segunda-feira, 11 de junho de 2018

Manuel de Borba Gato


BORBA GATO 1Manuel de Borba Gato, bandeirante paulista do século 17, viveu praticamente internado na selva entre os anos de 1680 a 1700, fugindo de um crime cometido por seus criados e pelo qual fora responsabilizado.
De acordo com os relatos de vários cronistas, quando D. Rodrigo Castelo Branco, fidalgo espanhol enviado para vistoriar minas de ouro, desentendeu-se com Manuel de Borba Gato, dois serviçais deste último, temendo pela vida do patrão, mataram o nobre visitante. Em razão disso, não restou ao bandeirante outro recurso senão procurar refúgio na casa de um tio seu, às margens do rio Doce, para escapar da punição que certamente lhe seria aplicada. Existe, no entanto, outra versão, segundo a qual o próprio Borba Gato teria sido o autor da morte de D. Rodrigo, não se sabendo qual delas é a verdadeira.
Seu falecimento ocorreu em 1718, quando já contava, segundo alguns cronistas, com quase 90 anos de idade, mas ainda ocupando o cargo de Juiz Ordinário da Vila de Sabará.
Não se sabe em que lugar foi enterrado, supondo certos autores que isso talvez tenha sido feito na capela de Santo Antônio, ou capela de Santana, ambas do arraial velho de Sabará, ou ainda, na opinião de outros historiadores, em Paraopeba, onde ele tinha um sítio.
Casado com Maria Leite, filha do também bandeirante Fernão Dias Paes Leme, o caçador de esmeraldas, participou da expedição que este liderava através dos sertões, a pedido do então governador (1671-1675) Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça, em busca daquelas pedras preciosas.
Mas com a morte de seu sogro durante essa caminhada (1681), passou a comandar os demais homens nas andanças que eles faziam à procura de riquezas, enfrentando os mais diferentes tipos de ameaças e situações perigosas, até que ao encontrar depósitos abundantes de ouro na região então conhecida como Sabarabuçu, na qual hoje se ergue a cidade de Sabará, ele conseguiu que seus amigos e parentes convencessem o governador Arthur de Sá e Menezes, a indultá-lo pelo crime que lhe era imputado, desde que, em troca, fosse revelada a localização exata das jazidas do metal precioso.
BORBA GATO 2O governador concordou com a proposta apresentada por Manuel de Borba Gato, permitindo-lhe, dessa forma, retornar ao convívio da sua família. A carta patente decretando o seu perdão foi lavrada no dia 15 de outubro de 1698, e juntamente com ela foi concedido ao bandeirante o posto de lugar-tenente.
Pouco tempo depois, com a ida de Arthur de Sá e Menezes às minas, ocorreu então o encontro entre ele e Borba Gato, oportunidade em que este último, segundo os registros da época, teria dito ao governador que pelo fato do mesmo se ter dignado a conceder-lhe perdão em nome do rei, receberia, em contra-partida, a indicação dos locais onde se localizavam “minas tão abundantes de ouro que seriam uma nova fonte de riqueza para a coroa e prosperidade para os seus vassalos”.
No mesmo ano, nomeado tenente-general da região das minas, ele começou a organizar as arrecadações e a colocar ordem nos acampamentos aonde se amontoavam os aventureiros que para ali acorriam em grande número, em busca de fortuna.
O Códice Costa Matoso (publicado em três volumes, integra a já consagrada Coleção Mineiriana, financiada pela FAPEMIG – www.revista.fapemig.br -, na série obras de referência),nome pelo qual é conhecida uma coletânea de 145 documentos do século 18, reunidos por Caetano da Costa Matoso, ouvidor-geral da Comarca do Ouro Preto, nos anos de 1749 a 1752, e que constitui uma rica fonte de informação sobre o cotidiano e os costumes do povo da então capitania das Minas Gerais, diz que:
“A Justiça que achei nestas minas de Sabará foi o tenente-general Borba Gato, que era superintendentes destas minas., homem paulista. Repartiu as lavras de ouro por sortes de terra e veios d’água, como mandava o Regimento,  confiscava todos os comboios do sertão, boiadas, cavalos e negros. E tudo o mais que apanhava, confiscava, até o ouro que ia para os sertões da Bahia se arrematava para o Rei. Esta era a ocupação que tinha Borba. Também havia contendas, e como juiz supremo deferia a todos com muito agrado, e desejava favorecer os confiscados. Tira meirinho e escrivão, e muita gente para as diligências do confisco”.
Fundador dos povoados de Caetés e Sabará, o bandeirante morreu em paz e tranqüilidade, apesar das atribulações e inquietações vividas durante grande parte de sua existência.
Na ilustração acima, estátua de Manuel de Borba Gato, inaugurada em 1963. Obra do escultor Júlio Guerra, que utilizou trilhos de bonde para compor a estrutura de concreto revestida com pedras coloridas de basalto e mármore, ela demorou seis anos para ser concluída. Possui dez metros de altura, pesa vinte toneladas, e está localizada na Avenida Santo Amaro,  confluência com a Avenida Adolfo Pinheiro. A estátua integra o Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo, mantido pelo Departamento do Patrimônio Histórico.

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