terça-feira, 28 de abril de 2026

John Hiatt: O Poeta do Rock-Americana e Sua Jornada Musical

 

John Hiatt
John Hiatt no South by Southwest de 2010
Informações gerais
Nome completoJohn Robert Hiatt
Nascimento20 de agosto de 1952
IndianápolisIndianaEstados Unidos
Gênero(s)
Filho(a)(s)3
Instrumento(s)Vocalviolãopiano, teclado
Período em atividade1972–atualmente
Gravadora(s)MCAA&MGeffenVanguardNew West Records
Página oficialwww.johnhiatt.com

John Robert Hiatt (20 de agosto de 1952) é um cantor e compositor estadunidense.[1][2] Ele tocou uma variedade de estilos musicais em seus álbuns, incluindo new waveblues e country. Hiatt foi indicado para nove prêmios Grammy[3] e foi premiado com outras distinções na indústria da música.

John estava trabalhando como compositor para a Tree International, uma gravadora em Nashville, quando sua música " Sure As I'm Sittin' Here " foi regravada por Three Dog Night.[1] A música se tornou um hit Top 40, propiciando a John um contrato de gravação com a Epic Records. Desde então, ele lançou 22 álbuns de estúdio, dois álbuns de compilação e um álbum ao vivo.

Infância

Hiatt nasceu em 1952, filho de Robert e Ruth Hiatt, o sexto de sete filhos de uma família católica romana de IndianápolisIndiana. Quando ele tinha 9 anos, o irmão de 21 anos dele, Michael, morreu por suicídio. Dois anos depois, seu pai morreu após uma longa doença.[4] Para escapar do estresse de sua infância, John assistia às corridas da IndyCar e ouvia Elvis PresleyBob Dylan e blues. John conta que um dia chegou a roubar um Ford Thunderbird com amigos, um crime pelo qual ele foi pego pelos proprietários, mas do qual escapou, fingindo que tinha apenas pego carona. Ele aprendeu a tocar violão quando tinha 11 anos e começou sua carreira musical em Indianápolis ainda adolescente.[5]

Carreira

John mudou-se para NashvilleTennessee, quando tinha 18 anos e conseguiu um emprego como compositor para a Tree-Music Publishing Company por um salário semanal de US$ 25.[5]

Início da carreira solo (1974-1978)

John conheceu Don Ellis da Epic Records em 1973, e recebeu um contrato de gravação, lançando seu primeiro single, "We Make Spirit", no final daquele ano. Nesse mesmo ano, John escreveu a música "Sure as I'm Sitting Here", gravada por Three Dog Night.[1]

Em 1974, Hiatt lançou Hangin' Around the Observatory, que foi um sucesso de crítica, mas um fracasso comercial. Um ano depois, Overcoats foi lançado e, como também não conseguiu vender bem, ocasionou o fim do contrato com a Epic Records.[1]

Anos da MCA/Geffen (1979–1986)

John foi escolhido pelo selo MCA em 1979. Ele lançou dois álbuns para a gravadora - Slug Line (1979) e Two Bit Monsters (1980) - nenhum dos quais teve sucesso comercial. Ele recebeu algumas boas críticas para esses álbuns por críticos na Holanda. Ele se apresentou no Paradiso em Amsterdã pela primeira vez em 1979 (abrindo para Southside Johnny & The Asbury Jukes ) e voltou com frequência e construiu uma base sólida de fãs. Em 1982, "Across the Borderline", escrito por Hiatt com Ry Cooder e Jim Dickinson, apareceu na trilha sonora do filme The Border, cantado pela estrela country Freddy Fender. A canção foi posteriormente regravada em álbuns de Willie NelsonPaul YoungRubén Blades e Willy DeVille, entre outros, bem como por Bruce Springsteen e Bob Dylan em concerto. John assinou em 1982 com a Geffen (que mais tarde absorveu a MCA), onde gravou três álbuns diversos de 1982 a 1985. O primeiro, All of a Sudden, foi produzido por Tony Visconti,[1] e contou com o uso de teclados e sintetizadores; seus álbuns futuros combinaram influências country e soul. Riding with the King apareceu em 1983, produzido por Scott Mathews, Ron Nagle e Nick Lowe.[1]

John gravou um dueto com Elvis Costello, uma versão cover da música dos Spinners "Living a Little, Laughing a Little", que apareceu em Warming Up to the Ice Age.[1] Pouco depois de seu lançamento, Bob Dylan fez um cover da sua música "The Usual", que havia aparecido na trilha sonora de Hearts of Fire. No entanto, a Geffen retirou John da gravadora depois que Ice Age não conseguiu entrar nas paradas.[1]

Sucesso (1987-1989)

John atingiu o sucesso em 1987, quando lançou Bring the Family. Para o álbum, Hiatt tinha uma banda de apoio composta por Ry CooderNick Lowe e Jim Keltner.[1]

Em 1988, ele voltou ao estúdio com Glyn Johns produzindo[6] para gravar Slow Turning, que foi seu primeiro álbum a atingir a metade superior da Billboard 200.[1]

Década de 1990 e além

Em 1992, Cooder, Keltner e Lowe novamente fizeram o a banda de apoio de John, mas desta vez eles se deram o nome Little Village.[1] uma referência a uma música de Sonny Boy Williamson II. As expectativas para o álbum Little Village eram altas, mas o álbum não conseguiu chegar tão alto quanto o último álbum solo de John, e o grupo se desfez após uma turnê de sucesso moderado.[1]

Hiatt gravou Perfectly Good Guitar com membros dos grupos de rock alternativo School of Fish e Wire Train em 1993.[1] John gravou o álbum com o produtor Matt Wallace, que trabalhou mais com o Faith No More, uma banda que o filho de 15 anos de John, Rob, havia recomendado para ele.[7]

Em 1994, Hiatt lançou Hiatt Comes Alive at Budokan?, seu primeiro álbum oficial ao vivo e seu último álbum com a A&M Records.[1]

Em 2002, John cantou várias músicas para a trilha sonora do filme da Disney The Country Bears, novamente com a produção de Glyn.[6]

Vida pessoal

John tem um enteado, Robert, e duas filhas, a cantora e compositora Lilly Hiatt e Georgia Rae Hiatt.[8][9]

Em 25 de junho de 2019, a The New York Times Magazine listou John Hiatt entre centenas de artistas cujo material foi destruído no incêndio da Universal em 2008.[10]

Discografia

  • Hangin' Around the Observatory (Epic, 1974)
  • Overcoats (Epic, 1975)
  • Slug Line (MCA, 1979)
  • Two Bit Monsters (MCA, 1980)
  • All of a Sudden (Geffen, 1982)
  • Riding with the King (Geffen, 1983)
  • Warming Up to the Ice Age (Geffen, 1985)
  • Bring the Family (A&M, 1987)
  • Slow Turning (A&M, 1988)
  • Stolen Moments (A&M, 1990)
  • Perfectly Good Guitar (A&M, 1993)
  • Walk On (Capitol, 1995)
  • Little Head (Capitol, 1997)
  • Crossing Muddy Waters (Vanguard, 2000)
  • The Tiki Bar is Open (Vanguard, 2001)
  • Beneath This Gruff Exterior (New West, 2003)
  • Master of Disaster (New West, 2005)
  • Same Old Man (New West, 2008)
  • The Open Road (New West, 2010)
  • Dirty Jeans and Mudslide Hymns (New West, 2011)
  • Mystic Pinball (New West, 2012)
  • Terms of My Surrender (New West, 2014)
  • The Eclipse Sessions (New West, 2018)
  • Leftover Feelings - com a Jerry Douglas Band (2021)

Referências

  1.  Strong, Martin C. (2000). The Great Rock Discography 5th ed. Edinburgh: Mojo Books. pp. 446–447. ISBN 1-84195-017-3
  2. «Archived copy». Consultado em 27 de setembro de 2016. Arquivado do original em 22 de junho de 2019
  3. «John Hiatt»GRAMMY.com (em inglês). 22 de maio de 2018. Consultado em 31 de agosto de 2018
  4. «Rocker John Hiatt: As Good as His Words – New York Times». Nytimes.com. 12 de março de 1989. Consultado em 10 de julho de 2014
  5.  «Rolling Stone Online: John Hiatt Interview». Unicom.com. 29 de junho de 1997. Consultado em 10 de julho de 2014
  6.  Johns, Glyn (2015). Sound Man First (Plume) ed. New York, New York: Plume/Penguin Random House, LLC. pp. 268–273. ISBN 978-0-14-751657-2
  7. Hopkins, Renee (3 de março de 1994). «Joys of Bust-'em-up Rock»The Dallas Morning News
  8. Steinberg, Jacques (19 de outubro de 2008). «The Lyrics? Pretty Familiar. The Performer? Less So.»The New York Times. Consultado em 19 de julho de 2018
  9. Margasak, Peter (3 de outubro de 2017). «Lilly Hiatt brings her keen observational powers to a breakup on the new Trinity Lane»Chicago Reader (em inglês)
  10. Rosen, Jody (25 de junho de 2019). «Here Are Hundreds More Artists Whose Tapes Were Destroyed in the UMG Fire»The New York Times. Consultado em 28 de junho de 2019

John Hiatt: O Poeta do Rock-Americana e Sua Jornada Musical

Introdução

John Robert Hiatt, nascido em 20 de agosto de 1952, é um dos cantores e compositores mais respeitados e influentes da música americana contemporânea. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, transitou com naturalidade entre o rock, a new wave, o blues, o country e as raízes do folk americano, construindo um catálogo vasto e profundamente autoral. Com nove indicações ao Grammy e uma legião de fãs e colegas de profissão que reconhecem sua genialidade lírica e melódica, Hiatt consolidou-se não apenas como intérprete, mas como um dos grandes songwriters de sua geração. Sua trajetória, marcada por resiliência, reinvenção constante e uma voz rouca e inconfundível, reflete a essência de um artista que sempre priorizou a integridade criativa sobre o apelo comercial imediato.

Infância e Primeiros Passos

Nascido em Indianápolis, Indiana, John foi o sexto de sete filhos em uma família católica romana. Sua infância foi marcada por tragédias precoces que moldaram profundamente sua visão de mundo e sua expressão artística. Aos nove anos, perdeu o irmão mais velho, Michael, de 21 anos, para o suicídio. Dois anos depois, seu pai faleceu após uma longa enfermidade. Para lidar com o peso emocional e o estresse do ambiente familiar, o jovem John encontrou refúgio nas corridas da IndyCar e na música, especialmente nos discos de Elvis Presley, Bob Dylan e nos clássicos do blues.
Aos 11 anos, pegou um violão pela primeira vez, e ainda na adolescência já iniciava seus primeiros passos no circuito musical de Indianápolis. Seu espírito inquieto e rebelde também se manifestou em incidentes típicos da juventude, como a ocasião em que, junto com amigos, saiu dirigindo um Ford Thunderbird sem permissão; ao ser confrontado pelos donos, escapou da situação com lábia, fingindo que apenas caronava. Esses anos de formação forjaram não apenas seu gosto musical, mas também a narrativa crua e honesta que marcaria suas composições.

A Mudança para Nashville e os Primeiros Contratos

Aos 18 anos, Hiatt tomou a decisão que definiria seu destino: mudou-se para Nashville, Tennessee, o epicentro da música country e do songwriting americano. Lá, conseguiu um emprego como compositor para a Tree-Music Publishing Company, recebendo um modesto salário semanal de 25 dólares. Foi nesse período de aprendizado e imersão no universo das editoras que sua carreira começou a ganhar contornos profissionais.
Em 1973, um encontro com Don Ellis, da Epic Records, resultou em seu primeiro contrato de gravação. Ainda naquele ano, lançou seu single de estreia, "We Make Spirit", e escreveu "Sure As I'm Sittin' Here", música que seria regravada pela banda Three Dog Night e se tornaria um sucesso Top 40, abrindo as portas para o mercado fonográfico e validando seu talento como compositor.

Os Anos Epic e a Busca por Identidade (1974-1978)

O álbum de estreia, Hangin' Around the Observatory (1974), foi aclamado pela crítica especializada, mas não conseguiu alcançar o público em massa. O sucessor, Overcoats (1975), seguiu o mesmo destino comercial, o que levou a Epic Records a encerrar seu contrato. Embora frustrante do ponto de vista das vendas, esse período foi fundamental para o amadurecimento artístico de Hiatt, que começou a refinar sua voz narrativa e a misturar influências do rock clássico com a sensibilidade folk e country, preparando o terreno para as experimentações que viriam.

A Fase MCA/Geffen e a Conexão Europeia (1979-1986)

Em 1979, Hiatt assinou com a MCA Records. Lançou Slug Line (1979) e Two Bit Monsters (1980), álbuns que, mais uma vez, não performaram bem nas paradas americanas, mas receberam elogios significativos da crítica holandesa. Foi nos Países Baixos que Hiatt construiu sua primeira base sólida de fãs. Sua primeira apresentação no lendário clube Paradiso, em Amsterdã, abrindo para Southside Johnny & The Asbury Jukes, marcou o início de uma relação duradoura e fiel com o público europeu.
Em 1982, coescreveu "Across the Borderline" com Ry Cooder e Jim Dickinson para a trilha sonora do filme The Border, interpretada por Freddy Fender. A canção tornou-se um padrão do repertório roots, sendo regravada por Willie Nelson, Paul Young, Rubén Blades, Willy DeVille e até interpretada ao vivo por Bruce Springsteen e Bob Dylan. No mesmo ano, Hiatt migrou para a Geffen Records, onde lançou três álbuns que exploraram novas texturas sonoras. All of a Sudden (1982), produzido por Tony Visconti, incorporou teclados e sintetizadores, enquanto Riding with the King (1983) e Warming Up to the Ice Age mesclaram country, soul e rock com produção de nomes como Nick Lowe, Scott Mathews e Ron Nagle. Em Warming Up to the Ice Age, destacou-se um dueto com Elvis Costello na releitura de "Living a Little, Laughing a Little", dos Spinners. Apesar da qualidade artística, o fracasso comercial de Ice Age levou a Geffen a encerrar a parceria.

O Reconhecimento Crítico e Comercial (1987-1989)

A virada definitiva ocorreu em 1987 com o lançamento de Bring the Family. Contando com uma banda de apoio de luxo formada por Ry Cooder, Nick Lowe e Jim Keltner, o álbum foi um divisor de águas, unindo a crítica especializada e conquistando finalmente o público. Em 1988, Hiatt retornou aos estúdios com o produtor Glyn Johns para gravar Slow Turning, que se tornou seu primeiro disco a alcançar a metade superior da Billboard 200, consolidando seu status de artista mainstream respeitado e provando que sua persistência artística valera a pena.

Anos 1990, Projetos Paralelos e Consolidação

Em 1992, a química entre Hiatt, Cooder, Lowe e Keltner foi formalizada no supergrupo Little Village, nome inspirado em uma canção de Sonny Boy Williamson II. As expectativas eram altas, mas o álbum homônimo não superou o sucesso dos trabalhos solo de Hiatt, e o grupo se dissolveu após uma turnê de repercussão moderada. Sem se abalar, Hiatt lançou Perfectly Good Guitar (1993), trabalhando com músicos das bandas School of Fish e Wire Train, sob a produção de Matt Wallace. A escolha do produtor foi influenciada por seu filho Rob, então com 15 anos, fã de Faith No More, demonstrando a abertura de Hiatt a novas gerações e sonoridades alternativas.
Em 1994, registrou sua primeira experiência oficial ao vivo com Hiatt Comes Alive at Budokan?, seu último lançamento pela A&M Records. Décadas depois, em 2002, contribuiu com vocais para a trilha sonora do filme da Disney The Country Bears, novamente sob a produção de Glyn Johns, mostrando sua versatilidade e disposição para projetos diversificados.

Vida Pessoal e Legado

Fora dos palcos e estúdios, John Hiatt mantém uma vida familiar discreta mas marcada pela música. É pai de duas filhas, Lilly Hiatt, que seguiu os passos do pai como cantora e compositora aclamada pela crítica, e Georgia Rae Hiatt, além de ter um enteado, Robert. Sua influência na indústria musical é inegável, e sua obra é frequentemente citada como referência por artistas de diversas vertentes do rock e do folk contemporâneo.
Em 25 de junho de 2019, o The New York Times Magazine revelou que Hiatt estava entre as centenas de artistas cujas gravações masters originais foram destruídas no incêndio que atingiu os arquivos da Universal Music Group em 2008. A notícia reforçou a fragilidade do patrimônio musical gravado, mas não apagou o impacto duradouro de suas composições, que continuam a ser gravadas, reinterpretadas e celebradas mundialmente.

Conclusão

John Hiatt permanece como uma figura singular na música americana: um songwriter de profunda sensibilidade, um intérprete de voz marcante e um artista que nunca se deixou levar pelas tendências passageiras do mercado. De Nashville aos palcos europeus, das frustrações comerciais iniciais ao reconhecimento tardio mas consolidado, sua carreira é um testemunho de perseverança e autenticidade. Mais do que um nome nas paradas, Hiatt é um arquiteto de histórias, um poeta do cotidiano e um dos pilares fundamentais do som que definiu o rock americano das últimas décadas. Sua música, marcada por letras afiadas, melodias orgânicas e uma entrega vocal inconfundível, garante que seu legado continue a ecoar e inspirar por gerações futuras.

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