segunda-feira, 11 de junho de 2018

ÁTILA


ATILA 1Átila, rei dos hunos, considerado o mais bárbaro de todos os bárbaros, devastou durante anos os territórios do decadente império romano, e por isso passou para a História com o cognome de “Flagelo de Deus”. Nascido provavelmente em 406, subiu ao trono em 433, devido à morte de seu tio Rua, partilhando-o durante alguns anos com o irmão Bleda, a quem mandou matar em 444 para tornar-se o único rei do seu povo. Na época da coroação, seu reino já se estendia por um vasto território cujos limites eram o Volga, o Danúbio, o mar do Norte, o Reno e os Alpes.
Excelente estrategista e dono de notável intuição quanto às ações militares, tornou-se um conquistador vitorioso, condição da qual se vangloriava afirmando que “A grama não volta a crescer onde o meu cavalo pisa”. Ainda no início de seu reinado, em 434, Honória, neta de Teodósio II, imperador romano do Oriente, estava sujeita a regime severo devido a uma intriga amorosa, e por isso enviou seu anel ao rei dos hunos, pedindo-lhe que se tornasse seu esposo e libertador. O casamento não se realizou, mas o fato serviu de pretexto a Átila para enviar sucessivas embaixadas e apresentar continuadas exigências aos imperadores do Ocidente e do Oriente.
Como Teodósio implorasse a paz, o huno lhe exigiu pesado tributo e a cessão de um vasto território ao sul do Danúbio, mas Marciano, que desposara Pulquéria, irmã do imperador romano, e o sucedera no trono, recusou-se a efetuar esse pagamento, razão pela qual Átila se voltou contra Valentiniano III, imperador romano do Ocidente, exigindo-lhe metade dos seus domínios como dote de Honória.
Por isso, na primavera de 451 ele aliou-se aos vândalos, povo germânico que habitava a região entre o Oder e o Vistula, e conduziu em direção ao Reno um imenso exército que atravessou aquele rio e saqueou a maioria das cidades da Gália Belga. Dando continuidade ao seu avanço, os invasores logo a seguir alcançaram o Loire e assediaram Orleans, cujos habitantes, liderados por Aniano, bispo local, defenderam heroicamente a cidade. Apesar da bravura e estoicismo dos seus defensores, ela já estava a ponto de ser invadida quando apareceu em seu socorro o exército formado pelos soldados do general romano Aécius, e de Teodorico, rei dos visigodos, o que obrigou Átila a deslocar suas tropas para o nordeste, fazendo alto nas planícies perto de Troyes.
A batalha que se seguiu, em Châlons-sur-le-Marne, durou todo o dia, provocando uma terrível carnificina. Ao seu final, o rei visigodo estava morto, mas os godos e os romanos tinham vencido o confronto, o que forçou Átila e seus homens a se retirarem em direção ao rio Reno, transpô-lo e dali prosseguindo na jornada de retorno para as suas terras às margens do Danúbio.
ATILA 2Inconformado e desejando vingar-se da primeira e única derrota sofrida em toda a sua vida, Átila tratou de reorganizar seu exército, e na primavera do ano seguinte  (452), voltou a dirigi-lo contra a Itália, devastando com fúria incontrolável o norte daquele país, queimando ou pilhando muitas cidades da região, até que a epidemia de peste que se abatia sobre o território italiano fê-lo encerrar a campanha militar e prudentemente atravessar os Alpes na viagem de regresso, mas deixando claro que tornaria a invadir o país caso não recebesse a devida compensação financeira pela não realização de seu matrimônio com Honória.
Porém, uma outra versão para esse episódio diz que a retirada foi decidida em atenção aos reiterados pedidos feitos pelo papa Leão I. e emissários imperiais, que o convenceram a desistir do ataque à capital do império do Ocidente.
Depois de voltar para seu acampamento da Panônia, Átila casou-se no ano seguinte (453) com uma cativa de nome Hilda, sendo encontrado morto no dia seguinte ao da realização das núpcias, vitimado, provavelmente, por uma hemorragia cerebral. Seus coveiros foram assassinados, para que nunca revelassem onde tinham sido sepultados seu corpo e os seus tesouros.
Prisco, de Pânio, historiador bizantino que em 448 acompanhou Maximiniano, embaixador de Teodósio II, à corte de Átila, escreveu a “História Bizantina”, trabalho do qual existem somente fragmentos. Sobre o final da vida de Átila, diz Prisco em seu relato que certa noite, depois dos festejos de celebração da sua última boda com uma goda, Átila sofreu uma grave hemorragia nasal que lhe ocasionou a morte. Os seus soldados, ao descobrir o que tinha acontecido, choraram-no cortando o cabelo e ferindo-se com as espadas, pois “o maior de todos os guerreiros não devia ser chorado com lamentos de mulher nem com lágrimas, mas sim com sangue de homens”.
Enterraram-no num sarcófago triplo – de ouro, prata e ferro – junto com o botim de suas conquistas, e os que participaram no funeral foram executados para manter secreto o local do enterro. Depois da sua morte, continuou a viver como figura lendária: as personagens de Etzel no Cantar dos Nibelungos, de Atli, na Saga dos Volsung, e a Edda poética, inspiram-se vagamente na sua figura.
Outra versão de sua morte é a dada pelo Conde Marcelino, cronista romano, oitenta anos depois do evento: “Átila, rei dos hunos e saqueador das províncias da Europa, foi atravessado pela mão e adaga de sua mulher”. Tambem a “Saga dos Volsung” e a “Edda poética” sustentam que o rei Atli (Átila) morreu pelas mãos de sua mulher. No entanto, muitos estudiosos consideram tais relatos como fantasias românticas, preferindo a versão dada por Prisco, contemporâneo de Átila.
Assim terminaram oito anos de invasões dos hunos. Os seus filhos Ellak (que tinha sido designado herdeiro), Dengizik e Ernak lutaram pela sucessão e, divididos, foram vencidos no ano seguinte na batalha de Nedao por uma coalizão de povos diversos (ostrogodos, hérulos, gépidas, etc). O império de Átila não sobreviveu a ele.

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