segunda-feira, 11 de junho de 2018

Charles Spencer Chaplin


CHARLES CHAPLIN 1O chapéu coco, o bigodinho, a bengala e as calças largas do pequeno burguês londrino chegaram a Hollywood em 1914, mas em pouco tempo o mundo tomava conhecimento de um personagem singular, um herói desalinhado e ingênuo, engraçado e comovente. Seu nome: Carlitos, criação de Charles Spencer Chaplin, ator e cineasta nascido em 16 de abril de 1889, em um bairro suburbano de Londres. Seus pais, Charles e Hannah Chaplin, eram artistas de variedades e desde cedo ensinaram o menino a dançar e a cantar.
Com a morte do pai (1894) Charles e Sidney, seu irmão mais velho, precisavam ganhar a vida, e para isso faziam pequenos serviços, dançavam na rua e até mendigavam para comer. A família sofria em conseqüência da desnutrição, e Hannah teve uma depressão que a levou à loucura. Com seis anos e meio, Charles cantava e dançava num music-hall, um número que durava apenas alguns minutos. Mas aos sete anos começou sua carreira profissional integrando um grupo de sapateadores de tamancos.
Em seu primeiro emprego, na companhia de pantomima de Fred Karno, ele cantava e dançava, desenvolvendo seu extraordinário talento para a imitação. Karno reconheceu as qualidades do jovem e o mandou em excursões a Paris e Estados Unidos (1911). Em novembro de 1913, ao se apresentar em Nova York, Charles foi descoberto por Mack Senett, produtor da Keystone Company, com a qual assinou o seu primeiro contrato de cinema. E em 1914 já estava diante das câmaras, ganhando 150 dólares semanais. A Keystone produzia três filmes por semana, cada um com quinze minutos de duração. Os atores, antigos palhaços ou acrobatas, conservavam os mesmos gestos e exploravam o mesmo tipo de humor que fazia sucesso nos circos. Foi então que Chaplin criou algo novo: Carlitos.
Os primeiros filmes de Carlitos ironizavam de forma jovial aspectos da vida cotidiana das pessoas.. Mas posteriormente essa crítica assumiu significado mais profundo. Em 1914, Charles interpretou trinta filmes cômicos, vinte dos quais concebidos e dirigidos por ele mesmo. Alguns já focalizando, e de forma bem definida, o problema da vida dos pobres e da injustiça  social, tema que Chaplin não mais abandonaria em toda a sua carreira.
Quando o seu contrato com a Keystone chegou ao fim, ele era um dos favoritos do publico e vários produtores disputavam o personagem Carlitos. Ganhando cerca de 1.500 dólares por semana, salário astronômico na época, Chaplin passou a trabalhar para a Essanay. Em 1916 foi contratado pela Mutual por 10.000 dólares semanais, e mais 150,000 de bônus. Em 1917, para ter Chaplin em oito filmes, a First National ofereceu-lhe um milhão de dólares.
CHARLES CHAPLIN 2Em 22 de outubro de 1918 Charles Chaplin casou-se com  Mildred Harris. A partir daí, e até 1928, os filmes que realizou levaram-no ao ponto culminante da carreira. Em 1923, ao regressar da Europa constatou que o público reagira negativamente à notícia de seu divórcio de Mildred e sua demonstração de simpatia pela revolução russa, mas isso não o prejudicou.
No ano seguinte voltou a casar-se, dessa vez com Lita Gray que lhe deu dois filhos: Sidney (1925) e Charles (1926). Mais adiante, quando do lançamento de Em Busca do Ouro, sua vida privada tornou-se alvo do ataque de membros da Ku-Klux-Klan que o denunciavam como sendo um pequeno judeu que não havia aceitado a naturalidade americana.
Ao mesmo tempo, seus filmes com críticas e censuras ao desemprego e à miséria foram considerados imorais e proibidos em vários Estados, sendo o Pastor de Almas acusado de ridicularizar os padres e a religião. Para aumentar seus dissabores, Lita Gray pediu divórcio, seu estúdio foi fechado e ele deixou Hollywood.
Em 1927 Chaplin concluiu a filmagem de O Circo, talvez o mais autobiográfico dos seus filmes. Iniciado em seguida, Luzes da Cidade foi um dos melhores momentos de sua carreira. Mas em 1929 o advento dos filmes sonoros trouxe-lhe problemas, pois seu desejo de manter o movimento e a mímica, sem o som, levaram-no a discordar da inovação. Afastando-se do meio cinematográfico, retornou em 1936 para criar Tempos Modernos, no qual criticou a progressiva desumanidade da sociedade industrial. Logo depois veio o Grande Ditador, seu primeiro filme sonoro, concebido muito antes que começassem a surgir condenações ao nazismo que se instaurara na Alemanha.
Em 1941, quando se divorciou de Paulette Goddard, a terceira esposa, as críticas aos dois últimos filmes trouxeram de volta a hostilidade pública. Em conseqüência, Chaplin permaneceu inativo durante vários anos, vivendo um período de ostracismo. Mas em abril de 1947 estreou novo filme, Monsieur Verdoux, outra investida contra a sociedade que insensibiliza o homem.
O escândalo provocado pela obra mobilizou a imprensa americana contra o autor, que se viu forçado a suspender suas atividades e viver isolado por uns tempos ao lado de Oona O”Neil, sua nova esposa. Luzes da Ribalta, a criação seguinte, surgiu apenas em 1952. Usando o pretexto de apresentá-la na Europa ele deixou definitivamente os Estados Unidos, fugindo à pressão crescente do Comitê de Atividades Antiamericanas, e da agressividade de setores políticos. Mais tarde, ainda dirigiu Um Rei em Nova York (1956) e a Condessa de Hong Kong (1967) filmes que pouco têm em comum com sua obra anterior. Vivendo na Suíça com Oona e filhos, Chaplin escreveu suas memórias (publicadas em 1964) com o título de Minha Vida.
Em 1971, cineastas do mundo inteiro, reunidos no XV Festival de Cannes, homenagearam o criador do imortal Carlitos, o mestre do cinema, doutor honoris causa por Oxford, a quem a França agraciou com a Legião de Honra.
Em 1972, Chaplin foi convidado a voltar aos Estados Unidos para receber um Prêmio Honorário, na cerimônia de entrega do Oscar, por suas contribuições à indústria cinematográfica. Três anos depois, em 1975, tornou-se Cavaleiro do Império Britânico, obtendo assim seu título de Sir.  Em 1977, na noite de Natal, o mundo perdeu um dos grandes representantes da história do cinema.

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