segunda-feira, 11 de junho de 2018

José Martiniano de Alencar


JOSE DE ALENCARRomancista, poeta, jornalista, político e jurisconsulto, o cearense José Martiniano de Alencar era natural da cidade de Mecejana, onde nasceu em 1º de maio de 1829.  Filho do padre José Martiniano de Alencar (deputado pela província do Ceará) ele foi o fruto de uma união ilícita e particular do padre com a prima Ana Josefina de Alencar. Quando criança e adolescente, era tratado em família por Cazuza, porém mais tarde, quando adulto, ficou conhecido nacionalmente como José de Alencar, um dos maiores escritores românticos do Brasil.
O pai de José de Alencar assumiu em 1830 o cargo de senador no Rio de Janeiro, o que obrigou a família a se mudar para lá. Mas quatro anos depois todos eles voltaram ao estado natal, pois Martiniano foi nomeado governador do Ceará. Alguns anos mais tarde a família retornou ao Rio de Janeiro, desta vez para ficar. O pai assumiu novamente seu cargo de senador e o menino começou a freqüentar a Escola e Instrução Elementar. Filho de político, jovem Alencar assistia a tudo isso de perto. Assistia e, certamente, tomava gosto pela política, atividade em que chegou a ocupar o posto de ministro da Justiça. Mas isso ocorreria bem mais tarde.
Aos 18 anos, Alencar já tinha esboçado o primeiro romance – Os contrabandistas. Segundo depoimento do próprio escritor, um dos inúmeros hóspedes que freqüentavam sua casa usava as folhas manuscritas para… acender charutos. Verdade? Invenção? Muitos biógrafos duvidam da ocorrência, atribuindo-a à tendência que o escritor sempre demonstrou para dramatizar excessivamente os fatos de sua vida. O que ocorreu sem dramas ou excessos foi a formatura, em 1850. No ano seguinte, Alencar já estava no Rio de Janeiro, trabalhando num escritório de advocacia. Começava o exercício da profissão que jamais abandonaria e que garantiria seu sustento. Afinal, como ele próprio assinalou, “não me consta que nesta abençoada terra, alguém já tenha vivido do produto de obras literárias”.
Formado em Direito pela Faculdade de São Paulo, advogou durante alguns anos, em seu estado natal, exercendo mais tarde a atividade jornalística, primeiramente como colaborador da publicação Ensaios Literários, editada em São Paulo,em seguida no Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, e mais adiante na condição de diretor do Diário do Rio, no período de 1856 a 1859. Um dos números do jornal Correio Mercantil, de setembro de 1854, trazia uma seção nova de folhetim – ‘Ao correr da pena’ – assinada por José de Alencar, que estreava como jornalista. Esse tipo de publicação, muito em moda na época, era um misto de jornalismo e literatura: crônicas leves, tratando de acontecimentos sociais, de teatro, de política, enfim, do cotidiano da cidade.
Sua atividade literária foi marcada pela produção de livros muito procurados durante várias gerações, como as novelas Cinco Minutos A Viuvinha, ou o romance O Guarani, este último precursor do indianismo na prosa da ficção brasileira. Também teve participação importante como defensor do princípio de que um estilo realmente brasileiro deveria preponderar no uso da linguagem utilizada em produções literárias de autores nacionais, sustentando, por causa disso, calorosas polêmicas com alguns intelectuais que preferiam manter fidelidade às tradições gramaticais portuguesas.
Durante certo tempo José de Alencar mostrou-se interessado pelo teatro, período em que escreveu Verso e Reverso; O Demônio Familiar; Asas de um Anjo; Expiação; O Crédito; A Flor Agreste; e o Jesuíta e a Mãe. Mas retornando ao romance, publicou Lucíola, 1862; As Minas de Prata, 1862/1865; Diva, 1863; Iracema, 1865; O Gaúcho, 1870; A Pata da Gazela, 1870; O Tronco do Ipê, 1871; Til, 1872; Sonhos de Ouro, 1873; Alfarrábios, 1873; Guerra dos Mascates, 1873; O Sertanejo, 1875; Senhora, 1875; Encarnação, 1877; além de Ubirajara, O Ermitão da Glória, Alma de Lázaro e O Garatuja. Entre os poemas inacabados que deixou, merece menção Os Filhos de Tupã, do qual só escreveu três, dos dez cantos programados. O grande escritor cearense morreu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877.
Grande expoente da literatura brasileira do século XIX, Alencar entretanto não alcançou a fundação da Academia Brasileira de Letras. Coube-lhe, entretanto, a homenagem de ser Patrono da Cadeira 23, na qual, depois, veio a ter assento o escritor Jorge Amado. Nas discussões que antecederam a fundação da Academia, seu nome foi defendido por Machado de Assis para ser o primeiro Patrono, ou seja, nominar a Cadeira Um. Mas não poderia haver hierarquia nessa escolha, e resultou que um quase desconhecido autor veio a ser-lhe o patrono efetivo. Sobre esta escolha, registrou Afrânio Peixoto:
“Novidade de nossa Academia foi, em falta de antecedentes, criarem-nos, espiritualmente, nos patronos. Machado de Assis, o primeiro da companhia, por vários títulos, quis dar a José de Alencar a primazia que tem, e deve ter, na literatura nacional. A justiça não guiou a vários dos seus companheiros. Luís Murat, por sentimento exclusivamente, entendeu honrar um amigo morto, infeliz poeta, menos poeta que infeliz, Adelino Fontoura.”
José de Alencar elegeu-se deputado pelo Ceará, pela primeira vez, na legislatura 1861/1863, e posteriormente nas de 1869 a 1877, ocupando ainda a pasta do Ministério da Justiça durante o período 1868/1870.

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