programa Som Brasil, onde interpretou canções do Clube da Esquina.[13]

Em 2013, junto com o marido e parceiro de banda, John Ulhoa, compôs 27 canções para a trilha sonora do espetáculo "Aventuras de Alice no País das Maravilhas", um dos três espetáculos que integraram a chamada "Trilogia do Mundo Moderno" do grupo de teatro de bonecos Giramundo. Fernanda, além da trilha sonora, emprestou sua voz à personagem Alice no espetáculo. A trilha deve ser lançada em CD.

Em 2014, após ganhar verba enviando seu projeto para a Natura Musical, Fernanda anuncia seu quarto disco solo, intitulado Na Medida do Impossível. No disco, ela conta com participações de artistas como Pitty (que compôs com a cantora a faixa Seu Tipo) e Samuel Rosa, com quem divide os vocais na canção Para Curar Essa Dor. Além de parcerias, como com o Padre Fábio de Melo, a cantora ainda assina a autoria de algumas das faixas do disco, como Partida e Quase Desatento.[14] No mesmo ano, anunciou que lançaria, também, um disco de inéditas com sua banda, o Pato Fu.

Em 2017, seu álbum Na Medida do Impossível ao Vivo no Inhotim foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Projeto Gráfico.[15]

Em 2021, seu álbum Será Que Você Vai Acreditar? foi indicado Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.[16]

Em 2022, a se uniu a banda Autoramas em um projeto com canções dos Beatles.[17]

Vida Pessoal

Fernanda é casada desde 1995 com o músico John Ulhoa. Em 2 de outubro de 2003, em Belo Horizonte, através de uma cesariana, nasceu a única filha do casal: Nina Takai Ulhoa.

Filmografia

Trabalhos na televisão

Trabalhos no cinema

Discografia

Solo

AnoDetalhes do ÁlbumSingles
2007Onde Brilhem os Olhos Seus
  1. "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos"
  2. "Trevo de Quatro Folhas"
  3. "Insensatez"
  4. "Ta-Hi"
2010Luz Negra
  1. "O Ritmo da Chuva"
2012Fundamental
2014Na Medida do Impossível
  1. "Seu Tipo"
  2. "Pra Curar Essa Dor (Heal the Pain)
  3. "Amar Como Jesus Amou"
  4. "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme"
2018O Tom da Takai
2020Será Que Você Vai Acreditar?

Com Pato Fu

Colaborações

Videografia

DVDs solo
AnoDetalhes do ÁlbumSingles
2010Luz Negra
  1. "O Ritmo da Chuva"
2017Na Medida do Impossível - Ao Vivo No Inhotim
  1. "Seu Tipo"
  2. "Pra Curar Essa Dor (Heal the Pain)
  3. "Amar Como Jesus Amou"
  4. "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme"
2018O Tom da Takai
DVDs com Pato Fu

Referências

  1. Silva, Samantha (15 de maio de 2014). «'Uma noite feliz', diz Fernanda Takai sobre show do Pato Fu em Poços»G1 Sul de Minas. Consultado em 31 de janeiro de 2021Cópia arquivada em 22 de maio de 2014
  2.  Araújo, Sílvia Amélia de (5 de março de 2008). «Fernanda Takai - A vida no Amapá, na Bahia e em Minas Gerais»japão100.com.brEditora AbrilCópia arquivada em 28 de setembro de 2020
  3.  Julio Maria (1 de abril de 2014). «Fernanda Takai canta música sobre Jesus com uma criatividade desconcertante»Hoje em DiaCópia arquivada em 31 de janeiro de 2021
  4. Lisboa Garcia, Lauro (3 de dezembro de 2007). «Fernanda Takai rende homenagens a Nara Leão»Estadão. Consultado em 31 de janeiro de 2021Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2021
  5. Mikevis, Dayanne (17 de janeiro de 2008). «Fernanda Takai "despertou" para idioma japonês já adulta»Folha de S.PauloCópia arquivada em 26 de outubro de 2017
  6. «Pato Fu é apontada como uma das 10 melhores bandas do mundo»Folha de S.Paulo. 27 de setembro de 2001. Consultado em 31 de janeiro de 2021Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2021
  7. Butler, Rhett (15 de setembro de 2001). «Best Bands: And Our Winners Are...» [Melhores bandas: E nossos vencedores são...] (em inglês). Time. Consultado em 26 de maio de 2008Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2021
  8. «Universidade homenageia ex-alunos ilustres». Universia. 11 de setembro de 2003. Consultado em 5 de outubro de 2016. Arquivado do original em 27 de março de 2019
  9. «Ex-Alunos UFMG - DESTAQUE 2003»UFMG. 15 de setembro de 2003. Consultado em 31 de janeiro de 2021. Arquivado do original em 2 de março de 2006
  10. «Fernanda Takai canta Nara Leão em apresentações em SP»Guia FolhaFolha de S.Paulo. 20 de junho de 2008. Consultado em 31 de janeiro de 2021Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2019
  11. «Fernanda Takai lança novo livro de crônicas». O Grito!. 11 de agosto de 2011. Consultado em 31 de janeiro de 2021Cópia arquivada em 22 de outubro de 2020
  12. «Fernanda Takai vai gravar disco com guitarrista do Police»Veja. 16 de fevereiro de 2012. Cópia arquivada em 31 de janeiro de 2021.
  13. «Fernanda Takai participa do Som Brasil em homenagem ao Clube da Esquina»Globo.com. 25 de junho de 2012
  14. «Fernanda Takai divulga dueto com Samuel Rosa»Rolling Stone. 19 de fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 27 de março de 2019
  15. Ceccarini, Viola Manuela (20 de novembro de 2017). «The 18th Latin GRAMMY Awards in Las Vegas» [O 18.º Prêmio GRAMMY Latino em Las Vegas]Livein Style (em inglês). Consultado em 28 de dezembro de 2017Cópia arquivada em 20 de outubro de 2020
  16. Tozzato, Luíza (18 de novembro de 2021). «Grammy Latino 2021: Veja a lista completa de vencedores»POPline. Consultado em 30 de dezembro de 2021
  17. Autora

Fernanda Takai: A Voz Suave que Transforma o Rock, a MPB e a Poesia em Universo Próprio

Nascida no interior do Amapá e criada entre o calor da Bahia e o frio mineiro, Fernanda Takai não é apenas a voz inconfundível do Pato Fu. É uma artista completa: cantora, compositora, multi-instrumentista, escritora e curadora cultural. Com uma trajetória que atravessa décadas e gêneros, ela soube equilibrar a energia do rock independente com a delicadeza da MPB, o experimentalismo eletrônico e a narrativa intimista de suas crônicas. Mais do que uma intérprete, Fernanda é uma tradutora de emoções, capaz de fazer de uma guitarra distorcida e de um verso cantado em voz baixa a mesma linguagem universal.

Raízes e Primeiros Acordes

Serra do Navio, 25 de agosto de 1971. Filha de um geólogo e uma enfermeira, sua infância foi marcada por deslocamentos. Aos dois anos, seguiu a família para a Bahia, onde viveu em Salvador e em Jacobina. Aos nove, o destino os levou a Belo Horizonte. Foi em Minas que Fernanda encontrou o chão fértil para seus estudos e para o despertar artístico. Formou-se em Comunicação Social pela UFMG em 1993 e chegou a ser sócia de uma agência de comunicação visual, experiência que a ajudou a compreender a imagem como extensão inevitável da música.
Sua herança familiar é um mosaico que se reflete na abertura de sua sensibilidade: avós paternos japoneses, avô materno português e avó alagoana. Desde a infância, entre discos de rock inglês, pop rock e a MPB que ouvia em casa, já se desenhava a artista que valorizaria tanto a batida quanto a palavra. Em entrevistas, lembra com humor a chegada a Belo Horizonte no inverno: lábios rachados, sotaque baiano notado pelos colegas e a rápida adaptação que a tornou, nas suas próprias palavras, uma "baianeira" mineira.

O Pato Fu e a Conquista do Mundo

A música de Fernanda ganhou corpo nos palcos informais de BH e nas primeiras formações: Data Vênia (1988-1992), Fernanda e 3 do Povo e, finalmente, Sustados por 1 Gesto, que em 1991 se transformaria no embrião do Pato Fu. Com a banda, ela se tornou um ícone do rock alternativo brasileiro, não apenas pela voz aveludada e reconhecível, mas por sua atuação como compositora, guitarrista e violinista.
O Pato Fu rompeu fronteiras. Em setembro de 2001, figurou entre as dez melhores bandas do mundo pela revista Time, um feito raro para um grupo que cantava majoritariamente em português e construiu seu caminho à margem das grandes indústrias. Seu som é uma alquimia única de guitarras, efeitos eletrônicos, arranjos surpreendentes e letras que transitam entre o português, o inglês, o japonês e, pontualmente, o francês e o espanhol. A suavidade de sua voz contrasta propositalmente com a densidade instrumental, criando uma assinatura sonora que é, ao mesmo tempo, etérea e visceral. Em 2010, o projeto Música de Brinquedo, no qual a banda regravou clássicos utilizando apenas instrumentos de brinquedo, demonstrou mais uma vez a capacidade do grupo de reinventar o óbvio com inteligência e lirismo.

Voo Solo: MPB, Rock e Parcerias Internacionais

Em 2007, Fernanda decidiu voar sozinha. Lançou Onde Brilhem os Olhos Seus, um tributo a Nara Leão que a Associação Paulista de Críticos de Arte elegeu o melhor disco de MPB do ano. O projeto revelou uma intérprete que respeita a tradição sem se prender a ela, respirando nova vida em clássicos com arranjos contemporâneos e uma produção que dialogava com o presente.
O sucesso deu origem ao DVD Luz Negra (2009), que expandiu o repertório para incluir covers de Michael Jackson e Duran Duran, além de composições autorais. Em 2012, veio a parceria internacional com Andy Summers, ex-guitarrista do The Police. O álbum bilíngue, produzido e parcialmente escrito por Summers, mesclou rock atmosférico, pop delicado e a voz de Fernanda em cinco faixas em português e seis em inglês, consolidando seu trânsito entre cenários distintos.
Em 2014, Na Medida do Impossível mostrou sua maturidade artística em estado pleno. Com participações de Pitty, Samuel Rosa e Padre Fábio de Melo, o disco misturou ironia, melancolia e reflexões sobre o tempo e as escolhas. O projeto ao vivo registrado em Inhotim (2017) rendeu indicação ao Grammy Latino de Melhor Projeto Gráfico. Em 2021, Será Que Você Vai Acreditar? foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, reconhecendo não apenas a música, mas a coesão conceitual de sua obra. Em 2022, uniu-se ao Autoramas para revisitar os Beatles, provando que sua curiosidade artística não conhece limites nem cronologias.

Entre Palcos e Páginas: Teatro e Literatura

A criatividade de Fernanda não se restringe aos estúdios. Em 2013, compôs 27 canções para Aventuras de Alice no País das Maravilhas, um dos espetáculos da "Trilogia do Mundo Moderno" do Grupo Giramundo, e emprestou a voz à protagonista. O trabalho exigiu não apenas composição, mas dramaturgia sonora, reforçando seu instinto narrativo.
Sua escrita, por sua vez, ganhou livro. Nunca Subestime uma Mulherzinha (2007) e A Mulher Que Não Queria Acreditar (2011) reúnem crônicas publicadas no Correio Braziliense e no Estado de Minas. Seus textos são confessionais, irônicos e profundamente humanos, refletindo sobre a condição feminina, as armadilhas do cotidiano e a beleza das pequenas contradições. Fernanda escreve nos intervalos entre shows, mas cada palavra parece nascida de uma escuta atenta do mundo. Como ela mesma reflete: “A gente ainda alimenta algumas ideias moldadas por um certo movimento retilíneo uniforme bobo do nosso cérebro. E um dos seres mais agraciados com opiniões dos outros somos nós, as mulherzinhas”.

Vida Pessoal e Legado

Fora dos palcos e das páginas, Fernanda constrói uma vida discreta e sólida. Casada desde 1995 com John Ulhoa, guitarrista e parceiro de banda, compartilham não apenas a vida, mas o ofício. Em 2003, nasceu Nina, única filha do casal. A família é seu porto seguro, o equilíbrio entre a estrada e o lar, entre a exposição pública e a intimidade preservada.
Fernanda Takai é a prova de que a delicadeza não é sinônimo de fragilidade. Sua voz, que parece sussurrar, carrega a força de quem já subiu palcos internacionais, já dividiu créditos com lendas do rock, já escreveu livros e já emocionou multidões com a mesma naturalidade com que respira. Ela não segue modas; as observa, as questiona e, quando cabe, as transforma em arte. Do rock mineiro à MPB, do inglês ao português, da guitarra ao texto escrito, Fernanda Takai segue compondo seu próprio mapa — e nos convida a caminhar por ele, não como espectadores, mas como cúmplices de uma jornada que ainda está longe de terminar.

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