segunda-feira, 11 de junho de 2018

ASSURBANIPAL


ASSURBANIPAL 1A data de nascimento desse rei assírio é desconhecida, mas sabe-se que morreu por volta de 626 a.C.. Seu pai, Assaradão, o havia designado para o trono pouco antes de sua morte, entregando ao seu irmão gêmeo, Chamás-Chum-Uquim, o da Babilônia. Coroado em 668 a.C., Assurbanipal logo procurou assegurar a posse do Egito, onde seus soldados encontravam forte resistência, mas uma revolta geral liderada pelos habitantes de Tebas, cidade às margens do rio Nilo, no Alto Egito, logo seguida pela queda de Mênfis, obrigou os assírios a saírem do país.
Mas não demorou muito para que Assurbanipal retomasse a ofensiva, subindo o Nilo, saqueando Tebas e destruindo seus templos, para em seguida expandir ainda mais o seu império, devastando o país de Mada, a oeste do Ararat, destroçando o exército elamita e enviando para Ninive a cabeça de Teumão, o rei derrotado. Diante disso, os soberanos vizinhos prestaram homenagem ao rei dos assírios, empregando os meios mais diversos para obter o seu favor.
Porém, alguns anos depois o temido império assírio começou a esfacelar-se de uma hora para outra. O rei egípcio Psamético I, cujo reinou durou de 663 a 609 a.C., e que havia sido deixado por Assurbanipal como governante-títere do país, aliou-se ao rei da Lídia e em 654 a.C. expulsou definitivamente os assírios do país.
Em 648 a.C., na Babilônia, o crescente descontentamento da população resultou em rebelião encabeçada por Chamás-Chum-Uquim, mas o seu fracasso provocou o suicídio do chefe, para não cair nas mãos do irmão. Depois de dar ao irmão um funeral digno do sangue real, Assurbanipal vingou-se dos outros rebeldes: “Eu alimentei com seus cadáveres, cortados em pedaços pequenos, cães, porcos, abutres, águias, os pássaros do céu e os peixes do oceano”.
Assim como os seus antepassados, Assurbanipal vangloriava-se de seus feitos sangrentos. Após rechaçar uma rebelião na Babilônia, o monarca deixou registrada a atitude punitiva severa: “Ergui um muro diante das grandes portas da cidade. Mandei esfolar os chefes da revolta e cobrir o muro com suas peles. Uns foram enterrados vivos na construção, outros foram crucificados ou empalados ao longo do muro. De vários mandei arrancar a pele na minha presença e revestir este muro com ela. Mandei dispor as cabeças em forma de coroas, e os cadáveres trespassados em forma de grinaldas”.
Assurbanipal reagiu a essas revoltas mandando seus exércitos atravessarem a Arábia Setentrional levando o terror ás tribos da região, mas esse esforço causou a exaustão da Assíria, que daí em diante se viu impotente para conter os ataques de outros povos já não tão temerosos da força e do poder assírio.
ASSURBANIPAL 2Quando o último grande rei dos assírios morreu, seu império estava em franca decadência, e quatorze anos depois a Assíria foi conquistada pelos medos e babilônios.
Mas o seu nome é lembrado também como protetor das Artes e da Literatura, tendo reunido em seu palácio importante coleção de escritos da Assíria e da Babilônia, constituída de milhares de tijolos cobertos de escrita cuneiforme, muitos dos quais estão atualmente no Museu Britânico. Alguns autores o identificam, ao que parece erradamente, com o Sardapanalo dos gregos, embora seja esta, provavelmente, a forma grega do seu nome. A lenda de Sardapanalo, relatada por Ctésias (século 5 a.C.), médico e escritor grego, lembra mais a vida de seu irmão gêmeo, Samas-iun-iuquin.
Apesar da ferocidade o rei Assurbanipal seria lembrado como o estudioso que  se gabava de sua própria instrução. Ele enriqueceu a grande biblioteca de Nínive com uma coletânea de obras em caracteres cuneiformes, acervo que permitiu o conhecimento do muito que hoje se sabe sobre os povos da Mesopotâmia. Durante o seu reinado, que durou cerca de quarenta anos, a técnica do baixo-relevo atingiu maiores proporções. As fachadas e as salas dos palácios estavam, a perder de vista, cobertas de tapeçarias de pedra.
A ilustração acima, reproduzindo gravação feita em painel de pedra que decorava o palácio do rei Assurbanipal, em Nínive, mostra arqueiros assírios colocando em fuga um contingente de inimigos montados em camelos. Bandos de árabes ansiosos por saques e pilhagens rondavam as fronteiras meridionais da Assíria no século 7 a.C., obrigando Assurbanipal a montar expedições punitivas.

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