Mas não demorou muito para que Assurbanipal retomasse a ofensiva, subindo o Nilo, saqueando Tebas e destruindo seus templos, para em seguida expandir ainda mais o seu império, devastando o país de Mada, a oeste do Ararat, destroçando o exército elamita e enviando para Ninive a cabeça de Teumão, o rei derrotado. Diante disso, os soberanos vizinhos prestaram homenagem ao rei dos assírios, empregando os meios mais diversos para obter o seu favor.
Porém, alguns anos depois o temido império assírio começou a esfacelar-se de uma hora para outra. O rei egípcio Psamético I, cujo reinou durou de 663 a 609 a.C., e que havia sido deixado por Assurbanipal como governante-títere do país, aliou-se ao rei da Lídia e em 654 a.C. expulsou definitivamente os assírios do país.
Em 648 a.C., na Babilônia, o crescente descontentamento da população resultou em rebelião encabeçada por Chamás-Chum-Uquim, mas o seu fracasso provocou o suicídio do chefe, para não cair nas mãos do irmão. Depois de dar ao irmão um funeral digno do sangue real, Assurbanipal vingou-se dos outros rebeldes: “Eu alimentei com seus cadáveres, cortados em pedaços pequenos, cães, porcos, abutres, águias, os pássaros do céu e os peixes do oceano”.
Assim como os seus antepassados, Assurbanipal vangloriava-se de seus feitos sangrentos. Após rechaçar uma rebelião na Babilônia, o monarca deixou registrada a atitude punitiva severa: “Ergui um muro diante das grandes portas da cidade. Mandei esfolar os chefes da revolta e cobrir o muro com suas peles. Uns foram enterrados vivos na construção, outros foram crucificados ou empalados ao longo do muro. De vários mandei arrancar a pele na minha presença e revestir este muro com ela. Mandei dispor as cabeças em forma de coroas, e os cadáveres trespassados em forma de grinaldas”.
Assurbanipal reagiu a essas revoltas mandando seus exércitos atravessarem a Arábia Setentrional levando o terror ás tribos da região, mas esse esforço causou a exaustão da Assíria, que daí em diante se viu impotente para conter os ataques de outros povos já não tão temerosos da força e do poder assírio.
Mas o seu nome é lembrado também como protetor das Artes e da Literatura, tendo reunido em seu palácio importante coleção de escritos da Assíria e da Babilônia, constituída de milhares de tijolos cobertos de escrita cuneiforme, muitos dos quais estão atualmente no Museu Britânico. Alguns autores o identificam, ao que parece erradamente, com o Sardapanalo dos gregos, embora seja esta, provavelmente, a forma grega do seu nome. A lenda de Sardapanalo, relatada por Ctésias (século 5 a.C.), médico e escritor grego, lembra mais a vida de seu irmão gêmeo, Samas-iun-iuquin.
Apesar da ferocidade o rei Assurbanipal seria lembrado como o estudioso que se gabava de sua própria instrução. Ele enriqueceu a grande biblioteca de Nínive com uma coletânea de obras em caracteres cuneiformes, acervo que permitiu o conhecimento do muito que hoje se sabe sobre os povos da Mesopotâmia. Durante o seu reinado, que durou cerca de quarenta anos, a técnica do baixo-relevo atingiu maiores proporções. As fachadas e as salas dos palácios estavam, a perder de vista, cobertas de tapeçarias de pedra.
A ilustração acima, reproduzindo gravação feita em painel de pedra que decorava o palácio do rei Assurbanipal, em Nínive, mostra arqueiros assírios colocando em fuga um contingente de inimigos montados em camelos. Bandos de árabes ansiosos por saques e pilhagens rondavam as fronteiras meridionais da Assíria no século 7 a.C., obrigando Assurbanipal a montar expedições punitivas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário