segunda-feira, 11 de junho de 2018

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac


BILAC, OlavoOlavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Eram seus pais o doutor Braz Martins dos Guimarães Bilac e Delfina Belmira dos Guimarães Bilac. Após os estudos primários e secundários matriculou-se na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, mas desistiu no 4º ano. Tentou, a seguir, o curso de Direito em São Paulo, mas não passou do primeiro ano.
Dedicou-se desde cedo ao jornalismo e à literatura. Tornou-se, então, colaborador da publicação Cidade do Rio, e mais tarde chefe de redação do jornal Combate, onde defendeu com energia a adoção de um sistema de governo democrático por parte das autoridades que comandavam o país. Por fazer jornalismo político no começo da República, foi um dos perseguidos pelo presidente marechal Floriano Peixoto, tendo, por isso, que se esconder em Minas Gerais, época em que freqüentou a casa de Afonso Arinos, na cidade de Ouro Preto. Regressando ao Rio por ocasião da Revolta da Esquadra, foi um dos prisioneiros políticos que o governo federal manteve durante seis meses em uma das fortalezas existentes na cidade.
Libertado, trabalhou em diversos jornais e revistas, como a Gazeta de Notícias, Notícias, Semana, Cosmos, A Cigarra, A Bruxa A Rua, onde publicou crônicas literárias e artigos sobre o cotidiano da época. Dirigiu, durante a Exposição Comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos em 1908, realizada no Rio de Janeiro, o Jornal da Exposição, secretariando, na mesma época a Terceira Conferência Pan-americana. Em 1910 foi nomeado delegado ao Congresso Pan-americano, reunido em Buenos Aires, e posteriormente inspetor da instrução pública e membro do Conselho Superior do Departamento Federal, vindo a ocupar a cadeira de número 15, da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Um dos nomes mais importantes de nossas letras, Olavo Bilac, como todo poeta parnasiano, procurou sempre produzir versos impecáveis sobre temas baseados na natureza e na história, o que não eliminou nem a espontaneidade nem a leveza das suas composições, que normalmente abordavam dois gêneros principais: idealizações históricas, às quais pertencem O Sonho de Marco Antônio, Delenda Carthago, A Tentação de Xenócrates, e outras; e fervorosas manifestações amorosas, entre as quais estão os sonetos da Via Láctea, uma das obras-primas da poesia lírica moderna da língua portuguesa. Além dos versos, seu gênero predileto, escreveu também crônicas, contos, novelas.
Para a Academia Brasileira de Letras (www.academia.org.br), sua obra poética enquadra-se no Parnasianismo (*), que teve sua fase mais fecunda na década de 1880. Embora não tenha sido o primeiro a caracterizar o movimento parnasiano, pois só em 1888 publicou Poesias, que lhe valeu a consagração definitiva de grande poeta, tanto no Brasil como em Portugal. A obra divide-se em três partes: Panóplias, Via Láctea Sarças de Fogo, constituindo as duas primeiras a parte principal da publicação. Além das poesias, seu gênero predileto, escreveu também: Crônicas e Novelas, Através do Brasil, Contos Pátrios, Teatro Infantil, Pátria Brasileira, Poesias Infantis, Crítica e Fantasia, Conferências, Livro de Leitura, Livro de Composição, Tratado de Versificação, etc., além de Tarde, publicado postumamente.
Olavo Bilac tornou-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. Fundindo o Parnasianismo francês e a tradição lusitana, Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, especialmente ao soneto. Nas duas primeiras décadas do século XX, seus sonetos de chave de ouro eram decorados e declamados em toda parte, nos saraus e salões literários comuns na época.
Ao lado do poeta lírico, há nele um poeta de tonalidade épica, de que é expressão o poema “O caçador de esmeraldas”, celebrando os feitos, a desilusão e morte do bandeirante Fernão Dias Pais. Bilac foi, no seu tempo, um dos poetas brasileiros mais populares e mais lidos do país, tendo sido eleito o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, no concurso que a revista Fon-fon lançou em 1º de março de 1913. Alguns anos mais tarde, os poetas parnasianos seriam o principal alvo do Modernismo. Apesar da reação modernista contra a sua poesia, Olavo Bilac tem lugar de destaque na literatura brasileira, como dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Foi notável conferencista, numa época de moda das conferências no Rio de Janeiro, e produziu também contos, crônicas e obras didáticas.
Em 1898 foi nomeado inspetor escolar do Distrito Federal, cargo no qual se aposentou. Foi também delegado em conferências diplomáticas e, em 1907, secretário do prefeito do Distrito Federal. Em 1916, fundou a Liga de Defesa Nacional. Olavo Bilac faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1918.
Nota – O parnasianismo surgiu com uma reação contra o ultra-romantismo, em grande voga em meados do século 19. Caracterizou-se geralmente pelo tom comedido na descrição de sentimentos pessoais, com os poetas preferindo temas baseados na natureza e na história. O nome da escola originou-se do fato de algumas obras de seus criadores franceses terem sido publicadas numa coletânea denominada “Le Parnase Contemporain”. A palavra “parnaso” significa a poesia, os poetas considerados coletivamente.

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