segunda-feira, 11 de junho de 2018

CATARINA DE MÉDICIS


CATARINA DE MEDICISRainha da França. Nasceu em Florença, Itália, em abril de 1519, e morreu em Blois, na França, em 05 de janeiro de 1589. Filha de Lourenço II de Médicis, duque de Urbino, e Madalena de la Tour d’Auvergne, casou-se em outubro de 1533 com o duque de Orléans, mais tarde Henrique II da França.
A influência que exerceu sobre o marido foi relativamente limitada, em contraste com o papel desempenhado na vida política dos filhos, Isabel, terceira esposa de Felipe II da Espanha, e Francisco II, Carlos IX e Henrique III, os três últimos reis Valois da França, tanto que assumiu a regência com o advento de Carlos, em 1560, e governou ao lado de Henrique desde 1574 até o dia de sua morte.
No poder durante trinta anos, tentou pacificar o reino dilacerado pelas guerras religiosas, praticando, a princípio, uma política de tolerância para com os protestantes, o que a levou a firmar os éditos de janeiro de 1562, e o de Amboise, no ano seguinte, tratados esses que determinavam direitos e obrigações aos calvinistas. Vacilando entre políticas de compromisso, conciliação e ação imediata, ela decidiu aliar-se aos católicos depois que os huguenotes (apelido dado aos protestantes, especialmente os calvinistas) tentaram raptá-la, juntamente com seu filho Carlos IX.
Mas preocupada, acima de tudo, em manter o próprio poder não só contra a influência católica representada por Francisco de Lorena, duque de Guise, e Carlos, cardeal e arcebispo de Lorena, mas também contra a preponderância protestante de Henrique de Navarra, casado com sua filha Margarida de Valois, e Gaspar de Coligny, líder huguenote altamente considerado por Carlos IX, ela instigou – motivada muito mais por ambição de domínio absoluto do que por fanatismo católico – o massacre de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, no qual pereceram 50.000 huguenotes em toda a França, sendo Coligny assassinado por ordem de Catarina, receosa da influência que o chefe religioso viesse a exercer sobre Carlos IX.
Sobre esse período conturbado da história francesa, os historiadores esclarecem que quando Carlos IX subiu ao trono ainda criança, a rainha mãe, Catarina de Médicis, assumiu a regência. Em 1570, pelo edito de Saint-Germain, ela concedeu aos protestantes o direito da celebração de seu culto nos subúrbios de pelo menos duas cidades, e de disporem de quatro praças-fortes, entre as quais Montauban e La Rochelle, esta última considerada a capital da França huguenote.
A trégua beneficiou os protestantes, que com o casamento de um príncipe da casa real de Bourbon com a rainha protestante do Reino de Navarra, conquistaram condições para que o herdeiro Henrique de Navarra, educado protestante, chegasse ao trono.
Dois anos depois morreu Carlos IX, e seu irmão, Henrique III, subiu ao trono. Começou então a disputa que ficou sendo conhecida como a “Guerra dos 3 Henriques”: Henrique de Guise, muito mais preocupado em conquistar a coroa que defender a fé, fundou com os líderes católicos franceses a Liga Católica, e passou a exercer, juntamente com Catarina de Medicis, forte pressão sobre o rei Henrique III.
Este mandou assassinar Henrique de Guise e foi deposto pela Liga. Aliou-se em seguida com o protestante Henrique de Navarra e cercou Paris. Durante o cerco, em 1589, Henrique III foi assassinado e seu herdeiro legal acabou sendo Henrique Navarra, a quem Henrique III designara seu sucessor. Henrique de Navarra assumiu o trono como Henrique IV, depois de repudiar o protestantismo: “Paris bem vale uma missa”, expressão sua que entrou para a História.
CATARINA DE MEDICIS 2Durante esses acontecimentos, Catarina de Médicis, ao lado de Henrique III, retomara seus esforços pacificadores, negociando a Paz de Monsieur (edito de Beaulieu, 1576), com seu filho Francisco, duque de Anjou, e a Paz de Norac (1579), com seu genro Henrique de Navarra (futuro Henrique IV). Suas atividades políticas e religiosas, nas quais alcançou muito pouco êxito, não impediram que ligasse seu nome ao mundo das Letras e das Artes, sendo lembrada  especialmente pelas obras arquitetônicas que marcam o período de seu reinado.
Grande apreciadora do pomposo espetacular, ordenou a construção de uma nova ala no Louvre, iniciou a construção das Tulherias, e erigiu, nas adjacências de Paris, o castelo de Monceau. Sua biblioteca particular, com manuscritos raros, foi uma das mais notáveis da França durante a Renascença.
Muitos livros foram escritos sobre essa fascinante e intrigante personagem da história medieval francesa. Um deles, intitulado Cataria de Médicis (cuja capa é mostrada acima), autoria de Jean-François Solnon, editado pela Bertran Editora em 2004, diz em sua sinopse:
Na nossa memória coletiva, Catarina de Medicis (1519-1589) tem má reputação.
A astúcia, a duplicidade, o maquiavelismo, teriam inspirado a política desta florentina a que não teria repugnado nem o veneno nem o assassinato. Mulher e estrangeira, Catarina era o alvo perfeito para essas acusações. A viúva vestida de negro, dominando manipulando os filhos, responsável pela noite de São Bartolomeu em 152, teria sido a mais maléfica das rainhas de França. O livro de Jean-François Solnon destrói a lenda e traça um retrato sedutor de uma mulher corajosa que os infortúnios da vida não pouparam. Visão aprofundada, equilibrada, viva e nova de um ser excepcional, num século de ouro e de sangue.

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