segunda-feira, 11 de junho de 2018

BEETHOVEN


BEETHOVENO compositor alemão nasceu em Bonn (1770) e morreu em Viena (1827). Seu avô, membro de uma família que contava com muitos pintores e escultores, era o regente da Capela arquiepiscopal na corte da cidade de Colônia, da qual seu filho, pai de Ludwig, integrava o coro como tenor, além de exercer, também, a função de professor de música. Foi dele que Beethoven recebeu as primeiras lições dessa arte, contra os quais revoltou-se a princípio, mas sempre demonstrando, mesmo sem aprofundar-se nos estudos que recebia, ser possuidor de enorme talento para exercê-la.
Por isso, ao completar nove anos de idade foi entregue aos cuidados do organista Christian Gottlob Neefe (1748-1798), que o fez conhecer os grandes mestres alemães da música. Nasceu nessa época a admiração de Beethoven pelos compositores Johann Sebastian Bach (1685-1750) e Georg Friedrich Handel (1685-1759), e a partir de então os seus progressos nos estudos foram tão grandes que aos onze anos (1781), ele já compunha as suas primeiras peças. Três anos depois (1784), tornava-se segundo organista da capela do Eleitor, em Colônia, e pouco mais tarde (1787) foi enviado para Viena a fim de aprimorar sua técnica com o austríaco Franz Joseph Haydn (1732-1809), um dos mais importantes autores e solistas do período clássico. Costuma-se dizer, embora não existam provas de tal fato, que durante esse período ocorreu um encontro entre Beethoven e o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), que já estava doente, mas mesmo assim trabalhando na composição da ópera Don Giovanni, durante o qual este, ao ouvir uma improvisação executada pelo jovem iniciante, teria dito que em pouco tempo o mundo todo ouviria falar dele.
A partir de 1792, morando definitivamente em Viena (de onde não mais sairia), ele iniciou uma série de excursões artísticas pela Europa, durante as quais fez nascer e consolidar-se em torno do seu nome, o prestígio e a fama de exímio pianista. Datam dessa década, também, suas primeiras composições que se tornariam famosas pelos tempos futuros: as três sonatas para piano Op.2 (1795), o concerto para piano nº 1 em dó maior Op.15 (1795), a sonata nº.8 em dó menor Op.13 – Pathétique (1798), e os seis quartetos de cordas Op.18 (1800). Em 2 de Abril deste mesmo ano ele estreou em Viena a sua sinfonia nº 1 em dó maior Op. 21, mas no ano seguinte, declarando-se insatisfeito com o que produzira até então, confessou aos amigos que decidira seguir um novo caminho. E foi o que fez em 1803, compondo a sinfonia nº 3 em mi bemol maior Op.55 (Heróica), obra considerada pelos críticos como sem precedentes na história da música erudita.
Mesmo não ocupando qualquer cargo oficial junto à corte, Beethoven freqüentou os salões da alta aristocracia, que lhe dispensava proteção. Mas suas idéias republicanas prejudicaram essas boas relações. Entusiasmado pelos feitos iniciais de Napoleão Bonaparte, escreveu em sua homenagem a Sinfonia Heróica, ou terceira, mas esse sentimento depois se transformou em completa aversão, de tal forma que na proclamação do Império francês, em 1804, ele compôs a Marcha Fúnebre da mesma sinfonia.
A partir desse ano (1804) iniciou-se para Beethoven um período de grande criatividade, surgindo, em conseqüência, a sonata para piano nº 21 em dó maior Op.53 (Waldstein), seguida em 1805 pela sonata para piano nº 23 em fá menor Op.57 (Appassionata); em 1806 foi a vez dos três quartetos de cordas Op.59 (Razumovsky), da sinfonia nº 4 em si bemol maior Op.60, e do concerto para violino em ré maior Op.61; em 1807, o concerto para piano nº 4 em Sol maior Op.58; em 1808, a sinfonia nº.5 em dó menor Op.67, a sinfonia nº 6 em fá maior Op.68 (Pastoral); em 1809, o concerto para piano nº 5 em Mi bemol maior Op. 73 (Imperador), em 1811, o quarteto em fá menor op.95 (Serioso), em 1812, a sinfonia nº 7 em lá maior Op.92 (1812) e a sinfonia nº 8 em fá maior.
A época mais feliz da vida de Beethoven ocorreu no final do século 18, início do século 19, período em que ele desfrutou de sucesso profissional, contou com a proteção dos poderosos, desfrutou de amizades profundas, e viu-se até mesmo dominado pelo amor. Embora várias mulheres tenham participado de sua vida amorosa, a que provavelmente mexeu com os seus sentimentos de forma mais intensa foi uma jovem de 17 anos, Giulietta Guicciardi, para quem o compositor dedicou a sua Sonata ao luar. Também foi nessa época (1801) que ele passou a ter problemas de audição, processo esse que em pouco tempo se tornaria irreversível. Inconformado diante desse problema incurável Beethoven pensou até mesmo em suicidar-se, mas conseguiu superar a crise depressiva e voltou a compor valendo-se de uma corneta para atenuar a deficiência provocada pela surdez. Foi o tempo de sua única ópera, Fidélio, exaltando o amor conjugal.  Composta em 1804, ela conta em dois atos a história de Leonore, que disfarçada de Fidélio salva o seu marido Fleurian de uma prisão política, exaltando a vitória do livre arbítrio e da liberdade sobre a opressão e a tirania.
Em 1819 a Áustria lhe concedeu uma pensão vitalícia, e em 1814 sua carreira chegou ao ponto culminante. Mas como a surdez que o martirizava começou a piorar, ele se afastou do público, fechou-se cada vez mais dentro de si mesmo, procurou isolar-se o quanto podia, o que transformou os últimos anos de sua vida em uma sucessão de amarguras motivadas pela saúde precária, pelas dificuldades financeiras e pelos problemas familiares que enfrentava. Certo dia, após discutir seriamente com seu sobrinho Karl, saiu de casa em meio a uma tempestade e com isso contraiu a pneumonia que provocou sua morte em 26 de março de 1827. Seu cortejo fúnebre foi acompanhado por uma multidão de 20.000 pessoas, fato pouco comum na Viena daquele tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário