segunda-feira, 11 de junho de 2018

CARLOTA JOAQUINA


CARLOTA JOAQUINACarlota Joaquina de Bourbon, Infanta de Espanha e Imperatriz Honorária do Brasil, nasceu na cidade de Madri, capital espanhola (25.04.1775), tendo morrido em Lisboa, Portugal (07.01.1830).
Em 1785, aos dez anos de idade, teve seu casamento arranjado com o príncipe português João, segundo filho da rainha Maria I, que em 1816 viria a ser o rei de Portugal com o nome de João VI. Os registros revelam que além de ambiciosa ela era violenta e desprovida de educação ou pudor, e que atormentou a vida de seu marido tanto na vida conjugal como nos negócios do Estado.
Em fins de 1805, valendo-se do abatimento moral que a loucura da mãe e a lamentável situação internacional do país haviam provocado no príncipe, Carlota Joaquina aliou-se a alguns fidalgos e religiosos em um plano que visava afastar seu marido do governo – declarando-o incapaz de gerir os negócios públicos – e lhe dar a regência, mas a conspiração foi descoberta. Ao invés de autorizar a abertura do inquérito que provavelmente redundaria no castigo dos conspiradores, D. João preferiu separar-se da esposa, deixando-a no palácio de Queluz, onde antes viviam juntos, indo ele residir em Mafra
Diz um historiador que Carlota Joaquina ”passava por ser de ânimo perspicaz e elevados dotes de espírito, porém, suas qualidades morais não mereceram igual apreço. Ambiciosa, violenta, pretendeu logo dominar a vontade de seu marido, e dirigi-lo nos negócios do Estado. Mas como o regente não se submeteu a isso, ela começou a olhá-lo com desprezo e desdém, convertendo o lar doméstico em palco de luta contínua cujos menores incidentes eram discutidos e comentados nas praças públicas…
A situação a que chegou Portugal em 1807, fez com que os esposos se reunissem por algum tempo, e a esquadra que conduziu o príncipe regente e D. Maria I ao Brasil, também levava também a bordo a astuciosa princesa. No Rio continuaram vivendo separados, reunindo-se apenas quando eram obrigados a comparecer a alguma solenidade pública”.
Embora marido e mulher pouco se encontrassem, Carlota Joaquina prosseguiu alimentando seus sonhos ambiciosos, planejando primeiramente tornar-se regente ou rainha da Espanha, quando Napoleão Bonaparte obrigou seu pai, Carlos IV, a abdicar. Em seguida, ela imaginou que poderia ser imperatriz da América Espanhola, ou então regente do Rio da Prata, iniciando a partir daí uma série de negociações com sir Sidney Smith, almirante inglês, a quem prometeu o título de duque de Montevidéu.
Com a frustração dos seus planos, afastou-se da política até 1820, quando a família real retornou à Europa para que D. João assumisse o trono de Portugal. Isso lhe deu oportunidade para reiniciar os movimentos que culminaram em 1822 com a descoberta da nova conspiração que planejara, visando a deposição do rei e a abolição da constituição aprovada pouco antes, o que provocou o seu confinamento em uma quinta. Mesmo assim, a rainha permaneceu incentivando a criação de movimentos revolucionários, o que provocou sua prisão no palácio de Queluz.
Com a morte de D. João VI, Maria da Glória, que era filha de D. Pedro I, no Brasil, ou Pedro IV, em Portugal, acabou assumindo a coroa, que lhe foi usurpada a seguir pelo tio Miguel, auxiliado por Carlota Joaquina. Mas esta morreu em Queluz, triste e amargurada, antes de terminada a luta fratricida que se seguiu, e que finalizou com a derrota e o exílio de seu filho favorito. Seu corpo jaz no Panteão dos Braganças, ao lado do seu marido, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.
Carlota Joaquina não era uma mulher de feições agradáveis. Referindo-se a ela, Octávio Tarquínio de Sousa (1889-1959), historiador e biógrafo brasileiro, autor do livro ‘História dos Fundadores do Império do Brasil’ diz que: “A mulher era quase horrenda, ossuda, com uma espádua acentuadamente mais alta do que a outra, uns olhos miúdos, a pele grossa que as marcas de bexiga ainda faziam mais áspera, o nariz avermelhado. E pequena quase anã, claudicante (…) uma alma ardente, ambiciosa, inquieta, sulcada de paixões, sem escrúpulos, com os impulsos do sexo alvoroçados”.
Indo mais além, a mulher do embaixador francês, a marquesa de Abrantes, Laura Junot, ao descrever sua fealdade, seus cabelos sujos e revoltos, seus lábios muito finos e arroxeados adornados por um buço espesso, seus dentes “desiguais como a flauta de Pã”, afirmou: “Não podia convencer-me de que ela era uma mulher e, entretanto, sabia de fatos nessa época que provavam fartamente o contrário”. 

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