Sonhando com um continente livre e unido, Simon Bolívar y Ponte tornou-se o grande chefe das lutas pela independência da América espanhola ao liderar as revoluções que libertaram os territórios que hoje constituem os paises da Venezuela, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Bolívia, Descendente de nobre família espanhola, era natural de Caracas, Venezuela, onde nasceu em 24 de julho de 1783. Durante cinco anos estudou Direito em Paris, e de regresso à sua terra passou pelos Estados Unidos, onde teve ocasião de observar o funcionamento das leis de uma República, fato esse de considerável importância em sua carreira.
Em 1810, quando da eclosão de um fracassado movimento rebelde que visava a emancipação da Venezuela, Bolívar viajou para a Inglaterra pretendendo comprar armas e obter o auxílio do governo inglês, mas este manteve a resolução de conservar-se neutro nos conflitos sul-americanos. Como não se julgava com autoridade suficiente para colocar-se à frente do exército revolucionário, ele tratou então de convencer o general Francisco Miranda, que servira sob as ordens de Washington e Napoleão, a aceitar esse encargo.
Declarada a independência da Venezuela, em 05/07/1811, foi dado a Bolívar o comando da fortaleza de Puerto Cabello, mas a causa da emancipação mais uma vez foi vencida e Miranda assinou o Tratado de Vitória em 25/07/1812, pelo qual a Venezuela voltava à condição de província espanhola.
Bolívar teve que se refugiar na ilha de Curaçau, de onde partiu para Cartagena, em Nova Granada, hoje Colômbia, lá se aliando a um grupo revolucionário. Foi quando publicou (15/12/1812) o primeiro dos seus documentos políticos, hoje clássicos na literatura revolucionária da América Espanhola. O Congresso de Nova Granada lhe confiou o comando de um pequeno exército com o qual ele desalojou os espanhóis de Pamplona e Cúcuta, atravessando em seguida as fronteiras da Venezuela para conquistar Mérida, depois Trujillo, e entrar triunfalmente em Caracas no dia 06/08/1813, após percorrer 1.200 quilômetros em noventa dias e destruir cinco unidades militares realistas.
Seguiram-se várias batalhas, principalmente contra os llaneros comandados por um antigo pirata chamado Boves, homens da planície do Orenoco, os maiores inimigos dos revolucionários, derrotando-os em Araure e São Mateus, mas sendo derrotado na batalha de La Puerta, em 15/06/1814, quando foi obrigado a deixar Caracas.
Bolívar seguiu então para Tunja, também na Colômbia, lá estabelecendo o governo revolucionário de Nova Granada, que apoiou seu procedimento. Mas sendo mal-sucedido na tentativa de captura da cidade de Santa Marta, renunciou ao comando e partiu para a Jamaica, onde escreveu a famosa Carta da Jamaica, datada de 06/09/1815, nela analisando as causas do fracasso e expondo as razões de sua esperança no êxito final. No Haiti, obteve o apoio do presidente negro Alexandre Pétion, e quando regressou ao continente, em 01/01/1817, passou a contar com o reforço dos llaneros liderados pelo general José Antônio Paez.
Com esse novo contingente Bolívar penetrou em La Vitória, entre Valência e Caracas, mas foi derrotado pelas forças do general Morillo na segunda batalha de La Puerta, em 15/03/1818, da qual saiu ferido.
Com um novo exército formado principalmente por veteranos ingleses e irlandeses das guerras européias, além de um pequeno número de venezuelanos, Bolívar atravessou os Andes rumo a Nova Granada, obtendo em 07/08/1819 a decisiva vitória de Boyacá, que lhe permitiu proclamar as Repúblicas da Colômbia e dos Estados Unidos da Venezuela e Nova Granada, esta presidida por ele mesmo.
Diante disso o general Morillo acertou com os revolucionários um período de tréguas, mas tendo sido chamado de volta à Espanha em fins de 1820, e substituído pelo general La Torre, Bolívar valeu-se da oportunidade para reiniciar as hostilidades contra as forças inimigas, derrotando-as em 26/06/1821, na segunda batalha de Carabobo. A partir daí os espanhóis se viram forçados a deixar o território da Venezuela.
Quando o Congresso da Colômbia se reuniu em Cúcuta, Bolívar apresentou sua renúncia ao cargo de presidente, mas esta lhe foi negada. Na ocasião, o Equador e o Peru ainda continuavam submetidos à dominação espanhola. Em 1821, Bolívar havia colocado o general Antonio José de Sucre como chefe do Exército do Sul da Colômbia, e este, meses depois, em 24/05/1822, dirigiu e venceu a batalha de Pichincha, entrando em Quito e assegurando a libertação do Equador.
Pouco depois, a pedido de José Francisco de San Martín, general argentino que participou ativamente dos processos de independência da Argentina, do Chile e do Peru, marchou sobre Lima, que foi evacuada pelos realistas. Estes a retomaram em seguida, mas acabaram sendo derrotados nas decisivas batalhas de Junin (06/08/1824) e Ayacucho (09/12/1824), que colocaram ponto final na dominação espanhola no Novo Mundo.
Bolívar renunciou mais uma vez ao supremo poder da Colômbia e do Peru, conservando apenas o título de “generalíssimo dos exércitos da Colômbia”. Em incursão às províncias meridionais do território já totalmente liberto do domínio estrangeiro, decretou a separação do mesmo para constituir uma república independente a que deu o nome de Bolívia.
Empreendeu então grandes esforços para organizar as novas repúblicas e teve de enfrentar revoluções internas provocadas pelos generais rivais, entre eles Paez, marchando contra ele e os separatistas da Venezuela. Mas durante sua ausência o Congresso aceitou em 08/05/1830 a demissão que pedira, concedendo-lhe uma pensão vitalícia em atenção aos serviços que prestara à nova República.
Desgostoso com o que ocorrera, Simon Bolívar retirou-se para sua propriedade perto de Santa Marta, em 17/12/1830; onde morreu vitimado pela tuberculose aos 47 anos de idade, antes de poder embarcar para a Europa onde pretendia tratar-se.
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