segunda-feira, 11 de junho de 2018

CIRO II,


CIRO IICiro II, filho de Camnises I, príncipe e rei da Persia (590-529 a.C.), nasceu em Persis, atual província iraniana de Fars, e foi o fundador do império persa dos aquênidas, um dos grandes impérios da Antigüidade, cujos domínios estendiam-se do mar Egeu ao rio Indo. A história o mostra como exemplo de governante tolerante que soube unificar, sob seu comando, as terras conquistadas.
Na infância, Ciro foi educado por pastores, mas ao suceder o pai no trono de Anshan (559 a.C.), tornou-se guerreiro e organizou um exército moderno que utilizava a tática de assalto com arqueiros montados e o combate de massas de soldados. Comandando esta força ele atacou Astiages, soberano do vizinho reino da Média, apoderando-se de sua capital, Ecbátana, atual Hamadã, em 550 a.C. Em seguida iniciou a conquista dos demais reinos orientais e submeteu numerosos povos nômades que habitavam o leste do mar Cáspio, tendo chegado até às margens dos rios Indo e Iaxartes. Na Anatólia derrotou Creso, rei da Lídia (546 a.C.), submeteu as cidades gregas da Ásia Menor e a Babilônia (539 a.C.), aproveitando-se do descontentamento da população com o seu próprio rei, Nabonido, e atingiu territórios indianos.
Grande estrategista militar que era, ele tratava bem os povos vencidos respeitando os seus costumes e a sua religião, o que garantiu estabilidade ao império que criara. Destacando-se também como administrador notável, recebeu por isso o título de rei do Mundo. Fundou a cidade de Pasárgada, mais tarde substituída por Persépole como capital da Pérsia, e estabeleceu um sistema de correios visando facilitar a comunicação em todo o imenso território que ocupava.
Lendas e narrativas fantasiosas foram reunidas por alguns historiadores gregos, especialmente Heródoto (484-425 a.C.) e Xenofonte (440-355 a.C.), envolvendo a vida do conquistador. Segundo o primeiro, o imperador morreu assassinado pela rainha de um povo das estepes da Ásia Central, durante incursão militar que fazia na região; enquanto o segundo conta que ele morreu de doença nesse mesmo ano, rodeado pelos filhos. .
Ciro é mencionado na Bíblia como o soberano que libertou os judeus ao conquistar a Babilônia (537 a.C.), permitindo a volta destes a Jerusalém, mas o maior mérito desse governante foi ter adotado os aspectos mais positivos das leis e religiões dos povos conquistados, além de permitir aos mesmos a prática livre de seus próprios cultos e costumes. Nas ruínas de Pasárgada ainda podem ser encontradas as bases de grandes e várias construções, além do túmulo do grande imperador (ilustração)
Sobre o grande rei persa, a Bíblia católica, Livro de Isaias, capítulo 45 (1-3), apresenta a seguinte passagem (538 a.C.): Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, ao qual levou pela mão para derrubar as nações diante dele, para desatar o cinturão dos reis. Para abrir-lhe as portas, a fim de nenhuma lhe fique fechada “Marcharei eu mesmo diante de ti, aplainando as montanhas, arrebentando os batentes de bronze, arrancando os ferrolhos de ferro. Dar-te-ei os tesouros enterrados e as riquezas escondidas, para mostrar-te que sou eu o Senhor, aquele que te chama pelo teu nome, o Deus de Israel”.
E mais adiante, no mesmo capítulo (14)
Eis o que diz o Senhor. Os lavradores do Egito, os traficantes da Etiópia, os de elevada estatura de Sabalm, passarão para a tua terra e serão teus, servir-te-ão e desfilarão acorrentados, prostrar-se-ão diante de ti e te implorarão: “Deus não se encontra senão em tua morada, não tem rival algum, os outros deuses não existem”.
Ainda na Bíblia, Livro de Esdras, capítulo 1 (2-4):
Assim fala Ciro, réu da Pérsia: “O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de construir-lhe um templo em Jerusalém, que fica na terra de Judá. Quem é dentre vós pertencente ao seu povo, que seu Deus seja com ele. Suba a Jerusalém que fica na terra de Judá, e construa o templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que reside em Jerusalém. Que todos os sobreviventes de Judá, onde quer que residam, sejam providos pelos habitantes da localidade onde se encontram de prata, ouro, cereais e gado, bem, como de oferendas voluntárias para o templo de Deus, que reside em Jerusalém”.
E no Segundo Livro das Crônicas, capítulo 36 (22-23), a mesma passagem é narrada da seguinte forma:
No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, a fim de que se cumprisse a profecia do Senhor, posta na boca de Jeremias, o Senhor agiu sobre o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou fazer em todo o seu reino, à viva voz e também por escrito, a proclamação seguinte: “O Senhor Deus do céu deu-me todos os reinos da terra e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Todo aquele dentre vós que é de seu povo, esteja seu Deus com ele, e que ele se dirija para lá”.
Tabuinhas cuneiformes encontradas nas ruínas de Babilônia (denominadas Crônica de Nabonido, último rei babilônico), falam de várias campanhas militares de Ciro II na Síria e no sudeste da moderna Turquia, além de como ele derrotou Astiages, último rei de Media, por volta de 550 a.C., e dominou provavelmente a Lídia (Anatólia), em 547 a.C. Sobre a conquista da Babilônia, esses achados arqueológicos descrevem, entre outros fatos:
“(Décimo sétimo ano): No mês de tasritu, quando Ciro atacou o exército de Acade, em Ópis sobre o Tigre, os habitantes de Acade se revoltaram, mas ele (Nabonido) massacrou os habitantes confusos. No 14.° dia, Sipar foi capturada sem batalha. Nabonido fugiu. No 16.° dia, Gobrias (Ugbaru), governador de Gutium, e o exército de Ciro entraram em Babilônia sem batalha. Depois, Nabonido foi preso em Babilônia ao voltar (para lá)… No mês de arasamnu, no 3.° dia, Ciro entrou em Babilônia, raminhos verdes foram espalhados diante dele.  Impôs-se à cidade o estado de Paz”.

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