Depois de formado, viajou durante algum tempo pela Europa, e ao retornar exerceu por três meses (1868) a função de professor interino de Corografia e História do Brasil no Colégio Pedro II, em sua cidade natal, pois logo depois assumiu o cargo de promotor público na cidade fluminense de Nova Friburgo. Eleito deputado geral pela província de Mato Grosso, na legislatura de 1869-72, acompanhou seu pai, o visconde do Rio Branco, na viagem que este realizou ao Paraguai para regularizar as relações com esse país, profundamente abaladas pela longa e desastrosa guerra travada entre os dois países.
Reeleito deputado para a legislatura seguinte (1872-1875), colaborou nessa mesma época no jornal A Nação, tornando-se conhecido por seus comentários políticos. Nomeado cônsul-geral do Brasil em Liverpool, Inglaterra (1876), aproveitou os anos que passou nessa cidade para aprofundar seus estudos de História e Geografia do Brasil, publicando nessa época uma tradução da História da Tríplice Aliança, de Scheneider, um Esboço da História do Brasil, em francês, uma biografia de D. Pedro II e muitos artigos em revistas e enciclopédias científicas, além de preparar, durante muitos anos, uma História Militar do Brasil.
Nomeado comissário imperial junto à Exposição Internacional de S. Petersburgo (1884), ocupou, em Paris, o cargo de superintendente dos serviços de emigração para o Brasil na Europa, logo depois de haver sido proclamada a República do Brasil. Com o falecimento, em Washington, do barão Aguiar de Andrade (1894), foi nomeado para substituí-lo como ministro plenipotenciário do Brasil perante o governo dos Estados Unidos, chefiando então a missão encarregada de defender os interesses brasileiros na questão de limites com a Argentina, submetida pelos dois países à arbitragem do presidente norte-americano, Cleveland.
Após oito meses de trabalho, concluiu a Memória Brasileira, juntando a ela valiosa documentação justificativa e cartas geográficas, bem como argumentos e demonstrações irrefutáveis que levaram o árbitro à convicção de que era brasileiro o território disputado. A sentença arbitral, de 05/11/1895, incorporou definitivamente ao Brasil uma área de 30.622 km2, no território das Missões. Pouco depois ocorreu um conflito na região do Oiapoque, no qual o comandante e alguns soldados de um destacamento francês foram mortos por brasileiros, o que tornou urgente a solução da secular contenda entre o Brasil e a Guiana Francesa, que disputavam a região do Amapá.
O barão do Rio Branco foi encarregado de reunir os documentos necessários para a arbitragem projetada. Como as negociações para a mesma se prolongassem de 1895 a 1897, resolveu ele escrever uma extensa memória histórica e geográfica, para a solução dessa questão. Concluído o. tratado de arbitragem com a França, e escolhido para árbitro o presidente da Suíça, o barão do Rio Branco obteve, dois anos depois, com a sua erudita exposição dos fatos, uma sentença favorável que dava ao Brasil a posse definitiva de 260.000 kn2 de um território que estivera em litígio durante quase dois séculos, vitória essa que foi recebida no Brasil com grande entusiasmo.
Ministro do Brasil em Berlim, ele foi convidado pelo presidente Rodrigues Alves para dirigir a pasta das Relações Exteriores (1902). Pouco depois de assumir a direção desse ministério, resolveu a questão do Acre, onde brasileiros revoltados contra bolivianos proclamaram a independência daquele território. Em 17/11/1903 foi firmado o Tratado de Petrópolis, pelo qual a Bolívia cedia ao Brasil, definitivamente, a área contestada, mediante certas compensações territoriais e uma indenização em dinheiro, ficando assim aumentada a superfície do Brasil em mais 150.000 kn2.
A presença do barão do Rio Branco na pasta das Relações Exteriores ficou assinalada pelo término das questões de limites com outros países sul-americanos e por tratados com as nações da América e da Europa. Sua popularidade ultrapassou as fronteiras do Brasil, pois que espontaneamente e sem recorrer a arbitragens, o Brasil reconheceu, por sua iniciativa, que a República Oriental do Uruguai teria direito ao condomínio das águas do rio Jaguarão e da lagoa Mirim. Por essa razão, foi homenageado pelo governo uruguaio, sendo conferido seu nome à antiga Pueblo Artigas, hoje cidade de Rio Branco, no departamento de Cerro Largo, vizinha da brasileira Jaguarão.
Concluído o mandato governamental de Rodrigues Alves, os presidentes posteriores, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca, conservaram-no na pasta das Relações Exteriores. Membro da Academia Brasileira de Letras, e presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Barão do Rio Branco deixou várias obras escritas: além das citadas, Episódios da Guerra do Prata;; um esboço biográfico do general José de Abreu, barão do Serro Largo; Efemérides Brasileiras, etc.
José Maria da Silva Paranhos morreu no Rio de Janeiro. Embora seu título nobiliárquico – barão do Rio Branco – lhe tenha sido concedido às vésperas do fim do período imperial, continuou a utilizar o título “Rio Branco” em sua assinatura mesmo após a proclamação da república, em 1889. Isso se deu por ser ele um monarquista convicto e para homenagear seu falecido pai, o senador e diplomata José Maria da Silva Paranhos, visconde do Rio Branco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário