segunda-feira, 11 de junho de 2018

ALARICO I


ALARICOCarpatos é um conjunto montanhoso da Europa Central que não constitui uma zona rochosa contínua, mas uma série de maciços isolados. No ano de 376, as áreas cultiváveis dessa região eram povoadas pelos visigodos, um segmento germânico do lado oeste dos povos godos. Os godos, do leste europeu, e os visigodos que viviam entre os rios Danúbio e Dniéster, pertenciam às mesmas etnias, daí a possibilidade de que significado do nome visigodo fosse “Godos do Oeste”.
No século 3 este povo conquistou a Dácia, província romana situada na região hoje pertencente à Romênia, mas no século seguinte, ante a ameaça dos hunos, eles atravessaram o Danúbio e buscaram a proteção de Valente, imperador bizantino que havia recebido o Oriente em partilha feita com seu irmão Valentiniano.  Não tardou, porém, para que a arbitrariedade praticada pelos funcionários romanos se associasse às exigências dos bárbaros, colocando assim um ponto final no acordo celebrado.
Na guerra que se seguiu, os romanos foram derrotados, com Valente morrendo queimado (ano 378) no interior da cabana onde se refugiara. Registros sobre esse episódio revelam que o imperador Valente se inteirou da revolta em Antioquia e imediatamente se dirigiu aos territórios da Trácia, à frente de seu exército, e ali manteve uma lamentável guerra vendida pelos visigodos. Ferido e em fuga, o imperador tentou esconder-se em uma fazenda próxima a Adrianópolis, mas seus adversários, ignorando que ele se refugiava em um casebre miserável, incendiaram-no como costuma acontecer quando o inimigo está enfurecido, e o imperador pereceu queimado junto com a comitiva real.
Em revide, o imperador romano Teodósio I, cognominado “o Grande” por ter vencido muitas batalhas, enviou seus soldados para aquela região, e estes, após derrotarem parcialmente os inimigos, os convenceram a integrar o exército imperial. Naquela época era comum o Império Romano utilizar-se de tropas germânicas irregulares (chamadas de foederati) em suas campanhas militares sob o comando dos generais romanos, tendo sido Alarico (370-410) o líder de um desses grupos. Os visigodos mantiveram-se fiéis a Roma durante quinze anos, até que em 394, com a morte de Teodósio, o Império foi divido entre os seus sucessores, ficando o Império Romano do Oriente com Arcádio, e o Império Romano do Ocidente com Honório.
Não conseguindo ver atendido seu desejo de promoção a general de um exército romano regular, Alarico, um dos chefes visigodos, rebelou-se, proclamou-se rei e assolou a Grécia. Para apaziguá-lo, Arcádio, imperador bizantino de 395 a 408, deu-lhe a província da Ilíria em 396, mas quatro anos depois Alarico I invadiu a Itália, sendo batido por Estilicão, principal ministro de Honório, imperador do Ocidente, que o obrigou a colocar-se a serviço do império. Com a morte de Estilicão, e a determinação imperial de que todos os bárbaros fossem mortos como cúmplices no assassinato de seu colaborador, Alarico foi aclamado por seu povo o oitavo dos reis visigodos e decidiu atacar o império, marchando sobre Roma e a sitiando consecutivamente nos anos de 408, 409 e 410.
ALARICO 2Com a recusa definitiva do imperador em lhe nomear comandante-em-chefe dos exércitos imperiais, a cidade foi invadida e inteiramente saqueada, o que deu a Alarico a condição de primeiro líder germânico a tomar a cidade de Roma. Depois de prosseguir com sua campanha e preparar-se para conquistar a Sicília e também provavelmente a África, o rei visigodo morreu em Cosenza, às margens do Busanto.
No propósito de assegurar a inviolabilidade de sua sepultura, os seus soldados o enterraram no leito do citado rio, cujas águas foram desviadas para esse fim e recolocadas, depois, no curso normal. Mas os escravos que trabalharam nas escavações de desvio do Busanto foram mortos, para que não revelassem o local da sepultura do rei ali sepultado (na ilustração acima, tela mostrando o sepultamento de Alarico)
Apesar de nunca ter pisado na Península Ibérica, Alarico é considerado o primeiro rei visogodo na história de Portugal e Espanha, onde seu povo se estabeleceu após sua morte. Na época estas regiões eram conhecidas como as províncias romanas de Hispânia e Lusitânia.

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