terça-feira, 28 de abril de 2026

Joshua Homme: O Arquiteto do Rock do Deserto e Mestre da Reinvenção Sonora

 

Josh Homme
Josh Homme.
Josh Homme tocando no Wireless Festival de 2007.
Informações gerais
Nome completoJoshua Michael Homme III
Também conhecido(a) comoCarlo Von Sexron
Baby Duck
JHo
Nascimento17 de maio de 1973 (52 anos)
Joshua TreeCalifórniaEstados Unidos
Gênero(s)hard rock
stoner rock
Instrumento(s)vocal
guitarra
bateria
baixo
piano
banjo
Período em atividade1989 - presente
Gravadora(s)Interscope Records
Rekords Rekords
Afiliação(ões)Queens of the Stone Age
Eagles of Death Metal
The Desert Sessions
Screaming Trees
Mondo Generator
Masters of Reality
Kyuss
Them Crooked Vultures Iggy Pop

Joshua Michael Homme III (Joshua Tree17 de maio de 1973) é um músico norte-americano. Foi membro fundador da banda de stoner rock Kyuss, assim como o membro fundador e único remanescente da banda de stoner rock Queens of the Stone Age, na qual canta, toca guitarra, compõe e ocasionalmente toca baixo. Ele co-fundou e ocasionalmente toca com o Eagles of Death Metal como baterista, e continua a produzir e lançar uma série de álbuns de improvisação com outros músicos, a maior parte da Palm Desert Scene, conhecida como The Desert Sessions.

História

Começo

A família Homme é de origem norueguesa. Nascido em Joshua TreeCalifórnia, cresceu nos subúrbios de Palm Desert. Enquanto estudava em escolas paroquiais e públicas, Homme sentia desgosto pelos seus professores e era rebelde. Diferente da maior parte de seus colegas de classe, que vinham de famílias abonadas, o pai de Homme trabalhou como gerente e servente de diversos hotéis e motéis, o pouco dinheiro às vezes era motivo rejeição pelos amigos quando adolescente, após se inspirar em Jimmy Page do Led Zeppelin. Seus primeiros álbuns incluem Led Zeppelin, Pink Floyd e vários lançamentos underground do Pentagram e Black Flag. Suas maiores influências musicais são comumente atribuídas a Steppenwolf, Led Zeppelin, e Black Flag, entre outros.

Kyuss

Com 15 anos, em 1988, Homme formou uma banda local de stoner rock em Palm Desert chamada Sons of Kyuss (mais tarde encurtada para Kyuss) na qual era guitarrista. A banda se tornou um fenômeno cult durante os anos 1990. Homme, que não gostava da cena de drogas de Los Angeles e já se referiu a ela como a "cena de pessoas idiotas", gostava mais de dirigir durante horas para lugares isolados no deserto e se plugar a geradores para tocar. Enquanto a banda escrevia muitas canções sobre fortalecimento, um tema comum no stoner rock, as letras de Homme mostravam um tom mais obscuro, focando em temas mais comuns do doom metal. Como resultado, Homme foi várias vezes descrito na imprensa como o "Kurt Cobain dos roqueiros do deserto", o que ele levou como elogio.

Queens of the Stone Age

O Kyuss acabou em 1995 e após considerar ir para a University of Washington em Seattle, Homme embarcou em uma turnê com a banda grunge Screaming Trees como seu segundo guitarrista. Ele e o vocalista Mark Lanegan se tornaram grandes amigos durante este tempo em turnê, e Homme mais tarde recrutaria Lanegan como vocalista adicional para o Queens of the Stone Age. Não gostando das brigas constantes da banda e falta de progressão, Homme deixou o grupo após menos de um ano. Ele montou um grupo mais centrado a seu estilo único e gostos fundando Gammaray, que mais tarde se tornou Queens of the Stone Age em 1997. QOTSA lançou seu álbum homônimo em 1998. Ele se tornou um sucesso cult imediato tanto entre críticos e antigos fãs do Kyuss.

Seguindo seu début, a banda lançou diversos singles e EP. Com seu próximo álbum, Rated R, Homme procurou uma abordagem mais conceitual. Suas letras foram centradas na mídia dos anos 1990. A natureza gráfica das canções do álbum atraíram críticas de grupos familiares, que foram contra as letras em que se discutiam assassinato, sexualidade e suicídio. Apesar desta controvérsia, o All Music Guide mencionou o álbum como sendo o "renascimento do real rock de guitarra", colocando a banda de Homme na mesma categoria que o álbum homônimo do Led Zeppelin e Nevermind do Nirvana por sua inspiração.

Projetos paralelos

Josh Homme tocando com o projeto paralelo, Desert Sessions, no festival Coachella.

Outros atos que Homme colaborou incluem Mondo GeneratorFoo FightersPJ HarveyFatso JetsonMark Lanegan BandTrent ReznorMasters of RealityWellwater ConspiracyMelissa Auf Der MaurPaz LenchantinA Perfect CircleDeath from Above 1979MastodonPeaches,Arctic Monkeys e Local H.

Homme apareceu em Killer Queen: A Tribute to Queen na canção "Stone Cold Crazy", em Blood Mountain do Mastodon, na canção "Colony of Birchmen", e em Impeach My Bush pela Peaches na canção "Give 'Er".

Homme, junto com amigos e o produtor e contribuidor do Kyuss/QOTSA, Chris Goss, tocaram como The 5:15ers na inauguração de ArthurBall (um offshoot do festival ArthurFest) em Los Angeles em 26 de janeiro de 2006.[1] Os dois foram creditados como "The Fififf Teeners" quando produziram o segundo álbum do QOTSA, Rated R, e seu último, Era Vulgaris.

Em 2009, surgem rumores da formação de um novo "Power Trio", com Josh Homme (Queens of the Stone Age) nas guitarras e vocais, John Paul Jones (Led Zeppelin) no baixo e teclados e Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters) na bateria. Esse novo trio denomina-se "Them Crooked Vultures", e as primeiras impressões musicais já demonstram uma forte ligação com o estilo "Led Zeppelin" de se fazer música.[2]

Também em 2009, Homme produziu o disco da banda alternativa inglesa, Arctic Monkeys, o álbum Humbug; que foi muito comentado pela crítica e pelos fans por conter uma sonoridade completamente diferente da levada indie de antes. O CD contem um clima bem experimental e, de certa forma, sombrio; bem ao "estilo Homme".

Em 2016, colaborou com Iggy Pop, Homme foi responsável pela produção do álbum Post Pop Depression. Participou da produção do album Joanne, da cantora Lady Gaga. Josh co-compôs e co-produziu "Diamond Heart" e tocou guitarra na mesma faixa e em "A-Yo", "John Wayne" e "Sinner's Prayer".

Discografia

Eagles of Death Metal

Kyuss

Mondo Generator

Queens of the Stone Age

U.N.K.L.E.

Them Crooked Vultures

Referências

  1. Muller, Ben. The 5:15ers with Josh Homme and Chris Goss Arquivado em 28 de setembro de 2007, no Wayback Machine.. Ice Cream Man. Retirado em 20 de outubro de 2007.
  2. Yahoo Notícias: A era dos supergrupos e dos power trios não acabou. Disponível em <http://br.noticias.yahoo.com/s/12082009/48/entretenimento-dos-supergrupos-dos-power-trios.html Arquivado em 16 de agosto de 2009, no Wayback Machine.>.

Joshua Homme: O Arquiteto do Rock do Deserto e Mestre da Reinvenção Sonora

Introdução

Joshua Michael Homme III, nascido em 17 de maio de 1973 em Joshua Tree, Califórnia, é um dos músicos mais influentes, versáteis e respeitados do rock alternativo contemporâneo. Conhecido mundialmente como fundador, vocalista, guitarrista e principal compositor do Queens of the Stone Age, Homme também se destaca como baterista do Eagles of Death Metal, criador do projeto colaborativo The Desert Sessions e produtor musical de grande prestígio. Sua carreira é marcada por uma recusa deliberada em seguir tendências passageiras, privilegiando instead a autenticidade, a experimentação e uma estética sonora profundamente enraizada na paisagem e na cultura do deserto californiano.

Infância, Rebeldia e Primeiras Influências

De ascendência norueguesa, Homme cresceu nos subúrbios de Palm Desert. Durante a adolescência, frequentou escolas paroquiais e públicas, onde desenvolveu um perfil questionador e um certo desdém pela autoridade docente. Diferente de muitos colegas provenientes de famílias abastadas, seu pai trabalhava como gerente e atendente em hotéis e motéis, e a condição financeira modesta da família chegou a gerar situações de exclusão social durante sua juventude. Nesse contexto, a música tornou-se seu refúgio e sua válvula de escape.
Inspirado inicialmente por Jimmy Page e pelo Led Zeppelin, Homme mergulhou no rock clássico e no underground, absorvendo influências de Pink Floyd, Pentagram e Black Flag. Bandas como Steppenwolf e Led Zeppelin, aliadas à energia crua do punk e à densidade do metal, moldariam sua identidade artística. Foi nesse caldeirão sonoro que ele começou a desenvolver o estilo que mais tarde definiria uma geração inteira de músicos.

A Gênese do Kyuss e a Cena do Deserto

Aos 15 anos, em 1988, Homme fundou a banda Sons of Kyuss, posteriormente renomeada para Kyuss. Pioneira no stoner rock, a banda rapidamente se tornou um fenômeno cult nos anos 1990. Enquanto muitos artistas da época buscavam o circuito tradicional de Los Angeles, Homme rejeitava o que costumava chamar de "cena de pessoas idiotas" e da cultura das drogas da metrópole. Preferia dirigir por horas até locais isolados no deserto, conectando amplificadores a geradores e criando shows íntimos e intensos sob o céu aberto.
Embora o stoner rock frequentemente abordasse temas de resistência e fortalecimento, as letras de Homme carregavam um tom mais sombrio e introspectivo, aproximando-se do doom metal. Essa combinação de riffs pesados, atmosfera desértica e lirismo obscuro levou a imprensa a compará-lo a Kurt Cobain no universo do rock do deserto, alcunha que o músico sempre recebeu como elogio. O Kyuss encerrou suas atividades em 1995, deixando um legado que influenciaria diretamente o rock pesado e alternativo das décadas seguintes.

Queens of the Stone Age: Consolidação e Reconhecimento Crítico

Após o fim do Kyuss, Homme considerou ingressar na Universidade de Washington, em Seattle, mas acabou embarcando em uma turnê com o Screaming Trees como segundo guitarrista. Durante esse período, estreitou laços com o vocalista Mark Lanegan, que mais tarde se tornaria colaborador frequente do Queens of the Stone Age. Insatisfeito com as constantes divergências internas e a falta de evolução criativa do grupo, Homme deixou a banda em menos de um ano e fundou o Gamma Ray, projeto que logo seria rebatizado de Queens of the Stone Age (QOTSA) em 1997.
O álbum de estreia, homônimo, foi lançado em 1998 e alcançou status cult imediato, conquistando tanto a crítica quanto os fãs remanescentes do Kyuss. O segundo disco, Rated R (2000), marcou uma guinada conceitual. Com letras que refletiam criticamente sobre a mídia e a cultura dos anos 1990, o trabalho abordou temas como violência, sexualidade e suicídio, o que gerou polêmica entre grupos conservadores. Apesar das controvérsias, a obra foi amplamente aclamada. O AllMusic Guide descreveu-o como um "renascimento do verdadeiro rock de guitarra", equiparando seu impacto histórico a álbuns seminais como Led Zeppelin I e Nevermind, do Nirvana. A partir daí, o QOTSA se consolidou como uma das bandas mais inovadoras do rock moderno, com Homme na liderança criativa, vocal, guitarra e, ocasionalmente, baixo.

Projetos Paralelos, Colaborações e The Desert Sessions

A versatilidade de Homme se estende muito além do QOTSA. Ele é co-fundador e baterista do Eagles of Death Metal, projeto que mistura punk rock com energia teatral e humor ácido. Além disso, mantém ativo o The Desert Sessions, uma série de álbuns improvisados e colaborativos que reúnem músicos da cena de Palm Desert e convidados internacionais, funcionando como um laboratório criativo constante e um registro vivo da evolução do rock alternativo.
Sua lista de colaborações é extensa e diversificada: participou de gravações e turnês com Mondo Generator, Foo Fighters, PJ Harvey, Fatso Jetson, Mark Lanegan Band, Trent Reznor, Masters of Reality, Wellwater Conspiracy, Melissa Auf der Maur, Paz Lenchantin, A Perfect Circle, Death from Above 1979, Mastodon, Peaches, Arctic Monkeys e Local H. Entre participações notáveis, destaque para "Stone Cold Crazy" no álbum tributo Killer Queen, a faixa "Colony of Birchmen" no disco Blood Mountain, do Mastodon, e "Give 'Er" no álbum Impeach My Bush, de Peaches.
Em 2006, Homme e o produtor Chris Goss, figura-chave na cena do Kyuss/QOTSA, se apresentaram como The 5:15ers na inauguração do ArthurBall, em Los Angeles. A dupla também foi creditada como "The Fififf Teeners" na produção de Rated R e Era Vulgaris, último álbum do QOTSA naquela fase.

Supergroupos e Carreira como Produtor

Em 2009, Homme uniu forças com dois gigantes do rock: John Paul Jones (Led Zeppelin) e Dave Grohl (Nirvana/Foo Fighters). Juntos, formaram o supergrupo Them Crooked Vultures, um power trio que resgatou a essência do hard rock clássico com uma abordagem moderna, recebendo aclamação crítica por sua química instrumental e composições vigorosas.
Na mesma década, Homme expandiu seu legado como produtor musical. Em 2009, comandou as sessões de Humbug, dos Arctic Monkeys, imprimindo ao álbum uma atmosfera experimental e sombria que contrastava com o indie rock anterior da banda, mas foi elogiada pela crítica por sua maturidade sonora. Em 2016, produziu Post Pop Depression, de Iggy Pop, revitalizando a carreira do lendário vocalista com um som denso, atmosférico e minimalista. No mesmo ano, contribuiu para Joanne, de Lady Gaga, coescrevendo e coproduzindo "Diamond Heart" e tocando guitarra em faixas como "A-Yo", "John Wayne" e "Sinner's Prayer", demonstrando sua capacidade de transitar entre gêneros e públicos distintos sem perder sua identidade artística.

Legado e Impacto Cultural

Joshua Homme é muito mais do que um guitarrista ou vocalista; é um arquiteto sonoro que redefine constantemente os limites do rock contemporâneo. Do isolamento criativo do deserto californiano aos grandes palcos internacionais, sua carreira é marcada por autenticidade, experimentação e uma recusa em seguir fórmulas comerciais. Seja liderando o Queens of the Stone Age, comandando baterias no Eagles of Death Metal, orquestrando colaborações no The Desert Sessions ou moldando o som de artistas consagrados como produtor, Homme permanece como uma força vital e influente na música moderna.
Sua trajetória prova que a verdadeira inovação nasce da liberdade criativa, da coragem de explorar o desconhecido e da fidelidade a uma visão artística intransigente. Mais de três décadas após formar sua primeira banda, Joshua Homme continua a inspirar novas gerações de músicos, mantendo vivo o espírito de um rock que é, acima de tudo, humano, visceral e profundamente enraizado na terra que o viu nascer.

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