Entediado ele procurou o oráculo de Delfos, que o aconselhou a partir para Atenas e estudar Filosofia. Foi o que ele fez, ingressando na escola de Platão e lá permanecendo durante vinte anos (367 a 347 a.C.), de onde saiu, segundo alguns biógrafos, quando julgou encontrar seu mestre em erro, ou segundo outros, por achar que não tinha dele a confiança a que se achava com direito,
Diz-se que comia parcamente e dormia pouco, tanto que ao deitar-se costumava segurar uma bola de estanho em uma das mãos, para acordar quando ela caísse. Quando Platão, às vésperas da morte, entregou a direção de sua academia a Espeusipo, Aristóteles ficou contrariado e por isso saiu de Atenas e viajou pelas principais cidades da Grécia até se casar com Pítias, filha adotiva de um amigo que morreu tragicamente. Na ilha de Lesbos ele compôs Ode à Virtude, que recitava todos os dias, à hora da refeição.
Chamado para educar o filho de Filipe II, da Macedônia, partiu para aquela corte em 343 a.C., onde permaneceu durante doze anos, ensinando ao que mais tarde viria a ser Alexandre, o Grande, todas as ciências de que era conhecedor profundo. Terminada a educação de seu aluno, Aristóteles retornou a Atenas e fundou uma escola de sabedoria perto do templo de Apolo Lício, razão pela qual foi dado o nome de Liceu ao seu educandário, também chamado peripatético devido ao costume do mestre de dar lições em amena palestra, passeando pelos corredores do prédio.
Alexandre, ao saber disso, pediu ao filósofo que cuidasse do estudo de animais, enviando-lhe um subsídio de 800 talentos e grande número de pescadores e caçadores que pudessem lhe prestar informações no seu trabalho. Com a morte do ex-aluno, Aristóteles deixou Atenas, oportunidade que seus inimigos aproveitaram para atacá-lo com inúmeras acusações, obrigando o sábio a refugiar-se em Cálcis, receoso de ter o mesmo fim de Sócrates. Mas isso foi inútil, porque tendo sido condenado à morte pelo Areópago, o grande pensador morreu pouco depois vitimado por estranha cólica
Aristóteles foi uma das maiores inteligências que a humanidade produziu, podendo-se dizer que foi ele o verdadeiro criador da Anatomia, da Fisiologia Comparada, da Lógica, da História, da Filosofia como ela é entendida modernamente e, sobretudo, da Metafísica.Para ele, eram quatro as causas implicadas na existência de algo:
– A causa material (aquilo do qual é feita alguma coisa, como a argila, por exemplo).
– A causa formal (a coisa em si mesma, como um vaso de argila)
– A causa final (aquilo para o qual a coisa é feita, como enfeitar a sala e portar flores, por exemplo).
A teoria aristotélica sobre as causas estende-se sobre toda a Natureza, que é como um artista que age no interior das coisas (na ilustração ao lado, Aristóteles ensinando a Alexandre Magno)
Aristóteles também distinguia a essência e os acidentes sempre presentes em alguma coisa. A essência era definida como algo sem o qual aquilo não pode ser o que é, ou seja, é o que lhe dá identidade, e sem a qual ela não pode ser reconhecida como sendo ela mesma (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de letras não pode ser considerado um livro, pois o fato de ter letras é o que lhe permite ser identificado como livro, e não como caderno ou meramente papel em branco).
Com relação ao acidente o filósofo o explicava como sendo algo que pode ou não pode ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza o o objeto por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor por ser grande; a mesma coisa acontece quanto à sua cor, pois por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor, ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).
Suas reflexões filosóficas – por um lado originais, e por outro, reformadoras da tradição grega – acabaram por configurar um modo de pensar que se estenderia por séculos. Prestou inigualáveis contribuições para o pensamento humano, destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural e outras áreas de conhecimento humano.
É considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental. Por ter estudado uma variada gama de assuntos, e por ter sido também um discípulo que em muito sentidos ultrapassou seu mestre, Platão, é conhecido também como o Filósofo.
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