segunda-feira, 11 de junho de 2018

BOADICÉIA


BOADICEIA 1Rainha do icênios, tribo britânica que habitava os atuais territórios dos condados de Cambridge, Suffolk, Norfolk e Hertfor, Boadicéia, ou Boudica, morreu aproximadamente em 62. As famosas construções de terra ainda existentes na charneca de Newmarket e no vale do Six-Mile, conhecidas pelo nome de Devil1s Ditcj (Fosso do Diabo), são tidas como fortificações levantadas por sua tribo como proteção contra os romanos, e foram feitas provavelmente durante seu reinado.
Ela era esposa de Prasutago, rei que firmou aliança com os invasores depois deles terem conquistado a Grã-Bretanha, colocando ao lado de suas duas filhas, também como herdeiro da grande fortuna que possuía, o imperador Nero, pensando que ao proceder dessa maneira estaria preservando sua família e o seu reino do ataque dos conquistadores.
Aconteceu que logo após a morte de Prasutago os centuriões romanos tomaram posse de seus domínios, torturaram a rainha em público e entregaram suas filhas à concupiscência dos escravos, que delas se aproveitaram o quanto puderam. Inconformada com o que lhe haviam feito – e também às suas filhas -, Boadicéia aproveitou-se do fato de que Suetônio Paulino, governador romano daquele território, estava ausente, para dar vazão à sua revolta: reuniu todas as forças militares dos bárbaros e invadiu a colônia romana em Londres, deixando-a em cinzas e mandando matar a espadadas, nas proximidades da cidade, cerca de setenta mil indivíduos, incluindo cidadãos romanos, mercadores e outros súditos do Império.
Tomando conhecimento do que acontecera, Suetônio não perdeu tempo no preparo do contra-ataque. O historiador Dion Cássio, também conhecido como Dião Cássio (160-235), historiador romano que ao longo de vinte e dois anos escreveu a “História de Roma” em oitenta volumes, diversos dos quais foram preservados, fornece inúmeros detalhes do que aconteceu no decorrer desse episódio histórico, o mesmo acontecendo com Tácito (55-120), outro famoso historiador romano, de cujos registros se tem conhecimento de que o governador Suetônio protelou o confronto durante o tempo que precisou para encontrar um lugar favorável aos seus soldados, e quando o descobriu (acredita-se que tenha sido a oeste de Middlands), as duas forças finalmente se  viram frente a frente, preparadas para a guerra.
BOADICEIA 2Boudicca conduzia uma tropa de celtas armados até os dentes e com uma aparência terrível. Eles costumavam ir para a batalha batendo seus tambores e vestidos com roupas próprias para o combate, brandindo lanças, espadas e outras armas, tendo a pele pintada de azul para intimidar o inimigo.
Do outro lado, os romanos permaneciam na clássica formação de falange, mantendo seus escudos colocados acima das cabeças como proteção contra as lanças dos adversários. Assim que o inimigo estava ao alcance, Suetonius deu então a ordem para que eles formassem uma cunha e arremessassem suas lanças e dardos, o que foi imediatamente acompanhado pelo avanço, em ondas sucessivas, da infantaria auxiliar. Com essa investida inesperada, mas eficiente, as colunas bretãs que haviam marchado primeiramente contra o inimigo, foram rapidamente dizimadas, e com isso o caos se instalou à sua retaguarda.
Os romanos avançaram sua cavalaria pelos flancos buscando alcançar justamente esse ponto, considerado o mais vulnerável das defesas inimigas porque ali estavam as famílias dos guerreiros de Boadicéia; Por fim a infantaria romana os cercou, deixando a rainha sem alternativa a não ser o combate. E nele muitos morreram.
A tradição diz que Boudicca sobreviveu a essa batalha. Mas retornou ao lar da forma mais rápida que conseguiu fazer, e uma vez em casa envenenou-se juntamente com a filha mais nova, Argantilla, pois a outra, Rigana havia sido morta em combate.  Caso os romanos as tivessem capturado, provavelmente o imperador Nero teria exibido mãe e filha em praça pública, como troféu de guerra, submetendo-as depois a suplícios nas masmorras e finalmente levando-as à execução na arena do Coliseu
Segundo uma lenda popular, Boadicéia teria sido enterrado em local que fica hoje sob uma das plataformas da estação de Kings Cross, mas outras fontes sugerem também ser possível que os restos da rainha possam estar debaixo de outras plataformas da referida estação, provavelmente a nove ou a dez..
Mas o historiador Dion Cássio sugere o contrário:  que o seu corpo tenha sido queimado como heroína, de conformidade com os costumes celtas. E referindo-se à rainha em sua obra literária, diz que “ela: era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Uma cascata de cabelos vermelhos alcançava seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos”..
A fama da rainha Boudicéia, assim como a de muitas outras mulheres celtas, assumiu a dimensão de mito em toda a Grã-Bretanha. Uma estátua dela, representada segundo a concepção da memória popular, é encontrada em Londres, ao lado do rio Thames, próxima das casas do parlamento (ilustração acima).

Nenhum comentário:

Postar um comentário