segunda-feira, 11 de junho de 2018

Giovanni Boccaccio


BOCCACIOO poeta e novelista italiano, Giovanni Boccaccio, nasceu em Paris, França, em 1313. Filho de um comerciante florentino, não se dedicou ao comércio, como era o desejo de seu pai, preferindo cultivar o talento literário que tão cedo nele se manifestara. Com isso produziu uma obra que lhe garante lugar entre os maiores do início da literatura italiana, ao lado de Dante e de Petrarca.
Após os primeiros estudos em Florença, foi enviado a Nápolis para completar sua formação na sucursal dos Bardi, banqueiros e comerciantes para os quais seu pai trabalhava. Este insistia em fazê-lo comerciante. Aos dezoito anos consegue autorização para abandonar os estudos comerciais, mas o pai impõe-lhe uma nova condição: direito canônico. Boccaccio aceita o mal menor, e lança-se à literatura com afinco: escritores franceses em tradução italiana, poemas franceses no original e, principalmente, escritores latinos.
Em Nápoles, um amigo o introduz na corte, e é nessa mesma cidade que conhece Maria D’Aquino (ou Giovanna, não se sabe ao certo), que celebraria em suas obras sob o nome de Fiametta. Entre 1336 e 1338 essa paixão o domina. Ao contrário de Dante, seu amor é profundamente sensual, colocando à distância a imagem da mulher idealizada, quase celeste. É dessa época sua primeira obra, o Filostrato, cujo tema, tomado de empréstimo a um escritor francês, recebe um tratamento totalmente diverso e se transforma num autêntico relato de paixão sensual.
Terminado seu romance com Fiametta (1339), inicia-se uma fase infeliz para Giovanni Boccaccio, não só por seu sofrimento de amor, mas também pela pobreza que se segue: os grandes bancos florentinos (entre os quais o dos Bardi) haviam sofrido grande golpe devido a um enorme empréstimo cedido ao rei inglês e não reembolsado. Boccaccio perde sua posição social, deixa de freqüentar a corte de Nápoles e passa a morar em um bairro modesto. É quando começa realmente a conhecer o mundo das ruas.
Retornando a Florença em 1341, encontra a cidade passando por maus momentos. Esse período da vida do escritor é pouco conhecido. Sabe-se que prepara algumas obras eruditas e escreve Visão Amorosa, elegia em prosa. Entre 1344 e 1346, escreve Ninfale Fiesolano, lenda construída segundo modelo do escritor Ovídio, onde a inspiração da antiguidade é suplantada por um tratamento moderno do assunto.
Em 1350, em Florença, travou conhecimento com Petrarca, a quem admirava como um gênio, e cujo espírito meditativo e austero marcou indelevelmente a sua obra. Em 1553 atingiu a maturidade artística e o ápice de sua carreira literária com a publicação de sua obra capital, Decameron, uma série de narrativas em que, num estilo ágil e irônico, satirizou os costumes florentinos daquela época..
A peste que assolava a Europa, chegando a Florença em 1348, deu a Boccaccio o quadro para esta obra escrita entre 1348 e 1353. O livro se compõe de 100 novelas que refletem a crise de concepções do mundo religioso. Para fugir da peste, dez jovens refugiam-se por dez dias num local (decameron = dez dias, em grego), narrando histórias de amor. Eis o enredo da obra máxima de Boccácio.
A idéia central do Decameron é a de que a natureza dita ao homem as regras fundamentais de sua conduta. Sufocar os sentimentos é desvirtuar a própria vida. Reafirmando a ruptura com os princípios morais e tradições literárias da Idade Média, que defendiam essencialmente o valor da existência após a morte e do amor espiritual, Boccaccio insiste na exaltação da beleza e do amor terreno, realidades específicas da vida humana.
Decameron faz de Boccácio o primeiro grande realista da literatura universal. Formalmente, o livro é composto por contos que expressam uma coerência rigorosa das personagens. Quando seu material de inspiração – a vida – carece desta lógica, produzindo padres desonestos, maridos imbecis ou mulheres devassas, esta contradição surge na obra revestida de um caráter humorístico, e é este elemento da arte boccacciana que a faz tão moderna. Defendendo os prazeres do amor, Boccacio nunca chega a cair na grosseria.
Em 1355 escreve Corbaccio, sua última obra em dialeto toscano (a partir daí utilizará somente o latim). Em 1362 sofre uma crise religiosa: um monge, em profecia, prevê poucos anos de vida ao escritor, aconselhando-o a dedicar-se às obras religiosas e abandonar as letras profanas. A partir daí seguiram-se anos de abatimento moral em que o medo da morte teve papel preponderante, torturas essas que só tiveram fim quando as confiou ao seu grande amigo Petrarca. Este, com propriedade e oportunidade de argumentos, dissipou-lhe todos os temores, animando-o a prosseguir em seus estudos prediletos.
Superada a crise, Boccaccio não se vê atraído pelo misticismo, pois sua personalidade viva e apreciadora dos prazeres terrenos opunha-se a uma conduta pautada pela religião. Passa a efetuar viagens constantes, tanto no exercício das funções diplomáticas para as quais fora nomeado, quanto em caráter pessoal (1362/71). Escreve Mulheres Célebres (De Claris Mulieribus – 1362, 104 biografias de mulheres conhecidas por seus vícios e virtudes). A obra, escrita em latim e traduzida para o italiano após sua morte, obteve grande sucesso.
Na segunda metade de 1373, apesar do esgotamento físico, iniciou uma série de leituras sobre a Divina Comédia. Convidado a realizar conferências sobre Dante, em Florença, pretendia utilizar esse material na confecção do que se tornaria mais tarde, depois de Decameron, sua maior obra em italiano: o famoso Os Comentários sobre a Divina Comédia. Mas diante de sua saúde abalada alguns amigos piedosos providenciaram seu transporte para Certaldo, aonde veio a falecer depois de receber a triste notícia do desaparecimento de seu amigo Petrarca, que lhe chegara com três meses de atraso.
A morte o surpreendeu em de 21 de dezembro de 1373, não permitindo que ele concluísse o livro que escrevia.
Fonte: Enciclopédia Abril

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